“Todos os caminhos levam a Putin”. Donald Trump deverá ser acusado formalmente nos próximos dias

Kremlin

Os democratas estão a desenvolver o processo de destituição de Donald Trump, reforçando o foco na Federação Russa e nas ligações ao Presidente da Rússia, Vladimir Putin, quando começam a esboçar o texto acusatório do chefe de Estado norte-americano.

A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, está a ligar os pontos — “todos os caminhos levam a Putin” — e a desenvolver o argumento de que a pressão de Trump sobre a Ucrânia não foi um incidente isolado, mas parte de uma ligação perturbadora com o Presidente russo, que remonta ao apurado pela investigação do procurador especial Robert Mueller em relação à alegada interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016.

“Isto já dura há dois anos e meio”, declarou Pelosi. “Isto não é sobre a Ucrânia. É sobre a Rússia. Quem beneficiou com a suspensão da nossa ajuda militar à Ucrânia? A Rússia”, insistiu.

O enquadramento está a assumir grande urgência e importância, tanto em termos práticos quanto políticos, uma vez que os democratas estão a começar a redação dos artigos da acusação.

Um dos objetivos também é explicar por que razão os norte-americanos se devem preocupar por Trump ter pressionado a Ucrânia para anunciar uma investigação ao seu rival político Joe Biden, ao mesmo tempo que suspendeu a entrega de ajuda militar a Kiev (que o Congresso já tinha aprovado), orçada em 400 milhões de dólares (362 milhões de euros), a este aliado do Leste europeu envolvido num conflito fronteiriço com a Federação Russa.

“Às vezes, as pessoas dizem ‘bem, não conheço a Ucrânia’, afirmou Pelosi na quinta-feira, ao anunciar a decisão de redigir a acusação formal. “Bem, o nosso adversário neste processo é a Rússia. Todos os caminhos levam a Putin. Percebam isto”, acentuou a presidente da Câmara dos Representantes.

Ao fazer traçar a evolução do comportamento de Trump desde a campanha eleitoral até aos dias de hoje, Pelosi une o partido democrata. Junta assim a ala esquerda, que quer mais acusações contra Trump, incluindo as do relatório de Mueller, e os centristas, que preferem ver a acusação cingida à Ucrânia.

Pelosi e a sua equipa estão a procurar passar a mensagem de que o processo de destituição é sobre a Ucrânia — o telefonema em que Trump pede um favor ao seu homólogo ucraniano —, mas também sobre um padrão de comportamento que pode renovar a preocupação com a atitude do multimilionário republicano face à Federação Russa, quando se preparam as eleições presidenciais de 2020.

O processo “mostra que um leopardo não consegue mudar as suas pintas“, afirmou Eric Swalwell, o democrata da comissão as Informações, da Câmara dos Representantes, que redigiu o relatório, com 300 páginas, que serve de base ao texto acusatório.

Com o texto da acusação esperado para os próximos dias e a votação na Câmara dos Representantes esperado por alturas do Natal, a equipa de Trump esforça-se por mostrar ao Presidente quer não há nada de errado.

Na sexta-feira, a Casa Branca confirmou que não vai participar nestes trabalhos da Câmara dos Representantes, considerando o processo “um simulacro”.

O advogado do presidente norte-americano, Pat Cipollone, escreveu, em mensagem eletrónica enviada ao presidente da comissão parlamentar da Justiça, Jerry Nadler: “Como sabe, o vosso inquérito com vista à acusação [de Trump] não tem qualquer fundamento”. O texto da acusação deve assentar em dois grandes temas: abuso de poder e obstrução, mas deverá também incluir corrupção.

Esta carta não é uma surpresa. A Casa Branca já tinha antes recusado participar na primeira audição do processo de impeachment.

O Presidente norte-americano foi acusado de pressionar o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, a investigar o seu rival político e ex-vice-Presidente Joe Biden.

Esta chamada, cuja transcrição foi revelada na última semana após a queixa de um denunciante, levou os democratas a darem início a um processo de impeachment presidencial. Na segunda-feira, o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, recebeu uma intimação relacionada com os seus contactos com as autoridades ucranianas.

Mais tarde, o Governo australiano confirmou que houve uma segunda chamada, em que Donald Trump pressionou o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, para que este o ajudasse a descredibilizar a investigação do procurador especial Robert Mueller. O governo australiano confirmou que a chamada aconteceu e que o primeiro-ministro concordou em ajudar.

A Casa Branca restringiu o acesso à transcrição da conversa telefónica entre o Presidente dos EUA e o primeiro-ministro da Austrália a um pequeno grupo de assessores. A decisão é invulgar mas semelhante à que foi tomada no caso da chamada com o Presidente da Ucrânia.

ZAP // Lusa

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