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“Ninguém vai à Louis Vuitton de metro”. Rei dos festivais critica fecho da Avenida da Liberdade em Lisboa

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Hans Porochelt / Flickr

Avenida da Liberdade, Lisboa

Avenida da Liberdade, Lisboa

O encerramento da Avenida da Liberdade, em Lisboa, ao trânsito, aos domingos e feriados, continua a dar que falar e o chamado “rei dos festivais”, Álvaro Covões, junta-se ao coro de críticas, avisando que “ninguém vai à Louis Vuitton de metro”.

A questão das acessibilidades e da mobilidade é um dos temas do momento em Lisboa que está às voltas com polémicas relacionadas com duas Avenidas essenciais para a cidade, a Almirante Reis e a da Liberdade.

Numa altura em que há protestos com o facto de a ciclovia da Avenida Almirante Reis ter sido parcialmente removida durante a noite, continuam as críticas devido à proposta que visa cortar o trânsito na Avenida da Liberdade aos domingos e feridos.

O director da Everything is New, a empresa criadora do festival NOS Alive, e dirigente da Associação de Promotores de Espectáculos, Festivais e Eventos, Álvaro Covões, é uma das vozes críticas, considerando que a medida não vai contribuir para a desejada qualificação do turismo em Portugal.

“O país tem de ter uma estratégia. Todos concordamos em qualificar o turismo, ninguém quer turismo de mochila“, começa por notar, em declarações na SIC, o “Rei dos festivais”, como é conhecido por estar associado a alguns dos mais importantes eventos de música do país.

“Se queremos qualificar o turismo, não vamos querer turistas que queiram andar de metro, porque ninguém vai à Louis Vuitton de metro“, vinca ainda Covões.

Estas declarações estão a ser apontadas a dedo nas redes sociais, onde há quem manifeste revolta contra Covões, recordando o elevado custo de vida em Lisboa que foi considerada a terceira cidade mais cara do mundo para se viver, segundo um recente estudo.

Uma cidade onde cada vez mais ninguém consegue viver, onde se acumulam tendas pelas ruas, e o drama de alguma malta é que o senhor estrangeiro com guito não quer ir à Louis Vuitton de metro. Se isto não é o retrato mais claro das nossas elites, não sei”, queixa-se um utilizador do Twitter.

Moedas retirou proposta para aprovar a do PCP

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), decidiu retirar a sua proposta de consulta pública sobre o corte do trânsito na Avenida da Liberdade e a redução da velocidade na cidade para aprovar a proposta do PCP.

Em reunião pública do executivo camarário, a proposta do PCP foi apresentada como alternativa à iniciativa de Moedas de submeter estas medidas a um período de consulta e discussão pública “não inferior a 45 dias”, o que coincide com a dos comunistas que acrescentam que antes desse processo, deve ser feita “uma avaliação prévia, técnica e financeira, pelos serviços municipais competentes”.

A proposta do PCP, subscrita também pela liderança PSD/CDS-PP e pelos vereadores do PS e do Livre, foi aprovada por unanimidade pelo executivo camarário.

Em causa estão as medidas da proposta do Livre para a redução da dependência dos combustíveis fósseis em Lisboa, nomeadamente a reativação do programa “A Rua é Sua”, com a eliminação do trânsito automóvel na Avenida da Liberdade em todos os domingos e feriados, e a redução em 10 quilómetros por hora (km/h) da velocidade máxima de circulação permitida na cidade.

A iniciativa do Livre foi aprovada em 11 de Maio passado, com sete votos contra da liderança PSD/CDS-PP, duas abstenções dos vereadores do PCP e oito votos a favor, designadamente cinco do PS, um do Livre, um do Bloco de Esquerda (BE) e um da vereadora independente eleita pela coligação PS/Livre.

Além de estudos, a proposta dos vereadores do PCP sugere “uma auscultação dos organismos do Estado para a segurança rodoviária, mobilidade e transportes”, assim como dos operadores de transporte público, das associações representativas do comércio local, entre outros organismos e organizações não governamentais.

De acordo com a proposta do PCP, após a realização dos estudos sobre o impacto das medidas, o passo seguinte é a elaboração de planos de implementação, com uma calendarização, podendo incluir experiências piloto, assim como medidas de mitigação de impactos, designadamente ao nível da circulação de transportes públicos no caso do corte do trânsito na Avenida da Liberdade.

