Costa anuncia novas medidas “para salvar empregos e empresas”. Estado de emergência deve ser alargado

Manuel de Almeida / Lusa

Esta sexta-feira, António Costa esteve reunido em Conselho de Ministros para debater as medidas de apoio social e económico para a população, na sequência da pandemia de Covid-19.

Além de ser um momento de emergência sanitária, António Costa frisou que este é um momento de “urgência económica”. Por isso, “é preciso preservar o emprego, os rendimentos e impedir que as empresas encerrem as suas portas”.

Até junho, serão três meses decisivos: “será um trimestre muito duro. O que é essencial é assegurar a travessia dos três meses pela frente para que, em junho, se possa” analisar os danos sofridos.

“As empresas que, neste momento, estão a sofrer um forte condicionamento da sua atividade têm de subsistir, os postos de trabalho que existem não podem desaparecer e os rendimentos das famílias não podem ser mais fragilizados”, declarou o primeiro-ministro, afirmando compreender “a angústia de famílias e empresas”.

“Seria irrealista neste momento estar a apresentar um programa de relançamento da economia. Trata-se de nos concentrarmos em salvar vidas, e, no lado da economia, salvar vidas, empregos, rendimentos e empresas“, sublinhou.

Nesse sentido, a primeira medida anunciada foi a criação de linhas de crédito. Serão alargadas as linhas de crédito já anunciadas para apoiar outros setores, nomeadamente o comércio, agora particularmente atingido pelo fecho de estabelecimentos. No entanto, as linhas de crédito para as empresas serão dadas “sob condições de manutenção de emprego”.

António Costa anunciou ainda o adiamento para o segundo semestre do ano o pagamento de dois terços das contribuições sociais, assim como as entregas de IVA, IRS e IRC destes três meses para preservar a atividade e os postos de trabalho.

Foi ainda decidida a suspensão do prazo de caducidade dos arrendamentos que viessem a caducar nos próximos três meses, de forma a assegurar a habitação neste período.

O primeiro-ministro anunciou a prorrogação automática dos subsídios de desemprego, do complemento social para idosos e do rendimento social de inserção, que serão automaticamente renovados por três meses.

“Temos de atacar o problema na origem: manter o emprego. É aí que temos de concentrar todo o nosso esforço”, resumiu António Costa, acrescentando que estão a ser preparados e discutidos na Assembleia da República mais apoios sociais.

No entanto, no que diz respeito aos apoios às empresas, António Costa sublinhou que estes têm uma contrapartida: não pode haver despedimentos. Este é o objetivo mais importante e a prioridade que levou ao aumento das linhas de crédito. “Destruindo emprego, estamos a destruir a principal fonte de rendimento das famílias.”

A pandemia de Covid-19 tem um “impacto extraordinário”, e essa é uma verdade que o primeiro-ministro não tenta negar. No entanto, sublinhou, “não podemos aceitar que esse impacto se torne irreversível. Temos de conseguir preservar-nos até junho para podermos avaliar danos e perspetivar futuro em conjunto”.

“É nosso dever enfrentar o surto, mas também tranquilizar famílias e empresas de que haverá um novo futuro. Para isso, é preciso chegar a junho em condições de poder encarar com confiança e preparar o relançamento da economia”, disse.

Estado de emergência deve estender-se

“Ninguém sabe se daqui a 15 dias estamos a renovar este estado de emergência. Vamos ser francos, não será daqui a 15 dias que vai haver razões para não renovar o estado de emergência”, admitiu o primeiro-ministro, durante a conferência de imprensa desta sexta-feira.

Em determinado momento, criou-se uma “ilusão” de que, se o país parasse durante 15 dias, seria suficiente para fazer desaparecer o vírus. “Infelizmente não é assim“, reiterou. “Temos de olhar com realismo para o que as autoridade de saúde nos descrevem. Dizem que terá o pico em meados de abril e até ao meio de maio. Vamos viver com muitas limitações na nossa vida coletiva que têm um fortíssimo impacto na economia.”

António Costa sublinhou que o momento que vivemos é “absolutamente extraordinário” e, apesar de assegurar que o objetivo primordial é “preservar o emprego para que as famílias não percam o rendimento”, o governante foi tenaz: “Claro que não podemos assegurar 100% de rendimento e de liquidez”.

“Sabemos que podemos contar com os portugueses que de forma exemplar têm sabido comportar-ser nesta ameaça terrível. Esta não é uma luta só contra o vírus, é uma luta pela nossa sobrevivência com saúde, mas por um país que crie emprego e que essa prosperidade possa ser partilhada”, afirmou.

O Governo reuniu-se esta sexta-feira em Conselho de Ministros para debater as medidas de apoio social e económico, depois de na véspera ter apresentado um primeiro lote de medidas. Nos próximos dias, o Executivo vai monitorizar a execução destas medidas e, se for necessário, tomará outras mais restritivas.

