Pilotos alertaram para falta de segurança no 737 Max antes do acidente na Etiópia

Bill Abbott / Flickr

Boeing 737 Max da companhia americana Southwest.

Pilotos da American Airlines pressionaram a Boeing a fazer alterações com urgência no modelo 737 Max, poucas semanas depois do primeiro acidente da Lion Air.

Poucas semanas depois da primeira queda do 737 Max, na Indonésia, pilotos da American Airlines reuniram-se à porta fechada com a Boeing para demonstrarem as suas preocupações com a falta de segurança do modelo da empresa norte-americana. Os pilotos apelaram para que a Boeing pressionasse as autoridades a tomar medidas de emergência.

Apesar dos avisos, os executivos da Boeing resistiram a fazer alterações no modelo e disseram que contavam com os pilotos para lidar com a situação. Na altura, sem a certeza de que o problema estava no novo software de “anti-stall”, a empresa decidiu não tomar medidas drásticas.

O The New York Times teve acesso a uma gravação da reunião, na qual Mike Sinnett, vice-presidente da Boeing, disse que “ninguém concluiu que a única causa dos acidentes o software do avião”.

Menos de quatro meses depois, viria a cair o segundo avião deste modelo, desta vez da Ethiopian Airlines. O software defeituoso acabou por se revelar responsável em ambos os acidentes.

Em novembro, a Boeing recusou comentar sobre a reunião, dizendo estar a trabalhar com pilotos, companhias aéreas e reguladores para certificar as atualizações no 737 Max, e dar formação adicional para devolver os aviões com segurança.

Após o acidente da Lion Air, a Federal Aviation Administration emitiu uma diretiva que instruía as companhias aéreas a incluírem nos seus manuais de voo informações sobre como responder a um mau funcionamento do software, conhecido como MCAS.

O piloto americano Michael Michaelis disse que era necessário emitir outro diretiva que obrigasse a uma atualização de software, mas Sinnett não aceitou. O vice-presidente da empresa disse que se sentia confiante de que os pilotos tinham o treino adequado para lidar com problema, especialmente agora que estavam cientes que ele existia.

“Precisa de entender que o nosso compromisso com a segurança é tão grande quanto o seu”, disse Sinnett a Michaelis na reunião. “A pior coisa que pode acontecer é uma tragédia como esta, e a coisa ainda pior seria outra”.

Em resposta, Michaelis defendeu que os pilotos nem sabiam da existência desse sistema no avião. As tensões aumentaram e outro piloto, Todd Wissing, disse: “Pensei que houvesse prioridade em explicar coisas que nos podem matar“.

No fim da reunião, Sinnett pôs fim às esperanças de uma alteração imediata no software. “Não nos queremos apressar e fazer um mau trabalho a reparar as coisas certas e também não queremos consertar as coisas erradas”, disse o vice-presidente. “Para software crítico de voo, eu não faço isso”, acrescentou.

Sente-se confortável de que a situação está sob controlo, antes que qualquer correção de software seja implementada?”, perguntou Dennis Tajer, um porta-voz sindical. Sinnett respondeu sem vacilar: “Absolutamente“.

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