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Revolta na Marinha com a compra de 3900 bolas de golfe (e há quem desconfie das “intenções” da notícia)

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Tiago Petinga / Lusa

A Marinha gastou 1692 euros na compra de 3900 bolas de golfe, o que está a gerar mal-estar entre os militares deste ramo das Forças Armadas, até devido às dificuldades financeiras que tem sentido. Mas também há quem estranhe a divulgação desta informação no rescaldo da polémica com a exoneração do Chefe do Estado-Maior da Armada.

Vivem-se dias conturbados na Marinha portuguesa depois de ter sido noticiado que o Ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, tinha exonerado o Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), António Mendes Calado.

O vice-almirante Gouveia e Melo foi apontado como o sucessor de Mendes Calado e Marcelo Rebelo de Sousa acabou a desautorizar o Governo no processo.

No meio de toda esta confusão, surge agora a notícia de que, em Julho deste ano, a Marinha gastou 1692 euros com a compra de 3900 bolas de golfe. Uma aquisição que foi feita à empresa Golfejardim com recurso a financiamentos externos, como apurou o Correio da Manhã (CM).

Não se sabe se estão em causa fundos públicos ou privados, mas o que é certo é que a compra está a gerar “mal-estar” na Marinha, “com vários militares a questionarem o facto de haver gastos supérfluos, quando há falta de dinheiro em equipamento e até em gasóleo, para utilizar viaturas em serviço”, como nota o CM.

Em declarações a este jornal, o presidente da Associação de Praças, Paulo Amaral, considera que é um caso “grave”, pois entende que “não é claramente a prioridade da Marinha comprar bolas de golfe”.

Há necessidades mais prementes em que se pode gastar o dinheiro”, defende Paulo Amaral.

O líder da Associação de Praças ainda considera estranho que a informação tenha sido divulgada agora, na sequência da polémica em torno da exoneração do CEMA.

“São documentos privados, apenas acessíveis a um número reduzido de pessoas. A situação da compra das bolas de golfe ser agora conhecida parece-nos que pode ter outras intenções”, frisa ainda Paulo Amaral no CM.

O gabinete de Relações Públicas da Marinha assegurou ao CM que “o apoio externo, nomeadamente financeiro”, recebido para a compra das bolas de golfe foi “executado com toda a transparência e seguindo os procedimentos administrativos previstos”.

O diário revela ainda que “a compra foi determinada superiormente e o pagador é o Comando Naval da Marinha”.

A Marinha decidiu construir um campo de golfe porque era “necessário criar uma zona de corta-fogo num espaço entre depósitos de combustíveis”, como apurou o CM.

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Este campo de golfe também foi feito com a ajuda de “entidades externas que arranjaram dinheiro para espaços de desporto”, frisa ainda o jornal.

Mas também este projeto merece críticas internas na Marinha, pois considera-se que o campo de golfe foi uma mera “extravagância de algum superior”, como nota ao CM uma fonte não identificada.

  ZAP //

11 Comments

    • Para lazer de elites o que lhe parece… E não sendo jurista nem áreas comuns, será que estará vinculado nos estatutos públicos dos serviços que representam ou meramente lembraram-se dos galões e de decidiram que precisam de uma zona de relaxamento e convívio social á sua medida? Negócios, vaidade, algo mais?!?
      O problema maior é que se torna transversal á sociedade portuguesa.

  1. No dia em que os portugueses souberem o que se come nas instalações da força aérea, exército e por aí fora vão todos para a rua de colete amarelo…

  2. Tanta coisa por mil e poucos euros !
    A mim, através de decreto-lei, arranjaram a maneira de me bifarem 50 e tal euros todos os meses, e tenho estado calado (contra um decreto votado pelo parlamento, que viola a constituição, nem vale a pena falar) … e olha que em 5 anos já lá vão 3000 e tal euros.

  3. Por aqui dá para ver o quão mesquinhos são os tugas…
    Então as elites já não podem jogar golf à nossa pala?! Invejosos! Cambada de mesquinhos! Sempre a contar trocos… Quem dirige este país faz o que quer e o povo que se f$%&

    • Coitadinhas das “elites” não querem que joguem golfe – uma actividade natural e ao ar livre – para meter o raio de gasóleo nos carros para diversas necessidades, que coisa é mesmo embirração. Já ninguém se pode “armar” ao pingarelho neste país…

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