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Parte da ciclovia da Almirante Reis desapareceu durante a noite. “É o regresso da Lisboa medieval”

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worldeconomicforum / Flickr

Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas

Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas

Uma parte da ciclovia da Almirante Reis foi retirada durante a noite e há quem fale em “retrocesso civilizacional”, apontando o dedo a Carlos Moedas pelo retorno a uma “cidade medieval” – “a única no mundo que no século XXI remove ciclovias”.

A retirada de parte da ciclovia da Almirante Reis foi anunciada por vários utilizadores das redes sociais que publicaram imagens com momentos da intervenção no tapete para bicicletas.

Também o vereador do Bloco de Esquerda (BE) na Câmara Municipal de Lisboa (CML), Ricardo Moreira, confirma essa retirada em declarações à Lusa. “Há um troço que foi retirado, a sinalética foi retirada, foi arrancada do chão, uma zona grande na Alameda”, destaca.

Carlos Moedas confirma que as intervenções em curso na Avenida são da responsabilidade da CML e indica que, após pedir informações aos seus assessores, “estão a fazer ensaios”, realçando que “não estão a retirar nenhuma ciclovia neste momento”.

Contudo, numa publicação no Twitter, o chefe de gabinete de Carlos Moedas, António Valle, parece confirmar a retirada, notando que “Moedas está a cumprir o que há muito anunciou para a ciclovia da Almirante Reis”, isto “depois de ouvir centenas de pessoas e organizações”.

Moedas tinha anunciado, no final de Março, que a solução imediata para a Avenida Almirante Reis passaria por “acabar com metade da ciclovia”, retirando o tapete para bicicletas “do sentido ascendente”, colocando “duas faixas para automóveis” e “toda a ciclovia no sentido descendente”.

Esta medida permitirá “que o trânsito escoe da cidade com maior fluxo” e “que todos os utilizadores da ciclovia continuem a percorrer a avenida”, como apontou o autarca.

A longo prazo, a CML vai definir um novo planeamento para esta rua da capital.

“Única cidade no mundo que no século XXI remove ciclovias”

A retirada parcial da ciclovia da Avenida Almirante Reis está a gerar alguma revolta nas redes sociais, com vários utilizadores a criticarem o que consideram ser um regresso de Lisboa a “uma cidade medieval, cheia de poluição de tubo de escape“.

A capital portuguesa é “a única cidade no mundo que no século XXI remove ciclovias”, aponta-se ainda.

Há também quem sustente que esta mudança “vai piorar a mobilidade” e quem realce que Moedas vai “espremer imenso a ciclovia para dar via a carros”, o que vai provocar “sérios riscos à integridade física” de quem continuar a usar a bicicleta na via.

Por outro lado, também há quem apoie Moedas, falando em “perseguição” e destacando que “a Almirante Reis estava feita de uma forma onde todos corriam perigo, desde os ciclistas aos próprios automobilistas”.

“O presidente da CML não vai por fim à ciclovia, apenas arranjar uma solução melhor“, destaca-se ainda enquanto outros utilizadores preferem reagir ao assunto com humor.

Apelo ao protesto contra Moedas

Na corrente dos que protestam contra a iniciativa de Moedas, já há quem apele ao protesto, como é o caso do activista ambiental Roberto Henriques.

Vamos mostrar o nosso descontentamento, não só do caso da ciclovia da Almirante Reis, como também de todas as políticas idiotas do Moedas, quer ambientais quer sociais”, vinca numa publicação no Twitter.

O colectivo baseado em Lisboa Climáximo, que defende a justiça climática, integra os apelos de protesto, referindo-se ao caso como um “retrocesso civilizacional”.

BE quer fim das obras, Livre fala em “falta de respeito”

O BE já pediu a Carlos Moedas (PSD) que as obras na ciclovia da Avenida Almirante Reis “não avancem” até ser discutida uma nova proposta de alteração.

O vereador bloquista na autarquia manifesta-se “bastante desiludido” com o autarca, alegando que houve o compromisso de agendar, para a próxima reunião do executivo, na segunda-feira, a proposta do BE, do Livre e da vereadora independente do Cidadãos por Lisboa (eleita pela coligação PS/Livre), que sugere que “antes de qualquer alteração na configuração do perfil da Avenida” seja apresentado um projecto de alteração fundamentado, abrindo “um período de recolha de contributos de não menos de 30 dias”.

