Médicos que se voluntariaram para ajudar SNS obtiveram “meia resposta”

Giuseppe Lami / EPA

Os 142 médicos, sobretudo reformados, que recentemente tornaram pública uma carta enviada ao Governo, na qual expressaram a vontade de regressar à atividade para ajudar a combater a pandemia, informaram que receberam uma “meia resposta”.

Maria do Céu Machado, uma das subscritoras da carta, contou à TSF que recebeu, entre terça e quarta-feira, “um e-mail com um link” para aceder a uma plataforma para inscrição. “Estamos à espera que haja uma resposta dessa plataforma”, disse a médica, que se inscreveu para fazer inquéritos epidemiológicos e seguir doentes em casa.

A lista de voluntários aumentou nos últimos dias. “Penso que, como estavam todos identificados na lista com e-mail, todos receberam” o link, referiu Maria do Céu Machado, indicando que “a lista aumentou”, incluindo agora quase 180 médicos.



A carta surgiu em reação ao apelo do Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, em março de 2020. “Somos um conjunto de médicos, alguns reformados, mas ativos. Queremos ajudar e declaramo-nos presentes”, escreveram na carta a que a TSF teve acesso. “Queremos participar nesta luta e ajudar. Queremos que nos considerem um corpo de voluntários”.

Novas regras para a testagem preocupam médicos

A Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu novas normas para a testagem e rastreio à covid-19, com efeito imediato a partir das zero horas de quarta-feira. Este documento, avançou o Diário de Notícias, impõe testes rápidos em setores com grande mobilidade social (escolas, lares, fábricas e construção) e a todos os contactos de infetados.

Determinado ficou ainda que estes contactos sejam feitos, idealmente, nas 24 horas seguintes à identificação do caso positivo, o que só será possível “se houver um número reduzido de casos e não os que se registaram no início do ano”, apontou o presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde (APMSP), Ricardo Mexia.

Rovena Rosa / ABr

A nova estratégia passa por testar para se identificar o maior número de casos assintomáticos, os infetados e travar mais cedo as cadeias de transmissão.

Para os médicos de família, uma das preocupações é o facto de ainda não se saber quem são os profissionais que terão de fazer testagens regulares. “Se esta tarefa for atribuída aos profissionais dos centros de saúde a capacidade será muito reduzida”, referiu o atual presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto.

“É positivo haver uma estratégia de maior testagem e de identificação rápida dos casos, porque é importante que tal aconteça para se quebrar as cadeias de transmissão”, mas “deixa-me preocupado, porque os recursos humanos dos centros de saúde são os mesmos e o nosso tempo é finito. Não conseguimos dar resposta a tudo em simultâneo”, indicou.

Os médicos de família, continuou, já atuam no rastreio à covid-19, através do acompanhamento dos doentes infetados que não têm necessidade de internamento, dos contactos de vigilância e nas equipas de vacinação, reivindicando mais recursos.

A preocupação de Nuno Jacinto é “o que se vai fazer a seguir, como vamos desconfinar e de que forma vamos garantir um nível de casos aceitável para que os centros de saúde possam trabalhar de forma mais organizada e não estar só a reagir ao que acontece. É preciso voltarmos a fazer o que devemos fazer e não sermos só profissionais da pandemia. Temos de dar atenção a todos os outros doentes”.

Taísa Pagno //

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