“Não é prudente”. Países Baixos adiam vacinação para janeiro

Abir Sultan / EPA

Os Países Baixos decidiram iniciar a campanha de vacinação contra a covid-19 em janeiro, apesar de já toda a União Europeia ter começado, considerando que “a pressa” visa dar “um espetáculo simbólico”, mas é perigosa.

“Temos de seguir um caminho seguro, não é responsável começar mais cedo“, explicou o ministro da Saúde holandês, Hugo de Jonge, aos deputados, sublinhando que o que os seus parceiros europeus estão a fazer “não é prudente”.

De acordo com o ministro, embora algumas doses da vacina estejam a ser administradas a algumas pessoas no resto da União Europeia, “demorará semanas até que as vacinas cheguem a todos” e Haia prefere seguir “uma série de critérios cuidadosos” antes de começar a sua campanha.

A decisão de não cumprir os “dias de vacinação da UE”, agendados pela Comissão Europeia (CE) para 27, 28 e 29 de dezembro, não foi uma surpresa nos Países Baixos: antes de a Agência Europeia de Medicamentos ter dado sinal verde à vacina Pfizer/BioNtech, no dia 21, Haia já tinha decidido só começar a usar o medicamento em 2021.

De Jonge criticou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, por fazer com que países que ainda não estão prontos para a vacinação em massa “se vejam obrigados a fazer um início simbólico”, que tem “um duvidoso valor acrescentado”.

“Vale a pena desviar-nos da nossa estratégia e do necessário cuidado por uma questão de simbolismo?”, questionou o ministro, alertando que as próprias autoridades de saúde locais lhe pediram para não dar início à vacinação antes de janeiro.

De acordo com as autoridades sanitárias holandesas, ainda há muitas questões para resolver antes de dar o pontapé inicial oficial às campanhas de vacinação como, por exemplo, o desenvolvimento de um guia de saúde pelo Instituto de Saúde Pública e de testes dos sistemas informáticos do país pelos técnicos.

Isto porque um dos grandes obstáculos é precisamente o sistema de registo nacional, já que cada injeção administrada deve ser registada num banco de dados nacional a ser estabelecido pelo instituto, mas que só deverá estar pronto esta semana.

Este sistema, explicaram as autoridades, não só ajudará a saber quem recebeu que vacina, mas também a rastrear a cobertura vacinal.

Além disso, adiantaram as autoridades, é preciso capacitar os 350 funcionários, que vão atuar nos 25 postos de vacinação do país, e cerca de 800 operadores de call centers, que atenderão e esclarecerão as dúvidas dos cidadãos sobre a vacinação.

O Parlamento holandês não compreende, no entanto, que todas estas questões técnicas e logísticas demorem quase duas semanas mais do que no resto da União Europeia.

“Quão difícil pode ser testar sistemas informáticos?”, questionou o deputado social-democrata Lodewijk Asscher.

O líder da extrema direita (PVV), Geert Wilders, acredita que a abordagem oficial “é errada” e classificou-a de “amadorismo”, enquanto os socialistas lamentaram que os Países Baixos “estejam a ficar para trás novamente”, como aconteceu, segundo referiram, com a aplicação móvel de rastreamento do coronavírus ou com a capacidade de fazer testes.

As críticas também chegaram de grupos parlamentares dos partidos do Governo. Os liberais pediram que se iniciasse um “teste piloto” de vacinação, enquanto o partido União Cristã considerou a abordagem do sistema de saúde “demasiado complicada”, lamentando que os processos administrativos atrasem a campanha de vacinação.

Apesar das críticas, o ministro da Saúde decidiu manter o calendário inicial, começando a vacinação no dia 4 de janeiro e enviando as primeiras convocações aos grupos de maior risco quatro dias depois.

“Não se trata de começar uma semana antes ou depois, trata-se de uma cobertura vacinal, que será determinada pelo cuidado que tivermos”, justificou.

Cerca de 225 mil profissionais de saúde de lares de idosos, instituições de atendimento a pessoas com deficiência e atendimento domiciliar receberão, em primeiro lugar, a vacina.

O Governo estima que a primeira ronda de vacinação termine a 1 de março.

// Lusa

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