Notre Dame. Vento pode fazer desabar paredes

Christophe Petit Tesson / EPA

Notre Dame está altamente instável. Um perito da Universidade de Versalhes defende que o restauro tem de atender à estrutura geral da catedral gótica. 

Notre Dame, na capital francesa, está altamente instável e ventos superiores a 90 quilómetros por hora são suficientes para fazer derrubar as paredes da estrutura, que estão enfraquecidas pelo incêndio que assolou a catedral no dia 15 de abril.

Segundo Paolo Vannucci, engenheiro mecânico da Universidade de Versalhes, as paredes da catedral conseguiam suportar ventos de até 220 quilómetros por hora antes do incêndio. Agora, as paredes correm mesmo o risco de colapsar com ventos de apenas 90 quilómetros por hora, pelo que os peritos reafirmam a urgência de reforçar toda a estrutura do monumento parisiense.

Citado pelo The Art Newspaper, o especialista refere ainda que as pedras através das quais a catedral se aguenta foram enfraquecidas pelo fogo e pela água utilizada no combate. Além disso, a catedral está a ser ameaçada pelos litros de água e chumbo derretido acumulados no telhado.

O telhado de Notre Dame é uma peça fundamental e essencial na estabilidade de todo o monumento, pelo que será preciso tomar medidas o mais rápido possível.

Após o incêndio, vários arquitetos propuseram o restauro de cada um dos elementos da catedral de forma separada. No entanto, ao contrário do que se pensava inicialmente, a estabilidade do monumento depende de vários elementos que, num todo, foram um sistema.

O peso da catedral gótica não é suportado pelas paredes, mas sim pelas colunas interiores que são uma espécie de “exoesqueleto”. Até agora, segundo o Observador, estas estruturas nunca tinham sofrido danos.

Desta forma, a prioridade deve ser fortalecer e restaurar o sistema estrutural de Notre Dame no seu todo. Mas este esforço, que no início ninguém esperava, deverá levar mais tempo do que estava previsto quando o Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que a reconstrução de Notre Dame estaria finalizada em apenas cinco anos.

Paolo Vannucci acredita que a reconstrução da catedral requer um projeto integrado para toda a estrutura e não a fragmentação ou reconstrução individual das diferentes partes do monumento. Cabe então ao Governo francês decidir se entrega o projeto de restauro a entidades francesas ou se será aberto um concurso para contratar arquitetos estrangeiros.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Ao longo da história, os homens continuam a construir estruturas e prédios monumentais que só dão sarilho, despesa e sofrimento. Não aprenderam com a Torre de Babel, e continuam com a mania das grandezas. Titanic, Torres Gémeas de Nova Iorque, etc. etc. O incêndio de Notre Dame foi mais um aviso de que toda essa monumentalidade arquitectónica é um estorvo ao bem estar da humanidade. Vão gastar milhões a recuperar o templo de uma religião moribunda, quando há tanta gente a passar necessidades.
    Em Portugal, temos o elefante branco do Convento de Mafra. O dinheiro que o palerma do D. João V ali esbanjou poderia muito bem ter sido aproveitado em infraestruturas vitais para o desenvolvimento de Portugal na época: hospitais, escolas, universidades, estradas, pontes, aquedutos, habitação condigna para o povo, etc. Em vez disso, está ali aquele “calhau” (na gíria militar local), que para nada serve, a não ser criar despesa. Não contentes com isso, os nossos governantes continuam a bater na mesma tecla das obras faraónicas e inúteis. Temos Centro Cultural de Belém em Lisboa, Casa da Música no Porto, etc. etc. mais mamarrachos que para nada servem, a não ser criar tachos para os amigos do costume, enquanto o povo é esmagado com impostos.

    • bingo, disse quase tudo, infelizmente este tipo de monumentos é o chamariz de turistas e afins que neste momento está na moda e enfim, sabemos como as cidades são para os receber.

      Investem milhões em sitios onde nunca os irão recuperar apenas para ter quem lhes dê importancia, enquanto isso coisas mais importantes de serem construidas ficam em segundo plano, como sempre.

      Referente ao ponto dos “tachos”, em notre damme foram os mais poderosos a contribuir para o restauro dando milhões pois sabem que isso vai refletir nos impostos, ou até mesmo na sua isenção….aposto q se fosse um meio publico, um hospital, uma escola o que fosse e que houvesse mortos, danos que chegue essas personalides não doavam um tustão.

      Quanto aos “tachos” propriamente falados, aposto que a longo prazo se vai saber que alguma empresa privada fez orçamentos superiores aos necessários e quem pagou foram os particulares que deram “apenas” 100 milhões…é o mundo onde vivemos hoje em dia.

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