Nós, Cidadãos! disponível para apoiar maioria de esquerda ou de direita

António Cotrim / Lusa

Depois do “pessimismo” de Passos Coelho e do “otimismo” de António Costa, o partido Nós, Cidadãos! quer a sociedade civil no parlamento e está disponível para viabilizar um Governo, seja de esquerda ou de direita.

“O governo Passos Coelho castigou os portugueses com algum pessimismo. O governo António Costa serve muito otimismo. Nós não fazemos uma coisa nem outra”, disse o presidente do partido, Mendo Castro Henriques, em entrevista à agência Lusa.

Candidato em 17 círculos eleitorais, o Nós, Cidadãos! apresenta-se como uma alternativa aos “políticos profissionais” e quer combater a abstenção que rondou os 70% no último ato eleitoral – as eleições europeias.

Para Mendo Castro Henriques, “quanto mais forte é a sociedade civil, melhor é o Estado. O Estado português é mau porque está nas mãos de políticos profissionais, ainda para mais de partidos que se esvaziaram ideologicamente. O Estado vai melhorar quando a sociedade civil o reanimar”.

Questionado sobre a maioria parlamentar, conhecida como “geringonça”, o professor universitário admitiu que, no início, pensava que a solução não iria chegar ao término”. “Pensei que as tensões entre o PS, o PCP e o BE seriam demasiado grandes e que iriam romper”, disse, acrescentando que, afinal, não existem assim tantas diferenças entre os partidos.

“O programa do BE, se tirarmos algumas causas fraturantes que adotam, do ponto de vista económico é um programa social-democrata puro. Podia ser do PSD”, argumentou.

Em relação ao PCP, apesar de enumerar posições com as quais não concorda, como sair da NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte] ou “estar na União Europeia, mas contra a União Europeia”, Mendo Castro Henriques reconhece “um bom senso” que levou o partido a apoiar a atual solução governativa.

Ainda sobre a “geringonça”, o presidente do Nós, Cidadãos! considerou que foi “boa” a tática de António Costa, mas “má” a sua estratégia ao não aproveitar suficientemente “as vantagens competitivas do país”. “Não motiva os portugueses e daí os 70% de pessoas que não votam porque não querem saber”, alegou.

Mendo Castro Henriques considerou que o maior desafio que esta maioria enfrentou foi a votação do diploma sobre o tempo de serviço dos professores, em maio passado, embora demonstre alguma estranheza em relação a esta alegada crise. “Seria assim uma questão nacional tão grave? Há coisas mais graves do que encontrar o dinheiro, o financiamento ou as medidas que permitam a restituição dos nove anos, quatro meses e dois dias”, disse.

Para o docente, “foi um aviso, mas um aviso que tem a ver com o sistema de cativações, um aviso do Ministério das Finanças, que tem sempre um lado salazarento – cuidado com o dinheiro! -, mas o certo é que depois apareceu o dinheiro para os juízes e para outras coisas”.

Mendo Castro Henriques disse acreditar que o partido vai atingir “o patamar da eleição”, esperando “a eleição de um grupo parlamentar”, com a eleição de pelo menos dois deputados através de pelo menos 50 mil votos. Com base nessa expectativa, afirmou que o Nós, Cidadão! “nunca impedirá a formação de um Governo de maioria”.

“Admitiria viabilizar um Governo que tenha a maioria, porque somos democratas. Se há uma maioria é porque essa é a vontade dos portugueses, para ser saudada e respeitada, e depois vamos à luta e à discussão”, adiantou.

A disponibilidade é demonstrada quer se trate de partidos da esquerda como da direita. “Se quiser dizer que a esquerda levanta o problema da justiça social e da desigualdade, a esquerda está certa e, nesse sentido, sou de esquerda porque acho que há um problema de desigualdade e justiça social. As respostas da esquerda estão certas? Não, atrapalham-se”.

E prosseguiu: “A direita está certa quando diz que o mais importante é a liberdade individual. É verdade, isso é importante. Mas está errada quando diz que a liberdade individual deve estar acima de tudo”. Um apoio que está, contudo, condicionado aos princípios do partido, segundo assegurou.

“Nunca impediremos a formação de um Governo de maioria, nunca, mas votaremos segundo as causas nacionais e segundo o nosso programa, porque primeiro está o país. Não vamos para a Assembleia da República para fazer jogos parlamentares. Isso deixamos para os políticos profissionais”, declarou.

Elegendo o futuro dos portugueses como a prioridade do Nós, Cidadãos!, o seu presidente defendeu mais apoio à natalidade, insistiu na necessidade de medidas no sentido da transparência e o Estado de direito e que combatam a precariedade nas pessoas e nos ecossistemas.

ZAP // Lusa

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