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Oposição fecha a porta a coligação negativa com Rui Moreira

José Coelho / Lusa

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira

O presidente da Câmara do Porto, reeleito sem maioria absoluta, disse não fechar portas a nenhuma solução governativa, mas as quatro forças da oposição já começaram a fechar-lhe as suas.

Rui Moreira voltou a garantir a liderança da autarquia portuense para os próximos quatro anos mas, ao contrário do que apontavam as sondagens, sem maioria absoluta. O seu movimento Aqui Há Porto conseguiu seis dos 13 mandatos (menos um do que nas autárquicas de 2017), contra três do PS, dois do PSD, um da CDU e um do estreante BE.

O independente tem agora de começar a pensar em possíveis acordos, mas os partidos da oposição já lhe começaram a fechar portas. De acordo com o semanário Expresso, PS, PSD, CDU e BE afastam acordos pós-eleitorais.

O candidato socialista, Tiago Barbosa Ribeiro, afirmou que o cenário verificado em 2013 – ano em que o seu partido firmou um acordo pós-eleitoral com Moreira – é “irrepetível”, não só porque esta união acabou “muito mal” a poucos meses do fim de mandato, mas por este ser “o fim de ciclo” dos independentes.

“Rui Moreira está no último mandato e, se for condenado no caso Selminho, seria inaceitável para o PS estar na governação”, explicou o líder da concelhia do PS/Porto ao jornal, frisando ainda que seria incompreensível que os socialistas se juntassem a alguém que virou à direita, “colado ao CDS e ao IL”.

Do lado do PSD, o candidato e agora vereador Vladimiro Feliz também já fechou a porta a acordos com Moreira, sendo esta uma posição já concertada com Alberto Machado, líder da distrital do PSD/Porto que irá ocupar o segundo lugar de vereador.

O Porto revelou vontade de mudar ao negar o absolutismo de Rui Moreira”, recordou o social-democrata ao semanário, estando convencido de que a “remontada” laranja (o seu partido subiu quase 10% dos votos) é “premonitória” para a Invicta.

“Quem ganha governa, não seremos uma força do bloqueio, votaremos a favor ou contra consoante as propostas incorporem ou não as nossas”, disse também, lembrando que o autarca reeleito até “plagiou” algumas das suas medidas.

Por sua vez, o bloquista Sérgio Aires destaca que a eleição de um vereador pela primeira vez no Porto foi “decisiva” para que Moreira não conseguisse manter a maioria absoluta, o que “obrigará o executivo ao exercício da humildade” na apresentação e aprovação de propostas.

O vereador bloquista deixou claro que vai manter a “coerência do programa” apresentado para a cidade e que será “oposição ao executivo”.

Por fim, Ilda Figueiredo, histórica vereadora da CDU, destacou que nunca fez nem irá fazer acordos com a direita, defendendo também que o fim do “absolutismo e autoritarismo” do independente só irá beneficiar os portuenses porque “vai favorecer o diálogo”.

  ZAP //

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