Marcelo defende alívio no Natal, mas sem “descontrolo” (para evitar terceira vaga em Janeiro)

Mário Cruz / Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esta sexta-feira esperar que a “possível exceção” no Natal ao quadro de restrições para conter a covid-19 “seja bem entendida e bem vivida” e não provoque “um descontrolo mais tarde, com custo elevadíssimo”.

“A ideia será, assim, não pôr em causa o espírito de Natal, mas sem a concentração num momento único, e com respeito acrescido das regras que possam prevenir contágios familiares generalizados”, adiantou Marcelo Rebelo de Sousa, numa comunicação ao país, a partir do Palácio de Belém, em Lisboa.

O chefe de Estado deixou esta mensagem em tom de advertência sobre o Natal após anunciar a renovação do estado de emergência até 23 de dezembro, já com a perspetiva de que se prolongará até 7 de janeiro.

“Esta perspetiva a concretizar pelo Governo permitirá a todos saberem com o que poderão vir a contar num tempo tão significativo na vida pessoal, familiar e comunitária como é o Natal, o mesmo acontecendo com o fim do ano e o começo de 2021”, salientou.

Segundo o Presidente da República, “a procura de um regime menos intenso no Natal, a verificar-se, destinar-se-á a permitir às famílias o tão legitimamente esperado encontro, evitando ao mesmo tempo abrir a porta a um descontrolo mais tarde, com um custo elevadíssimo duas ou três semanas mais tarde, isto é, em janeiro”.

“Por isso mesmo, o presente decreto mantém inalterado o quadro que permite impor entre 9 e 23 o mesmo rigor do período em curso – e está-lhe subjacente o mesmo propósito para o período seguinte, de 23 a 7 de janeiro, com a possível exceção, que se espera seja bem entendida e bem vivida no Natal”, acrescentou.

Marcelo reforçou o alerta para as possíveis consequências de um relaxamento excessivo no Natal, considerando que “é obviamente do interesse de todos que janeiro possa haver uma consolidação dos passos dados em dezembro e não uma nova e frustrante subida que acabe por acentuar a dimensão de uma temida terceira vaga”.

O chefe de Estado pediu aos portugueses que mantenham “total rigor, total exigência”.

De acordo com a análise do semanário Expresso, Marcelo admite menos restrições no Natal, mas deixa no ar o regresso às regras mais duras logo depois das festividades natalícias para se evitar uma terceira vaga da covid-19 em Portugal.

O Presidente deixou demonstrou apenas o que pretende para as próximas semanas, cabendo agora ao Governo definir as regras segundo o quadro do estado de emergência.

As novas medidas devem ser anunciadas neste sábado.

É preciso “não ter ilusões” sobre as vacinas

Na mesma declaração ao país, o Presidente da República desaconselhou “expectativas excessivas” quanto à vacinação, referindo que esse processo levará “vários meses”.

“O que se sabe acerca de vacinas, nomeadamente das duas primeiras a aguardarem aprovação da Agência Europeia de Medicamentos confirma o que aqui disse a 20 de novembro: a sua chegada a todos os portugueses que a queiram receber, sem exclusão de ninguém, muito menos por guetos de idade, obedece a calendários prolongados“.

O chefe de Estado salientou que “é, pois, uma matéria de vários meses, não de dias ou de semanas, mesmo para os projetados grupos prioritários”, mesmo para os grupos prioritários, anunciados esta quinta-feira.

“É bom que isto fique claro para que se não criem expectativas excessivas e, portanto, desilusões imediatas. Logo, toda a facilidade é errada e toda a prevenção é imperativa, ao longo de dezembro como no arranque de 2021“, acrescentou.

Estado de emergência renovado

O Presidente da República decretou a renovação do estado de emergência em Portugal por mais 15 dias, até às 23:59 de 23 de dezembro, para permitir medidas de contenção da epidemia de covid-19, depois do decreto ser aprovado no Parlamento.

“Decretei a renovação do estado de emergência para o período a iniciar às 00:00 de dia 9 e a terminar às 23:59 de dia 23 de dezembro“, anunciou Marcelo Rebelo de Sousa.

O atual estado de emergência teve início no dia 24 de novembro e termina às 23:59 da próxima terça-feira, 8 de dezembro. Esta renovação tem efeitos a partir das 00:00 de quarta-feira, 9 de dezembro.

De acordo com a Constituição, este quadro legal que permite a suspensão do exercício de alguns direitos, liberdades e garantias, não pode durar mais de 15 dias, sem prejuízo de eventuais renovações com o mesmo limite temporal.

Para o decretar, o Presidente da República tem de ouvir o Governo, que deu parecer favorável na quinta-feira, e de ter autorização da Assembleia da República, que foi dada hoje, com votos a favor de PS e PSD, abstenções de BE, CDS-PP e PAN e votos contra de PCP, PEV, Chega e Iniciativa Liberal.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Defende o alívio das medidas no Natal, para encher os cofres do Estado, mas é demasiado ingénuo para perceber que o povo enganado vai andar por aí, todo contente, a apanhar o vírus que, durante o Natal, comerá um leitãozinho, bacalhau e, talvez, polvito de escabeche. Mas o Ano Novo é outra história… aí, o Senhor Corona salta para a rua, assusta os antigos felizes, e as ruas ficam vazias, como a mente destes governantes populistas e miseráveis.
    Só existem duas soluções para combater a pandemia… substituir o Governo, e punir os desobedientes!

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