LM, ZAP //

PARTILHAR

5 COMENTÁRIOS

  1. Isto é tudo muito lindo mas uma vez mais o estado quer pôr os empregadores a suportar a totalidade do custo desta crise. E o que diz é: endividem-se que assim não nos endividamos nós!
    Só que o nosso PM esquece-se que as empresas em Portugal estão totalmente endividadas. São de resto as mais endividadas de toda a Europa. Já no passado quando se falava em programas de capitalização das empresas consistiam em empréstimos, ou seja, endividamento das empresas.
    Este é um problema nacional e o Estado não se pode desresponsabilizar atirando o custo integral para as empresas. É preciso muito mais do que obrigar as empresas a endividarem-se. Se assim for muitas preferirão despedir ou mesmo declarar insolvência, face à incapacidade de despedir e indeminizar trabalhadores. Os tempos que se seguem serão seguramente muito difíceis.

  2. Diga-se em abono da verdade que a economia se encontra em estado de agonia desde 2015. Não será o corona virús o causador desta degradação. Experimentou alguma melhoria de 2011 a 2015, houve até esperança que escapasse com vida mas teve uma recaída e têm-se degradado de forma expressiva pelo que no último trimestre teve de ser ligada à máquina. Finalmente o virús mais maléfico não é o corona é o Costa.

  3. «…Ninguém sabe se daqui a 15 dias estamos a renovar este estado de emergência. Vamos ser francos, não será daqui a 15 dias que vai haver razões para não renovar o estado de emergência…» – António Costa in ZAP aeiou

    E se milhares de cidadãos saírem ás ruas para demonstrar que não concordam com estes métodos e abordagem para a contenção do Covid-19, impostas pela presidência da República, governo, e partidos que estão na Assembleia da República (AR), exigindo que outra estratégia seja apresentada para enfrentar a crise económica e a pandemia?

    Vão dar ordem ás Forças de Segurança e ás Forças Armadas (FArm) para prender ou agredir os cidadãos?

    Quando afirmam pela voz do sr. Costa:

    «…não será daqui a 15 dias que vai haver razões para não renovar o estado de emergência…»

    Significa o quê? Que estão a tentar provocar o desespero nos cidadãos para que os mesmos reajam com violência, e a partir daí vocês terem o pretexto para tomar medidas mais extremistas com o objectivo de destruir a República, o Estado de Direito, as Liberdades Civis, a economia, e o trabalho, em Portugal.

RESPONDER

Centeno deixa aviso à Zona Euro. Futuro da UE depende da resposta que der à pandemia

Mário Centeno escreveu aos ministros das Finanças da Zona Euro para os alertar que o futuro da União Europeia depende da forma como conseguir lidar com a crise económica devida à pandemia de Covid-19. Uma …

Governo quer desempregados e trabalhadores em lay-off a reforçar lares e hospitais

O Governo criou uma medida de Apoio ao Reforço de Emergência de Equipamentos Sociais e de Saúde com o objetivo de apoiar as entidades do setor social e solidário. De acordo com o ECO, o Governo …

Recibos verdes podem pedir apoio a partir desta quarta-feira. Será pago ainda este mês

O apoio por quebra de atividade destina-se a trabalhadores independentes que nos últimos 12 meses tenham tido obrigação contributiva em pelo menos 3 meses consecutivos. O formulário para os trabalhadores independentes pedirem apoio por redução de …

"Este mês é perigosíssimo!" Costa avisa que "não podem ir à terra" na Páscoa

"As pessoas não podem ir à terra!" O alerta é de António Costa que avisa que este mês de Abril "é perigosíssimo" por causa da Páscoa. O primeiro-ministro recomenda também aos emigrantes que não venham …

13% dos casos de covid-19 em Portugal são profissionais de saúde. Há 10 médicos nos cuidados intensivos

Um em cada oito infetados com o novo coronavírus em Portugal é profissional de saúde. O número de médicos, enfermeiros, auxiliares e outros trabalhadores de hospitais e centros de saúde que estão contagiados não pára …

Curva em Itália parece estar a aplanar. Confirmado primeiro caso num campo de refugiados grego

A Itália registou mais 4.053 casos positivos e mais 837 mortes em 24 horas, valores semelhantes aos de segunda-feira e que sugerem que a curva da covid-19 parede estar a estabilizar. De acordo com o Observador, …

Há mais de 8 mil infetados e 187 mortes por covid-19 em Portugal

Há mais 27 mortes em relação a terça-feira, aumentando o número total de óbitos para 87. O número de casos confirmados em Portugal já ascende as 8 mil pessoas. O boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da …

Há falhas no sistema que regista casos de covid-19. A "esmagadora maioria" não vai ser contabilizada

O sistema que regista os casos de covid-19 em Portugal é "um pesadelo burocrático", denunciam os infecciologistas. A "esmagadora maioria" dos casos vai acabar por não ser notificada, acrescentam. O problema tornou-se público quando a Direção-Geral …

Mais de 3600 empresas já pediram acesso ao lay-off simplificado

O Governo já recebeu 3600 pedidos de empresas para aderirem ao regime lay-off lançado na semana passada, disse, esta terça-feira, a ministra do Trabalho e da Segurança Social. Ana Mendes Godinho, que falava aos jornalistas no …

Em tempos de crise, os emprestados podem ser a solução do Benfica

Bruno Varela, Cristián Lema, Filip Krovinovic, Gedson Fernandes e Diogo Gonçalves são hipóteses que Bruno Lage tem a seu dispor para regressar dos empréstimos. A suspensão das competições desportivas deixa muitos clubes entre a espada e …