Marcelo e Costa evitam Monchique para não atrapalhar. Santana tentou e foi barrado

Paulo Cunha / Lusa

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, conforta o presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves. à esquerda, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes

Não é por acaso que Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa decidiram não interromper as férias para comparecer no centro de operações de combate aos incêndios. Mas Santana Lopes tentou chegar à vila de Monchique, onde continua o fogo mais dramático do país, e não conseguiu.

Contrariamente à postura de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa, que têm evitado ir ao terreno de operações do combate ao incêndio de Monchique, que continua a arder há seis dias consecutivos, Pedro Santana Lopes tentou chegar à vila algarvia, mas foi barrado pela polícia, como avança o Jornal de Notícias.

“Educadamente, uma brigada da GNR disse-me que por razões de segurança não poderia continuar”, conta o ex-líder do PSD, notando que “queria ir lá expressar a solidariedade com o presidente da Câmara” Rui André.

“Ainda tentei depois, através de um outro acesso, que passa perto da ETAR, mas foi em vão. Tentarei voltar amanhã“, frisou ainda Santana Lopes que, recentemente, anunciou que vai deixar o PSD e formar um novo partido político.

Santana Lopes frisa ainda que no ano passado, se deslocou às áreas afectadas pelos fogos na zona de Pedrógão Grande. “Sempre fui de forma anónima, sem qualquer aparato atrás de mim, porque aquelas pessoas merecem todo o apoio que lhes possa ser dado”, justifica.

E se há quem atire que Santana Lopes pretende com este gesto espetar uma farpa em Marcelo e em Costa, que não foram ainda ao terreno do incêndio, o ex-primeiro-ministro garante que não age com “a intenção de apontar fragilidades seja ao que for”.

Certo é que o Presidente da República e o primeiro-ministro têm evitado comparecer no teatro de operações, cumprindo a recomendação que consta do Relatório da Comissão Técnica Independente (CTI) que analisou as circunstâncias dos incêndios do ano passado, nomeadamente em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.

Aquele documento constata que a “presença de altas autoridades perturba naturalmente os trabalhos do comando”, transcreve o jornal i na edição impressa desta terça-feira.

Em 2017, o comandante responsável pelo combate aos incêndios em Pedrógão Grande foi obrigado a interromper o seu trabalho por 20 vezes, dada a presença de responsáveis políticos, como constata o i.

A CTI atesta que “a participação de pessoas” que representam “entidades oficiais ou órgãos de comunicação social” ajuda a levantar a moral das equipas no terreno, mas de facto não acarreta “qualquer contributo” para o desenrolar efectivo das operações, nem para a “tomada de decisões”, como transcreve o i.

Assim, não é de estranhar que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa continuem de férias, sem se terem apressado a correr para Monchique, onde continua a lavrar o incêndio mais dramático que assola o país nesta altura. Um comportamento que destoa com aquilo que se passou no ano passado, em Pedrógão Grande.

O primeiro-ministro usou o seu perfil no Twitter para notar que está em “contacto permanente” com o ministro da Administração Interna e com os autarcas para actualizações, análise e orientações sobre os incêndios.

Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro compareceu na sede da Autoridade Nacional de Protecção Civil, ao lado do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, para participar no briefing sobre a situação no terreno.

Marcelo Rebelo de Sousa assumiu, por seu lado, que não se desloca a Monchique para não atrapalhar, lembrando que a CTI considerou como “um dos aspectos negativos” dos incêndios do ano passado a sua “ida ao terreno, porque teria perturbado as operações de resposta”.

O Presidente da República, que está de férias na região centro do país, nalgumas das zonas que foram afectadas pelos fogos no ano passado, nota que está “ao longo do dia em permanente contacto com o senhor ministro da Administração Interna” e “a acompanhar o que se passa”, conforme declarações divulgadas pela RTP3.

Marcelo também fala da resposta “brutal” ao incêndio de Monchique, frisando que “há uma diferença de meios muito significativa, meios aéreos por um lado, meios no terreno por outro lado, a forma de estrutura e de prevenção”, relativamente ao ano passado.

ZAP //

 

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4 COMENTÁRIOS

  1. Marcelo também fala da resposta “brutal” .
    Brutal de bruto. Bruto como o comandante da PC que agora foi afastado do comando !
    Marcelo sempre a lavar a borradas do governo…
    1000 bombeiros mais de 300 viaturas, mais de 17 aeronaves, são meios brutais, para um ataque pífio, lento e descoordenado. Salvaram-se as pessoas o que já foi bom …

    • Está tudo a começar a cair aos bocados, CP, INEM, PC, etc, etc
      Fruto de uma nova filosofia, retirar pessoas competentes e colocar telefonistas na protecção civil…por ex.

  2. Propaganda com uma desgraça do país os incêndios nunca visto demagogia e hipocrisia e incompetência não há memória.Um povo resignado e feliz.A nova lei está tudo resolvido Passos Coelho é o culpado.

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