“Não existem ruturas”. Joacine nega divergências e é escoltada por GNR no Parlamento

“Estou no partido de livre e espontânea vontade. Se estou neste partido é porque me identifico com as ideias e princípios fundadores”, garantiu a deputada ao Público, negando que haja qualquer divergência programática entre si e outros membros da direção do Livre.

E afirmou: “O caráter europeísta e ecologista são algo no qual me espelho e reconheço. Embora considere que a União Europeia (UE) precisa de uma reviravolta e de recuperar valores, enquadro as minhas críticas à UE estando na UE e não afastando-nos”.

Em entrevista ao Público, divulgada esta quarta-feira, a deputada indicou que a recusa de ser partidária de uma ação política de inspiração identitária não a impede de defender que, “em algumas matérias, era necessário o Livre dar mais ênfase e ter um maior envolvimento com movimentos sociais feministas e anti-racistas”. “É esse o meu contributo”, sublinhando que não existem ruturas.

“Identifico-me com o partido e o partido identifica-se comigo, se não não teria sido eleita pelo partido para ser segunda candidata nas europeias e cabeça de lista nas legislativas”, referiu igualmente.

A deputada afirmou que o Livre “tem uma nova forma de fazer política” que passa por “uma organização totalmente democrática e colegial”, negando qualquer possibilidade de a discussão pública sobre o voto à proposta do PCP – Joacine absteve-se no voto contra as agressões israelitas na Faixa de Gaza – ser uma forma de projetar a sua candidatura em lista própria à direção do Livre.

Manuel de Almeida / Lusa

António Costa reunido com Joacine Katar Moreira e Rui Tavares

“Nunca manifestei essa intenção. Esse não é, de maneira nenhuma, o meu objetivo”, disse, assumindo que pretende “estar completamente dedicada ao trabalho parlamentar”, desvalorizando o que se passou e reconhecendo que “as polémicas existiam antes” da sua eleição e “vão continuar a legislatura inteira”.

Estas declarações surgem depois de um momento inicial em que Joacine acusou a direção do partido de falta de apoio. “Fui eu que ganhei as eleições, sozinha, e a direção quer ensinar-me a ser política”, afirmou.

O líder-fundador do Livre, Rui Tavares declarou no domingo, à entrada da reunião do órgão de direção, que “o que as pessoas querem ver é o Livre voltar a essa trilha”.

Carlos Teixeira, o membro do Grupo de Contacto e número dois na lista de Lisboa às legislativas, garantiu ao Público que “o Livre não mudou”. “O Livre não é nem pode ser visto através do reflexo único das palavras de um ou dois dos seus membros”, lembrando que assim como “quando Rui Tavares falava, dava destaque a algumas propostas do partido, mas não a todas, com a deputada Joacine acontece o mesmo”. “As suas declarações não resumem um programa que é muito abrangente”.

Já o ex-dirigente do Livre Ricardo Caio Alves assumiu ao Público que “esta polémica era previsível”, já que “o processo pelo qual Joacine chegou a cabeça de lista mostrou alinhamentos internos e facilidade em mudar e rumo”. “No início do Livre não havia um discurso tão centrado nas questões de género e nas questões raciais”, agora, o partido “deixou de falar de ecologia e das questões europeias”, frisou ainda.

Joacine escoltada por GNR

Ao longo de terça-feira, Joacine manteve-se incontactável. Segundo noticiou o Observador, a deputada não fez qualquer comentário sobre não ter cumprido o prazo de entrega do projeto de alteração à Lei da Nacionalidade, uma das bandeiras do partido durante a campanha. Também não comentou o facto de ter tentado submeter o mesmo à discussão junto da mesa da Assembleia da República (AR), algo que foi negado pelos outros partidos.

No fim do dia, confrontada por jornalistas da SIC e da RTP, nos corredores do Parlamento, também não respondeu a perguntas. Seguia acompanhada pelo seu assessor, Rafael Esteves Martins, e escoltada por um segurança, que tentou afastar os jornalistas.

https://twitter.com/Salsaparrilha4/status/1199474083026616321?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1199474083026616321&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2F2019%2F11%2F27%2Fjoacine-escoltada-por-seguranca-no-interior-do-parlamento%2F

De acordo com o Observador, tanto os jornalistas da SIC como da RTP referiram que o gabinete de Joacine chamou a segurança para afastar os jornalistas da deputada e para a escoltar até ao exterior da AR.

Rafael Esteves Martins garantiu, através do Twitter, que não se trata de um “segurança” mas do guarda da GNR que à altura estaria “a olhar” pelo Salão Nobre da AR. Questionado na publicação sobre por que motivos necessitaria Joacine de tal companhia no interior do Parlamento, o assessor não respondeu.

Esta quarta-feira, pediu que se “largue o osso” na polémica, justificando o pedido de segurança pelo facto de “ontem um jornalista entrou-nos pelo gabinete. Foi isso”.

Criticou ainda o trabalho jornalístico feito sobre o tema, sublinhando que o problema não está nos jornalistas mas em “quem lhes paga (bem como sobre os que pagam a quem àqueles paga). O trabalho jornalístico é precário, mal pago, sujeito a desordens mentais”, disse, numa publicação sobre a “mercantilização da informação”.

Deputada quebrou ‘blackout’ decretado pelo Livre

As declarações prestadas na terça-feira pela deputada ao Notícias ao Minuto constituem uma quebra do ‘backout’ decidido por unanimidade na última Assembleia Geral do Livre e aumentaram o clima de tensão no partido, escreveu o Expresso.

A Assembleia Geral decidiu, no domingo, embargar totalmente as notícias sobre a polémica em torno da deputada até que seja tomada uma decisão pelo Conselho de Jurisdição do partido. “Não prestamos quaisquer declarações”, disseram ao Expresso o Gabinete de Joacine e uma fonte da direção do Livre.

Na manhã de terça-feira, porém, a deputada acusou os responsáveis do seu partido de “absoluta falta de camaradagem” e de promoverem “um autêntico golpe” contra ela, violando o embargo decidido pela direção. No final da reunião de domingo foi acordado por todos “não falar à comunicação social”.

Em causa está a abstenção da deputada do Livre num voto contra as agressões israelitas na Faixa de Gaza. A direção partidária pediu explicações a Jociane e, apesar de manter confiança na sua política, admitiu “preocupação” quanto a um eventual desvio da linha política traçada.

“Isto trata-se de um autêntico golpe e a minha resposta é esta: não sou descartável e exijo respeito”, disse a deputada ao Notícias ao Minuto.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Já agora arranjem-lhe um pó-pó blindado e com direito a escolta, mais outra guarda à porta de casa; partilho da opinião do atento, ignorar por completo tal senhora e partido por parte da C.S., eu sempre tenho dito que esta senhora irá tornar-se no bombo da festa.

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