Nivea causa polémica em África com creme para “tornar a pele mais clara”

(dr) Jennifer K. Akuamoah / Twitter

O polémico creme da Nivea para tornar a pele mais clara

A Nivea está a ser duramente criticada nas redes sociais por causa de uma publicidade a um creme para tornar a pele mais clara, que está a ser veiculada em vários países africanos. 

A publicidade, que está a passar em países como a Nigéria, Gana, Camarões e Senegal, visa o creme hidratante “Natural Fairness” (clareza natural), que promete tornar a pele de quem o usa “visivelmente mais clara”. Tanto os outdoors publicitários como o anúncio televisivo têm como protagonista a ex-miss Nigéria, Omowunmi Akinnifesi.

A propaganda foi duramente criticada nas redes sociais, com várias mulheres a dizer que “esta não é a forma certa de fazer publicidade em África” e a explicar à marca que não pretendem ter a pele mais clara.

Entre os críticos está a modelo transexual e ativista Munroe Bergdorf, recentemente demitida de uma campanha da L’Oreal por ter criticado o racismo que ainda se vive nos Estados Unidos.

Isto não está certo Nivea. Perpetuar a noção de que a pele mais clara é mais bonita, mais jovem é tão prejudicial e desempenha a narrativa racista tão comum na indústria da beleza, isto é, que a brancura ou a pele clara é o padrão pelo qual todos devemos lutar”, escreveu na sua conta do Instagram.

“Os publicitários têm o poder de mudar esta narrativa, mas campanha atrás de campanha vemos que é assim a nível global. Fazer dinheiro a fazer com que outras pessoas se odeiem a si mesmas não é aceitável. Estes cremes são não só fisicamente prejudiciais mas também eticamente errados. Todas as peles negras são bonitas, sem exceção, por isso, celebrem-nos em vez de nos pedirem para aderir a ideais inacessíveis e racistas“.

Uma questão antiga

O produto da Nivea não é novo, mas a recente estratégia de divulgação da marca gerou polémica, apenas uns dias depois de a Dove, marca da Unilever, ter sido criticada por um anúncio em que várias modelos se transformavam em mulheres de outras etnias.

Em particular, a parte em que uma mulher negra se transformava numa branca. A Dove pediu desculpas, mas Lola Ogunyemi – a modelo em causa – disse depois que o anúncio não era racista mas que tinha o propósito de celebrar a diversidade étnica.

A Nivea já tinha sido criticada no início do ano por um anúncio a um desodorizante no Médio Oriente em que se via escrito que “branco é pureza”.

A Beiersdorf, empresa dona da Nivea, emitiu um comunicado a dizer que reconhece as preocupações levantadas e que a intenção nunca foi ofender os consumidores.

“A Beiersdorf é uma empresa global, que oferece uma grande variedade de produtos que têm como finalidade abordar as diferentes necessidades de cada tipo de pele dos seus consumidores por todo o mundo. Tendo conhecimento do direito de cada consumidor em escolher um produto de acordo com a sua preferência, a empresa oferece diversas alternativas de produtos de alta qualidade para cuidados com a pele”, afirma.

O uso de cremes branqueadores é uma polémica antiga. Um estudo da Universidade da Cidade do Cabo estima que uma em cada três mulheres clareia a pele na África do Sul. Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) também apurou que 77% das nigerianas usam este tipo de produto regularmente.

Dermatologistas sul-africanos apontam que estes cremes podem ter efeitos colaterais, tais como cranco e hiperpigmentação da pele. “Precisamos de educar mais as pessoas sobre os perigos deste tipo de produto”, diz Lester Davids, da universidade sul-africana.

ZAP // BBC

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1 COMENTÁRIO

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