Audição de Mueller no Congresso. Trump pode ser acusado após deixar Casa Branca

Shawn Thew / EPA

Robert Mueller, o procurador especial encarregado da investigação sobre interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, nos Estados Unidos, disse esta quarta-feira no Congresso que o seu relatório não exonerou completamente Donald Trump de suspeitas de obstrução de justiça.

Os congressistas do Partido Democrata e do Partido Republicano tiveram esta quarta-feira a primeira, e talvez única, oportunidade para questionarem diretamente Robert Mueller, o principal responsável pelas investigações sobre a suspeita de interferência russa nas eleições presidências de 2016, nos Estados Unidos.

Depois de dois anos, centenas de entrevistas e 34 acusações em tribunal, o ex-procurador especial e a sua equipa chegaram a três conclusões.

Nas presidenciais de 2016, a Rússia interferiu nos Estados Unidos através de uma campanha de desinformação nas redes sociais e de ataques informáticos para divulgação de documentos confidenciais, com o objetivo de beneficiar o candidato Donald Trump.

Além disso, não foram encontradas provas de que essa campanha de desinformação e ataques informáticos tenham sido combinados e coordenados com alguém na equipa do então candidato Trump, nem com qualquer outro cidadão norte-americano.

Por último, concluiu-se que não foi possível acusar nem exonerar o Presidente Trump por obstruir a Justiça ao longo da investigação de Mueller. De acordo com o Público, são descritos no relatório final dez casos

Na comissão da Câmara de Representantes, Mueller disse que as conclusões da sua investigação, conhecidas em abril do ano passado, “indicam que o Presidente não foi inocentado dos atos de que foi acusado”, referindo-se às suspeitas de obstrução de justiça.

Desde que as conclusões foram tornadas públicas, Donald Trump tem dito que o relatório o absolveu de todas as acusações. “Nenhum conluio, nenhuma obstrução”, repetiu várias vezes o Presidente norte-americano, na sua conta pessoal do Twitter e em declarações públicas, referindo-se à sua leitura de que o relatório de Robert Mueller não apresentava provas de que tivesse havido conluio entre a sua equipa de campanha e o Governo russo, para interferência nas eleições de 2016, e de que tivesse havido obstrução de justiça por parte da Casa Branca, durante as investigações.

Esta quarta-feira, o ex-procurador especial, que responde perante duas comissões parlamentares, confirmou que o seu relatório provou a existência de provas conclusivas sobre a interferência russa e que, relativamente às suspeitas de conluio e obstrução de justiça, a investigação não conseguiu reunir provas conclusivas.

Mueller acrescentou, contudo, que o Presidente “não foi inocentado dos atos de que foi acusado”, referindo-se à versão já conhecida do relatório apresentado em abril passado. A possibilidade de obstrução de justiça pode ser razão para o início de um processo de destituição do Presidente, na Câmara de Representantes.

Questionado sobre se “caso concluísse que o Presidente tivesse cometido um crime de obstrução à justiça, não poderia dizê-lo no relatório ou aqui hoje”, Mueller lembrou que um Presidente em funções “não pode ser acusado, seria inconstitucional”.

Já sobre se Trump poderá ser investigado por obstrução à justiça ou mesmo acusado depois de abandonar o cargo, o antigo procurador confirmou, citado pelo Observador, que seria possível, existindo indícios para isso: “Verdade”.

Depois de terminada a primeira audição no Comité Judicial, iniciou entretanto a segunda audição no Comité de Serviços Secretos da Câmara. Segundo a CNN, Robert Mueller já se esquivou a perguntas por mais de 100 vezes.

Russos esperam influenciar Presidenciais de 2020

Na segunda audição, Mueller manteve-se mais cauteloso e insistiu na defesa da sua investigação. Questionado sobre se campanha russa de desinformação nas redes sociais nas presidenciais norte-americanas pretendia beneficiar Donald Trump ou Hillary Clinton, respondeu contundente: “Donald Trump. Embora tenha havido momentos nos quais Hillary Clinton foi sujeita ao mesmo comportamento”.

Mas a declaração mais explosiva surgiu seis horas depois de o procurador especial ter começado a responder a perguntas no Congresso.

Segundo o Observador, questionado se achava que a interferência russa nas presidenciais de 2016 tinha sido uma “tentativa única” de envolvimento em eleições norte-americanas ou se poderia ser repetida, Mueller afirmou: “Oh, não foi uma tentativa única. Estão a fazê-lo enquanto estamos aqui sentados e esperam fazê-lo durante a próxima campanha”.

Depois de Robert Mueller ter defendido a seriedade e assertividade do seu relatório, o próximo capítulo está nas mãos do poder político: como Mueller já tinha dado a entender, o presidente dos Estados Unidos só pode ser acusado e julgado após sair de funções. Até lá, cabe a democratas e republicanos avaliarem a gravidade dos atos descritos no relatório.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. “Nas presidenciais de 2016, a Rússia interferiu nos Estados Unidos através de uma campanha de desinformação nas redes sociais e de ataques informáticos para divulgação de documentos confidenciais, com o objetivo de beneficiar o candidato Donald Trump.” É ESSENCIAL QUE SE DIGA PORQUE É QUE OS RUSSOS LHE FIZERAM ESSE FAVOR !!!! E PORQUE É QUE O ALARVE, POR SUA VEZ, TENTOU OBSTRUIR O INQUÉRITO SE NÃO TEM NADA A ESCONDER ???? QUANTO TEMPO MAIS VÃO OS AMERICANOS DE BOM SENSO, E O RESTO DO MUNDO TER QUE ATURAR ESTA BESTA QUADRADA ????

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