“Não há nenhuma consulta pública sobre um facto consumado. Se as obras já avançaram, se há uma parte da ciclovia que já foi arrancada”, “não é assim que se fazem consensos”, destaca Ricardo Moreira.

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Moedas responde que já “houve todo um trabalho feito em relação à Almirante Reis”, em que foi decidido retirar metade da ciclovia após ouvir as pessoas, ressalvando que tal “não impede” a discussão da proposta para consulta pública.

“Se a vossa proposta é parar tudo o que se está a fazer, que é o bloquei que o senhor vereador se está a preparar para fazer, nós bloquearemos, bloquearemos quando votarem esse bloqueio“, declara o presidente da Câmara, afirmando que até lá não pode parar de gerir a cidade.

O vereador do Livre, Rui Tavares, considera que o avançar das obras antes da votação da proposta para consulta pública pode estar dentro da legalidade, mas demonstra “falta de respeito”.

A vereadora independente Paula Marques reitera, por seu turno, o pedido para acesso à informação sobre os estudos desenvolvidos para as alterações na ciclovia.

O vereador do BE alega ainda que a decisão tomada por Moedas “é contrária” ao defendido pelos cidadãos nas três sessões públicas, e lembra a existência de uma carta aberta, intitulada “Almirante Reis, isto não foi um processo participativo”, em que os subscritores referem que a alteração da ciclovia proposta pelo executivo “agrava seriamente a segurança dos utilizadores de bicicleta e a funcionalidade” da mesma, “sendo uma alternativa significativamente pior e menos coerente do que a presentemente existente, o que se irá traduzir no desincentivo à sua utilização”.

  ZAP // Lusa

6 Comments

  1. A lenga-lenga esquerdoide é horrível. Nem que se faça com critério racional, para essa tralha é sempre mal feito. Se o governante fosse de esquerda, então tudo estava a ser bem feito. Este país, assim nunca vai progredir. Pagamos todos pela nossa atrasadice.

  2. A ciclovia da Almirante Reis causa um suplício diário a todos os que têm de lá passar, o trânsito é infernal quase todo dia, com o consequente aumento da poluição. E para quê? A utilização é diminuta.
    Não se trata de utilizadores da ciclovia, nem muito menos de moradores, é uma arma de arremesso político, pura e simplesmente.

  3. Eliminaram a palermice que tinha sido feita e agora “aqui del-rei” desta esquerda anquilosada que continua com a mania que são os detentores da verdade. É a tirania da virtude definida por esta gente

  4. Mas tanta polemica para quê????
    A maioria dos ciclistas nao usa a ciclovia.
    Pode ver-se na Av da Republica, onde existe uma ciclovia que vai do Campo Grande ao Marquês e a maioria dos ciclistas andam na estrada ou nos passeios.
    As ciclovias é apenas mais um meio de publicidade e de gastar dinheiro dos contribuintes e com sorte, as empresas que as constroem ainda estão ligadas a algum vereador ou deputado do Bloco de Esquerda, PEV, PAN, Livre ou algo semelhante.

  5. As ciclovias nem para as manifestações servem. Em todo o lado onde se gastou carradas de dinheiro nas ciclovazias , como são conhecidas por toda a gente não se vê lá passar um ciclista. Uma obra que os políticos fizeram para aparecerem nos mídeas e serem falados.
    Agora vêm aí com a regionalização . Um Portugal tão pequeno e precisa de uma coisa dessas que vai criar e incentivar a questeúnculas . Vão ser precisos mais políticos e mais dinheiro pago por todos nós. Na boca dos políticos isto é necessário em Portugal. Já temos políticos e promessas a mais. Nos países onde implementaram isso os problemas são conhecidos.

  6. Uma ciclovia feita “nas coxas”, sem o menor planejamento, que vinha sendo muito pouco utilizada perto do nível de caos a que. Unha a causar ao trânsito, a circulação de veículos de emergência, e a real dinâmica produtiva da cidade.
    Os que estão aí a criticar a retirada da ciclovia são aqueles que vivem de “arte” e sol. Quem trabalha quer a mobilidade real, sem as flores do progressismo.

    Toda essa esquerda portuguesa causa nojo.

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