“Não é altura para pessimismo, mas sim para o otimismo”, afirma Trump em Davos

Michael Reynolds / EPA

O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump

O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, apelou esta terça-feira em Davos, na Suíça, ao otimismo contra os profetas do apocalipse e exultou os outros países a seguirem o “modelo americano” que a sua Presidência inaugurou, rejeitando as propostas dos “radicais socialistas” .

“Não é altura para pessimismo, mas sim para o otimismo”, referiu Trump, convidado de Klaus Schwab, o fundador do Fórum Económico Mundial, para abrir a 50.ª reunião anual do evento. O Presidente norte-americano chegou a Davos no Marine One, o helicóptero presidencial, depois de ter faltado ao evento do ano passado, revelou o Expresso.

Schwab a apoiou essa “injeção de otimismo”, num encontro cujos temas focam-se nas soluções para “evitar o apocalipse climático”, no impacto da economia digital no futuro do trabalho e do emprego, nos sistemas de saúde e no consumo, todos na perspetiva da sustentabilidade ambiental.

Contudo, como referiu a TSF, o fundador defendeu que o mundo enfrenta uma situação de emergência, considerando que o tempo esta a esgotar-se. “Não queremos ter de enfrentar a continua desintegração da politica e economia. Não queremos chegar ao ponto de não retorno quanto as alterações climáticas”, sublinhou.

Para a Presidente da Suíça, Simonetta Summaruga, estamos a correr contra o tempo. “O mundo está a arder. Vemos a floresta ser destruída na Amazónia e os incêndios na Austrália, as consequências para os humanos e para a natureza são desastrosas”.

A intervenção do chefe de Estado norte-americano, continuou o Expresso, ocorreu horas depois da ativista Greta Thunberg ter afirmado que “basicamente não se fez nada” quanto à emergência climática desde que esta pisou o palco do evento no ano passado.

Trump elogiou a economia norte-americana dos últimos três anos e incitou os outros países a seguirem o “modelo de comércio internacional para o século XXI, baseado na reciprocidade”, que o próprio potenciou ao rever os acordos anteriores com o Canadá, o México e o Japão e conseguindo uma primeira fase de um acordo comercial com a China.

Ainda segundo o Presidente dos EUA, um acordo comercial com a Coreia do Sul está em fase final. O governante espera conseguir ainda “um grande acordo com o Reino Unido, dirigido pelo maravilhoso primeiro-ministro” depois do Brexit, já este final de mês.

O governante apelidar de profetas da desgraça todos os que falam de emergência climática, dando exemplos de alertas anteriores: “Nos anos 60 previram um problema de população a mais. Nos anos 70 falaram de fome e na década de 90 íamos assistir ao fim do petróleo. Estes alarmistas querem sempre o mesmo poder absoluto para dominarem, transformar e controlar cada aspeto da nossa vida”.

O Presidente norte-americano afirmou igualmente que com as políticas que segue, os EUA têm o ar e a água potável mais puros do mundo, prometendo não deixar que os “socialistas radicais” destruam o país ou erradiquem a liberdade por causa do ambiente.

O discurso de Trump acontece no mesmo dia em que o Senado em Washington inicia formalmente o julgamento do seu ‘impeachment’, com os democratas a procurarem novas testemunhas para acusá-lo e os republicanos a tentarem um processo rápido, sem sequelas políticas, noticiou a agência Lusa.

O julgamento teve uma fase inicial na semana passada, com o juramento do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, John Roberts, que conduzirá os trabalhos, mas inicia-se esta terça-feira a sua fase formal, onde os senadores atuarão como juízes.

Trump é acusado de ter pressionado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar a atividade do filho do seu adversário político Joe Biden junto de uma empresa ucraniana envolvida num caso de corrupção, num gesto que a Câmara de Representantes diz constituir um ato de abuso de poder, bem como de ter tentado obstruir a averiguação destes factos por parte do Congresso.

Os republicanos, com maioria no Senado, já anunciaram que tudo farão para rejeitar os argumentos que a oposição a Trump inscreveu em dois artigos para a destituição.

O Presidente tem repetido que o processo é uma “caça às bruxas” com o objetivo de fragilizar politicamente a sua campanha de reeleição nas eleições presidenciais de novembro, pelo que pediu aos republicanos para procurarem que o julgamento decorra o mais depressa possível, para não causar danos na sua estratégia de campanha.

usembassykyiv / Flickr

Volodymyr Zelensky, o Presidente da Ucrânia

O primeiro artigo acusa Trump de abuso de poder, considerando que, “usando os seus poderes, o Presidente solicitou a interferência de um governo estrangeiro, a Ucrânia, nas eleições presidenciais de 2020”, referindo-se ao pedido para que o Presidente Volodymyr Zelensky investigasse a atividade da família Biden junto da empresa ucraniana.

O segundo artigo acusa-o de obstrução ao Congresso, considerando que “sem motivo ou desculpa legal, o Presidente ordenou que agências, departamentos e funcionários do braço executivo não cumprissem as requisições do Congresso”, referindo-se ao impedimento de depoimentos de testemunhas e entrega de documentos relevantes para o processo.

“Dessa forma, ele interpôs os poderes da Presidência contra intimações legais da Câmara dos Deputados e assumiu para si funções e julgamentos necessários para o exercício do ‘poder exclusivo de acusação’ concedido pela Constituição à Câmara de Representantes”, diz o texto da acusação.

Estes artigos foram aprovados pela Câmara de Representantes, em 18 de dezembro, mas Trump e os republicanos consideram que não têm sustentação legal para o destituir.

Para representarem a acusação no julgamento político, os Democratas escolheram Adam Schiff, presidente do Comité de Inteligência, e Jerry Nadler, presidente do Comité Judiciário, os dois organismos da Câmara de Representantes que conduziram o inquérito para destituição na sua fase inicial.

Acompanham-nos outros cinco deputados: Zoe Lofgren, da Califórnia, Hakeem Jeffries, de Nova Iorque, Val Demings, da Florida, Jason Crow, do Colorado, e Sylvia Garcia, do Texas.

O líder da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, tem tentado evitar que sejam ouvidas novas testemunhas, mas os democratas estão a reunir apoios para conseguir que figuras como o ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton ou o chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, prestem depoimento.

ZAP ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. “…o fundador defendeu que o mundo enfrenta uma situação de emergência, considerando que o tempo esta a esgotar-se. “Não queremos ter de enfrentar a continua desintegração da politica e economia. Não queremos chegar ao ponto de não retorno quanto as alterações climáticas”, sublinhou.”
    Penso que quereriam escrever que não apoiou em “…Schwab a apoiou essa “injeção de otimismo”

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