Apesar de estar a ser monitorizado, Carlos Ghosn terá conseguido fugir dentro de caixa de instrumentos musicais

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Carlos Ghosn, Chairman e CEO da Renault-Nissan Alliance

Carlos Ghosn, ex-CEO da Renault-Nissan, conseguiu fugir do Japão, onde aguardava julgamento por alegadamente ter desviado milhões de euros da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, sem que as autoridades nipónicas se tivessem apercebido.

De acordo com o canal noticioso libanês MTV, Carlos Ghosn fugiu escondido dentro de uma caixa de instrumentos de uma banda convidada para dar um concerto privado num jantar em casa do ex-presidente da Renault-Nissan.

Apesar da apertada vigilância policial, a banda teve autorização para entrar e para sair com o gestor escondido numa das maiores caixas dos instrumentos musicais. Ghosn terá seguido para um aeroporto secundário, onde o esperava um avião particular com destino a Istambul, na Turquia.

A partir daí, explica o jornal britânico The Guardian, terá apanhado outro avião privado para o Líbano, onde chegou antes do amanhecer de segunda-feira. De acordo com o site Flight Scanner, o sinal do voo privado onde seguia perdeu-se antes de aterrar.

Segundo a agência Reuters, Ghosn encontrou-se com o chefe de Estado libanês, Michel Aoun, depois de fugir do Japão. O fugitivo terá agradecido a Aoun o apoio que lhe foi prestado e à sua mulher enquanto esteve detido. No entanto, o encontro, que ainda não tinha sido tornado público, foi desmentido por um assessor da presidência libanesa.

A mesma agência avança que o embaixador do Líbano no Japão visitou o antigo empresário todos os dias durante a sua detenção.

Neste momento, Carlos Ghosn está em Beirute, numa casa de família, na companhia da sua mulher, Carole, de origem libanesa. O plano terá sido orquestrado pela mulher e levado a cabo apesar da proibição de ver ou contactar o marido sem autorização do Tribunal, com a ajuda de uma equipa de ex-militares das forças especiais. Segundo a Reuters, o plano foi delineado durante três meses e executado por uma empresa de segurança privada. O casal terá cortado o contacto durante pelo menos sete meses.

A notícia da fuga de Carlos Ghosn apanhou de surpresa as autoridades nipónicas. Os serviços de estrangeiros e fronteiras não tinham qualquer informação sobre a saída de Ghosn e não estava afastada a hipótese de o gestor se ter evadido usado uma identidade falsa, uma vez que os três passaportes do gestor — que tem nacionalidade francesa e libanesa e nasceu no Brasil — estão apreendidos

A apreensão dos passaportes e a impossibilidade de sair do Japão eram apenas duas das fortes medidas de coação a que Carlos Ghosn estava sujeito em Tóquio desde 2018​.

Ghosn, de 65 anos, esclareceu não ter fugido à Justiça, mas que se libertou “da injustiça e da perseguição política” no Japão. “Finalmente, posso comunicar livremente com a imprensa, o que farei a partir da próxima semana”, acrescentou.

Autoridades fazem rusga a casa de Goshn em Tóquio

Procuradores japoneses efetuaram esta quinta-feira uma rusga em casa de Carlos Goshn. De acordo com imagens divulgadas pela imprensa local, meia dúzia de procuradores, envergando fatos escuros e máscaras brancas, entraram esta manhã em casa do empresário, em Minato, na zona central da área metropolitana de Tóquio.

Segundo a televisão pública NHK, a investigação tem como pano de fundo a alegada violação das leis de migração pelo ex-presidente da Nissan, que conseguiu deixar o país ilegalmente sem passar por procedimentos habituais. As autoridades japonesas confirmaram não existirem registos de quando ou como Carlos Ghosn foi capaz de deixar o arquipélago nipónico.

Fontes ouvidas pela NHK afirmaram que o empresário tinha dois passaportes franceses, um dos quais terá usado para entrar legalmente no Líbano, a bordo de um avião privado e depois de uma escala na Turquia.

Carlos Ghosn, ex-presidente do conselho de administração e ex-presidente executivo do grupo Nissan e da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, foi detido em Tóquio em 19 de novembro de 2018 por suspeita de abuso de confiança e evasão fiscal.

Detido vários meses no Japão, o empresário foi libertado em março de 2019, após o pagamento de uma caução. No início de abril passado, foi novamente detido e outra vez libertado sob caução. O Ministério Público (MP) de Tóquio informou que a última detenção do ex-presidente da Nissan justifica-se pela suspeita de que Carlos Ghosn desviou cinco milhões de dólares, cerca de 4,4 milhões de euros.

No final desse mesmo mês, Ghosn ficou sob detenção domiciliária, a aguardar julgamento por evasão fiscal, entre outros crimes.

Os advogados e a família de Carlos Ghosn têm criticado fortemente as condições da detenção do empresário, bem como a forma como a justiça nipónica tem gerido os procedimentos deste caso.

Ghosn chegou à Nissan em 1999 como presidente executivo para liderar a recuperação do fabricante, com sede em Yokohama, nos arredores de Tóquio, depois de ter oficializado uma aliança com a francesa Renault.

ZAP // Lusa

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