Nuno Melo acusa Costa de “crime de lesa-pátria” (e Santana de “clonar” o CDS)

Estela Silva / Lusa

O eurodeputado Nuno Melo, do CDS/PP

O cabeça de lista do CDS às eleições europeias, Nuno Melo, defendeu que os centristas são a “única escolha possível” para quem é de direita em Portugal. Em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença esta quinta-feira, aproveitou ainda para tecer duras críticas ao líder do Governo, António Costa. 

“O dr. Rui Rio já confessou que o PSD não é nesta liderança um partido de direita, o dr. Paulo Rangel explicou que ele próprio não é de direita. O CDS é. É um partido de centro-direita, não sente nenhum desconforto com ser-se de direita. Não tem nenhum constrangimento que o leve a esconder que é de direita, pelo contrário. Assume-se de corpo inteiro. O PS é um partido de esquerda, o PSD é um partido de centro”, atirou em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença.

Para Nuno Melo, Assunção Cristas, líder do CDS, tem todos os motivos para sonhar com o cargo de primeiro-ministro, acrescentando que essa hipótese não deve ser vista como um exagero. “Um partido deve ter em si a crença que pode ser a força política liderante do centro-direita. Não há de ser porquê? Não há hoje em dia inevitabilidades políticas e partidárias. O CDS está a fazer tudo para o merecer”, afirmou.

Questionado a propósito dos novos partidos que têm surgido na direita, como o Aliança, de Santana Lopes, e o Chega!, de André Ventura, Nuno Melo diz que é importante não confundir “novos partidos com dissidências do PSD”, acusando o líder do Aliança de “clonar” aquilo que é o CDS.

“Se há um ano, Pedro Santana Lopes tivesse vencido as eleições internas no PSD ainda hoje o teríamos a gritar PPD-PSD. A Aliança não obedece a nenhuma vocação originária que justificasse a criação de um novo partido para um espaço que estivesse vazio ou fosse necessário à direita. Surge porque o dr. Santana Lopes perdeu as eleições”.

E sustenta: “Ninguém, em política, acredita em milagres da transmutação. Ninguém acredita que uma pessoa que tem um percurso de vida desde 1974 até 2018, de repente, num ano se transforma numa realidade de direita e que para além do mais como se vê nos cartazes tenta na linguagem clonar muito daquilo que o CDS, com coerência, é desde 1974. O dr. Santana Lopes talvez não tenha percebido em tempo que encontraria no CDS talvez muito daquilo que hoje propala. O CDS é esse partido de direita desde 1974”, atira.

“Absolutamente contra impostos europeus”

Questionando sobre as taxas europeias e recordado de que o ministro Pedro Marques defendeu, na passada semana, a criação de taxas para empresas da economia digital como forma de financiar o orçamento europeu, Nuno Melo reiterou que o CDS é contra.

“O CDS é absolutamente contra impostos europeus. É extraordinário que quando PS e PSD querem inovar em relação ao futuro da Europa terminam sempre no mesmo: impostos”, criticou o eurodeputado, que há oito ano ocupa esse cargo pelo CDS.

Segundo Nuno Melo, o Governo não deve ter ilusões quanto à “voracidade” de uma máquina fiscal. “Sabemos como os impostos começam, nunca sabemos como acabam”.

“Porque é que é crime de lesa pátria esta vontade do PS em acabar com a regra da unanimidade nas questões fiscais? A regra no Conselho Europeu é a da maioria qualificada. Só excecionalmente temos a regra da unanimidade, para as questões fiscais, política externa, defesa e adesão de novos países. Hoje é o PS que está disponível para acabar com a unanimidade naquilo que tem a ver com a tributação”, diz.

Confrontando sobre se António Costa estaria a trair a herança europeia do PS, o eurodeputado frisa que a situação em causa é “muito grave”.

“O que estou a dizer é que o que o dr. António Costa está a fazer é muito grave. Se tivermos em conta, por exemplo, as causas para a ascensão dos nacionalismos e populismos na Europa percebemos que, entre outras coisas, está uma certa vontade federalista que trai aquilo que foi a recusa, através de referendos, do tratado constitucional. A três meses das eleições, decidem nas costas dos parlamentos nacionais acabar com a unanimidade em matéria fiscal? Se isto acontecer, 16 países apenas podem decidir lançar impostos sobre os outros”, disse ainda.

  ZAP //

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