MP “não nos ligava patavina. Zero”, disse major Vasco Brazão

António Cotrim / Lusa

O major Vasco Brazão da Polícia Judiciária (PJ) durante a sua audição na Comissão Parlamentar de Inquérito

O major Vasco Brazão, ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar (PJM), disse esta terça-feira ao coletivo de juízes do Tribunal de Santarém que o Ministério Público (MP) não “ligava patavina” à investigação e às diligências sobre o caso de Tancos estabelecidas por aquela força policial.

“A PJM não existia, era um verbo de encher”, indicou em tribunal, onde agora se apuram responsabilidades criminais, e não políticas. O MP “não nos ligava patavina. Zero”, frisou Vasco Brazão, que há dois anos prestou esclarecimentos sobre Tancos no Parlamento.

Segundo avançou esta terça-feira o Observador, o major disse ao juiz Nelson Barra que, na altura em que o então diretor-geral da PJM o integrou na equipa que investigava o assalto, não o informou sobre o despacho da Procuradora-Geral da República, que passava a investigação para a Polícia Judiciária (PJ) civil.

O assalto a Tancos, continuou, coincidiu com o início das suas férias em Espanha, passando o seu colega de trabalho, o capitão Bengalinha, a ficar com a investigação. O MP acusa o major e o diretor Luís Vieira de terem combinado para afastar Bengalinha, de modo a fazerem uma investigação paralela à da PJ civil.

Vasco Brazão afirmou que nunca afastaria Bengalinha, admitindo, contudo, que Vieira o preferia na investigação devido à sua experiência. O major indicou que Bengalinha lhe pediu ajuda e que só nessas conversas soube da reunião entre o MP, elementos da PJ e da PJM, na qual ficou definido que as informações seriam reunidas num único processo.

“Não soube da reunião de 03 de julho. Nos telefonemas que tive com ele [Bengalinha] estava muito preocupado com o processo (…). Recordo-me que na reunião de 03 de julho disseram: vocês investigam o vosso processo, nós o nosso e vamos trocando informação. Nós tínhamos o processo militar e eles o civil”, contou Vasco Brazão.

A certa altura, Bengalinha abandonou a investigação por considerar a PJ civil e o MP não davam atenção à sua investigação e às diligências que fazia, onde chegou a fazer propostas de constituição de arguidos.

Vasco Brazão é acusado de associação criminosa, tráfico e mediação de armas, falsificação ou contrafação de documentos, denegação de justiça e prevaricação e de favorecimento pessoal praticado por funcionário.

Taísa Pagno Taísa Pagno //

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