Marcelo diz que terá com outro PM a mesma relação que tem com Costa (e considera endividamento inevitável)

António Cotrim / Lusa

O Presidente da República, e recandidato ao cargo, afirma que terá com qualquer outro primeiro-ministro a mesma relação que tem com António Costa e considera que esta coabitação foi uma escolha dos portugueses.

Marcelo Rebelo de Sousa assume estas posições numa entrevista à Antena 1, divulgada esta quinta-feira, em que apela à participação nas eleições presidenciais de dia 24, defendendo que “é mais importante votar em pandemia do que é sem pandemia”.

Questionado sobre a sua “fácil relação” com o atual primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, o chefe de Estado e candidato apoiado por PSD e CDS-PP refere que não gosta de se auto elogiar, mas que esse relacionamento decorre da sua maneira de ser e da sua visão do papel constitucional do Presidente da República.

“Se for eleito, há eleições parlamentares a meio do mandato presidencial, e elas podem dar um Governo da mesma área ou de outra área com outro primeiro-ministro, e com qualquer primeiro-ministro o relacionamento será como aquele que tenho com este primeiro-ministro, porque é a minha visão dos poderes do Presidente e é a minha maneira de ser”, acrescenta.

Interrogado se não teme que a sua área política “não lhe perdoe esta coabitação”, o antigo presidente do PSD responde: “Mas a coabitação foi uma escolha dos portugueses. Os portugueses escolheram um Presidente de direita e, por duas vezes, criaram condições para maiorias absolutas de esquerda”.

Nesta entrevista, a propósito de um possível aumento acentuado da abstenção, Marcelo Rebelo de Sousa defende que “as pessoas têm de perceber mesmo a importância do seu voto em pandemia”.

“As pessoas podem não perceber isso, com o medo, com o receio, com o confinamento, com tudo isso. Têm de perceber que é tão importante para a sua vida, mudou tanto a sua vida, vai mudar tanto a sua vida com a crise económica e social que já aí está e vem aí, que é nesses momentos que se tem de fazer um esforço suplementar em termos de participação política, e o esforço é ir votar”, reforça.

Marcelo considera endividamento inevitável

O Presidente da República considera ainda que é inevitável Portugal endividar-se mais, face às consequências da pandemia de covid-19, mas que os credores acreditam na capacidade de gestão orçamental do país.

Questionado se há espaço para o país se endividar mais, Marcelo Rebelo de Sousa responde: “Sabe que quando não há outro remédio, tem de ser”.

Interrogado, depois, sobre qual o limite para o endividamento do Estado, o Presidente da República e candidato às presidenciais de 24 de janeiro realça que “até agora tem sido surpreendente” o resultado das emissões de dívida portuguesa nos mercados internacionais.

“Por exemplo, tivemos uma emissão de dívida a dez anos pela primeira vez negativa, com taxas de juro negativas”, assinala, concluindo: “Quer dizer, os credores estão a acreditar na capacidade de gerir o Orçamento e de não entrar numa perda irreversível ou muito grave em termos de dívida pública”.

Marcelo Rebelo de Sousa refere que “há uma parte do financiamento europeu que é para a saúde, e há-de chegar”, mas chama a atenção para os custos globais dos efeitos da pandemia de covid-19 na economia, comparando-os com a chamada “bazuca” de apoios da União Europeia.

“A pandemia vai custar toda, e provavelmente não se sabe se não custa mais, tanto quanto o valor da bazuca, tirando o quadro financeiro multianual. Portanto, a bazuca, bazuca, correspondente ao Plano de Recuperação e Resiliência, vai valer 15 mil milhões, 16 mil milhões, que é, tudo somado, quando fizermos contas, um ano ou mais de um ano, um ano e meio de pandemia”, calcula.

A propósito dos prejuízos económicos que resultarão do confinamento decidido na quarta-feira pelo Governo, o chefe de Estado e recandidato ao cargo apoiado por PSD e CDS-PP argumenta que também é preciso ter em conta o que aconteceria num cenário de agravamento continuado da covid-19 em Portugal.

Se a pandemia se agrava ao ritmo a que se estava a agravar, isto quer dizer prolongar a pandemia. Prolongar a pandemia significa prolongar a crise, mais X meses de pandemia são mais X meses de crise profunda. Portanto, as pessoas têm de ver, mesmo do ponto de vista da economia e da sociedade, o não tentar conter e travar e inverter a tendência significa termos o primeiro trimestre perdido, entrava-se no segundo trimestre numa situação desgraçada, e o que isso significaria em metade do ano para a economia e para a sociedade”, aponta.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Será que António Costa é da mesma opinião? Ou seja, será que o Costa terá a mesma relação com outro Presidente? A sorte do Marcelo é que não me parece haver alguém suficientemente forte para lhe fazer frente no dia 24, mas quem sabe se não haverá surpresas? Eu ainda não decidi em quem vou votar. No Marcelo não voto. Ele que defendeu que o PR deveria ter só um mandato, então deve sair e dar lugar a outro!

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