Movimento de apoio a Sócrates organiza “almoço de confraternização”

José Coelho / Lusa

A iniciativa está marcada para o dia 20 de maio, em Lisboa, e começou a ser organizada uns dias depois da desfiliação de José Sócrates do Partido Socialista.

Está marcada a primeira ação de apoio ao ex-primeiro-ministro José Sócrates depois da sua desfiliação do Partido Socialista. O evento, intitulado “Tu avanças sempre e não recuas”, foi anunciado esta segunda-feira e está marcado para o dia 20 de maio, no restaurante Lisboa Marina, em Lisboa.

São esperados 200 a 300 apoiantes de Sócrates num “almoço de confraternização” em forma de homenagem ao antigo primeiro-ministro.

À Visão, Ana Lúcia Vasques, uma das promotoras do evento, adiantou que o almoço “não se reporta aos últimos acontecimentos”, ou seja, ao facto de a cúpula de António Costa ter isolado Sócrates, embora se diga “pessoalmente desagradada” com o facto de a direção socialista ter deixado cair ex-primeiro-ministro.

“Este almoço não tem nenhuma motivação especial. Está na linha de todos os outros que já existiram”, sublinha a militante, assegurando que o convite a Sócrates já foi formulado, embora ainda esteja à espera de resposta.

O almoço surge dias depois de críticas a José Sócrates por parte de militantes do Partido Socialista, como o líder parlamentar Carlos César e o porta-voz João Galamba. O antigo secretário de Estado diz ser alvo de uma “condenação sem julgamento”, tendo como consequência enviado uma carta à sede do partido, anunciando a sua desfiliação do PS.

“Era o que precisava de ser feito”

O presidente e líder parlamentar do PS, Carlos César, assume que com o adensar da situação, com o caso Manuel Pinho, “impunha-se da parte do PS aclarar posições”.

“Era o que precisava de ser feito”, diz o líder sobre a sua declaração que levou à saída de Sócrates do PS, explicando a mudança de estratégia do PS, na última semana, sobre os casos judiciais em que estão envolvidos ex-governantes do partido.

Na SIC, no frente-a-frente com Santana Lopes, Carlos César não é claro sobre a existência de uma estratégia de cúpula para mudar a posição sobre Sócrates: “Não interrompo um debate para perguntar ao secretário-geral o que vou dizer a seguir”, referiu.

Apesar de nunca responder sobre a existência de uma concertação, quando questionado sobre a surpresa de Costa perante as suas declarações, César dá a entender que não terá sido bem assim. “Tanto quanto sei, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS não disse ao Expresso o que ele disse que ele disse.”

À mesma hora, mas na TVI24, Fernando Medina rejeitava a existência de qualquer concertação. Ainda assim, o socialista admitiu que a “situação acabou como teria de ter acabado”.

Medina foi um dos dirigentes a fazer declarações sobre os casos de justiça. Mas o mais relevante foi o de Carlos César, o primeiro a falar no sentimento de “vergonha”,  desencadeando uma sucessão de declarações de dirigentes socialistas que culminaram na saída de Sócrates, escreve o Observador.

César explicou ainda na SIC Notícias que a mudança de posição do PS aconteceu porque “com o ministro Manuel Pinho ocorreu um adensamento das circunstâncias que penalizam a confiança na política e dos representados nos representantes e impunha-se da parte do PS aclarar o posicionamento sobre estas matérias”.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Vão lá perguntar aos participantes nesse almoço quanto lhes pagam para eles estarem ali?! Isto é só esquemas!!! É como o livro: camionetas de reformados do Norte do País que recebiam dinchero pará estarem a encher a sala!! Tudo à conta de quem?!?! Do amigo que paga as contas !!! Uma vergonha!!!!

  2. Serão mais 200/300 militantes encartados,tão fieis que são,generosos,imaculadamente puros,que se terão de desfiliar e,passados uns tempos,vão ter que se confessar arrependidos,inundando algumas igrejinhas de qualquer género em auto-penitência,chorando baba e ranho…isto,realmente,é de apelar ao “altissimo” que na sua imensa sapiência dê melhor trato ao “rebanho” e lhes perdoe tanta ingenuidade…TEM PAI QUE É CEGO…

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