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Pico de casos deverá ser atingido esta semana. Risco de transmissão está mais baixo

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Ennio Leanza / EPA

Portugal deve atingir esta semana o pico de novos casos de covid-19, mas o número de mortos e a pressão nos hospitais vai demorar mais tempo a baixar.

O número de infetados começa a dar sinais de estar a diminuir, porém esta desaceleração acontece a ritmos diferentes em vários pontos do país.

O Centro e Norte do país estão há uma semana com os contágios a baixar e já devem ter atingido o pico de novos casos a 24 de janeiro. Contudo, o mesmo ainda não aconteceu em Lisboa e Vale do Tejo, onde os números continuam a subir persistentemente.

Nesta região os máximos ainda não foram atingidos, mas deverão ser alcançados muito em breve, de acordo com os dados do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, revelados à SIC.

Quase 76% dos concelhos portugueses estão em risco extremo devido ao número de casos de covid-19, tendo registado uma taxa de incidência acumulada superior a 960 por 100 mil habitantes, entre 13 e 26 de janeiro, segundo dados oficiais.

Ainda assim, “Portugal está com uma tendência de estabilização”, diz Milton Severo, epidemiologista da Universidade do Porto. O especialista alerta, porém, que estas previsões podem mudar caso o comportamento das pessoas se altere de forma negativa.

O investigador sublinha que “não se pode parar as medidas”, acrescentando que “só voltaremos aos números que tivemos no verão algures a meio de maio”.

Milton Severo acredita que num cenário mais positivo, esses valores podem ser alcançados entre março e abril. No entanto, para que isso fosse possível, seria necessário manter as medidas de confinamento muito apertadas.

O epidemiologista avisa ainda que há mais infetados entre as crianças. Ainda assim, os mais afetados pelo vírus continuam a ser os adultos a partir dos 40 anos, com destaque para os mais idosos.

Em sentido inverso, a incidência reduziu entre os 18 e os 24 anos, uma faixa etária que tem tido muitos casos desde o verão.

“Sanções disciplinares e criminais” para vacinações indevidas

António Lacerda Sales também confirmou hoje que se está a verificar em Portugal “alguma desaceleração no crescimento” da pandemia, nomeadamente no índice de transmissibilidade.

O secretário de Estado e Adjunto da Saúde referiu ainda que o índice de transmissibilidade está mais baixo. “O R está de facto a diminuir, e agora temos um R de 1,03 a nível nacional”, adiantou.

Lacerda Sales acredita que a fórmula para a melhoria dos números passa pelo confinamento, a proteção individual e a vacinação.

O braço direito de Marta Temido criticou ainda as “situações inaceitáveis” de vacinação indevida e confirmou que as instituições devem ter listas de suplentes, caso sobrem doses, para aplicar consoante os critérios do plano de vacinação.

O governante disse que a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde vai fazer auditorias no âmbito nacional e que estes procedimentos “terão sanções, quer disciplinares, quer criminais, caso se provem”.

Portugal registou, nas últimas 24 horas, 275 mortes e 5805 novos casos de covid-19, indica o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta segunda-feira.

  Ana Moura, ZAP //

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