Esses planos de implementação devem ser submetidos a “um período de consulta e participação pública mínimo de 45 dias e alvo de aprovação em reunião de câmara”.

PCP sugere criar zonas para velocidade reduzida

Relativamente à redução em 10 km/h da velocidade máxima, deve-se “dar prioridade à implementação de novas zonas de circulação a velocidade reduzida – ‘Zonas 30’ – dentro dos bairros consolidados, proximidade de escolas, zonas de maior densidade de comércio local, zonas de lazer e cruzamentos, a avaliar em função das necessidades”.

Quanto à reativação do programa “A Rua é Sua”, o alargamento a todas as freguesias do corte de uma artéria central com comércio e serviços locais aos domingos deve ser concretizado “após o parecer dos serviços, de proposta das respetivas juntas de freguesia e da promoção de consulta e participação pública”.

  ZAP // Lusa

10 Comments

  1. Que cromo!…
    O labrego dos festivais, daqui a pouco deve quer ver os clientes do NosAlive chegarem de iate ou limusine!…
    Coitado, um pouco mais de mundo e de cultura não lhe fazia mal.

    • Tu, não percebes nada, porque 10 pessoas que fossem aos festivais de iate deixavam mais dinheiro em Lisboa que todos os outros que lá vão de mochila.

      Velocidade limitada a 10km/h!!! Concordo. Podem começar por implementar essa medida num raio de 5 km em torno da assembleia da republica, da camara municipal e das sedes do partidos, para ver se estes politicos das redes sociais passavam a ir a pé para o trabalho

      • E, o que impede esses 10 de irem de iate??
        Agora um azeiteiro que anda sempre a choramingar pela mama do Estado e que faz festivais para os “turistas de mochila”, desprezar os turistas de mochila e dizer os “ricos” não andam de metro, só mesmo de um bronco!!

  2. Os turistas aos milhares de mochila deixam muito dinheiro sim, so um acefalo que nao entenda nada de economia nao percebe isso, quem diz que todos os turistas de mochila sao pobres se calhar alguns ate sao milionarios, infelizmente esta é a mentalidade parola tuga das aparências…

  3. Erra na forma, tem razão no conteúdo.
    A questão não é se se vai à Louis Vuitton de carro ou de metro. A questão é a das acessibilidades. A Avenida da Liberdade tem espaço para carros e pessoas. Não podemos tirar os carros das cidades apenas porque é moda. As pessoas também têm de deslocar-se. E os carros também precisam de ser parqueados.
    Mas a Avenida da Liberdade pode muito bem ser requalificada de modo a organizar melhor o espaço existente, quer para tornar o trânsito mais fluído, quer para dar mais espaço às pessoas. E porque não um túnel? O trânsito passa por debaixo e as pessoas ficam com toda a superfície. Se for tecnicamente possível (e não faço ideia se o é – há o metro, por exemplo, há parques subterrâneos…) , porque não?

  4. Quem manda em Portugal são os senhores dos fóruns económicos de Davos.
    O encerramento do trânsito nessa zona faz parte da agenda económica global.
    Não é preciso dizer mais nada. Caminhamos a passos largos para a pior situação económica e social e política de sempre.

  5. Não consigo entender. Tanta conversa sobre os resultados negativos de fechar o trânsito na Avenida, tira pessoas de lá, fecha o comércio, etc.
    Quem diz isso esquece-se de uma coisa muito importante: Se eu vou às compras na Avenida não levo para lá o carro. Deixo o carro longe, num estacionamento onde puder ser, e vou a pé ou de metro ou de outro transporte público.
    “Ninguém vai à Louis Vuitton de metro” – Pois não. Tem toda a razão. Ninguém vai de metro. Vão a pé. Se levarem o carro tem que ficar estacionado num local qualquer longe e depois vão a pé.
    Se fecharem a Avenida ao trânsito o que melhora? Mobilidade a pé = mais clientes = mais negócio. Ninguém faz compras de carro. Ninguém. As compras são feitas a pé.
    Além de menos poluição, menos barulho, menos confusão, mais espaço para se passear, regresso ao Passeio Público.
    Em que é que é pior para o negócio? Não consigo entender. Alguém me explica?

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