Londres vai avaliar diversidade das ruas, murais e monumentos (e ver se devem ser mudados)

(cv)

O presidente da Câmara de Londres anunciou, esta terça-feira, a criação de uma comissão para avaliar a diversidade dos monumentos nos espaços públicos da capital britânica, na sequência do derrube de uma estátua de um comerciante de escravos em Bristol.

“A diversidade da nossa capital é a nossa maior força, mas as nossas estátuas, nomes de ruas e espaços públicos refletem uma época passada. É uma verdade desconfortável que a nossa nação e cidade devam grande parte da sua riqueza ao seu papel no tráfico de escravos e, embora isso se reflita nos nossos espaços públicos, a contribuição de muitas das nossas comunidades para a vida na nossa capital tenha sido intencionalmente ignorada. Isso não pode continuar”, justificou Sadiq Khan.

A Comissão para a Diversidade nos Espaços Públicos vai olhar para murais, arte de rua, estátuas, nomes de ruas outro tipo de monumentos e avaliar os respetivos significados para depois fazer recomendações.

O mayor admitiu que os protestos do movimento “Black Lives Matter”, desencadeados pela morte de George Floyd durante uma operação policial nos Estados Unidos, “chamaram a atenção, e bem”, para este problema, mas defendeu a importância de serem tomadas as “medidas certas”.

A decisão acontece depois de uma estátua do comerciante de escravos do século XVII Edward Colston, um controverso monumento de bronze erigido em 1895 no centro da cidade, ter sido derrubada no domingo em Bristol, arrastada pelas ruas e lançada para as águas do porto da cidade.

O governo britânico prometeu processar por vandalismo os responsáveis pelo derrube da estátua de Colston, assim como aos manifestantes que danificaram a estátua do antigo primeiro-ministro Winston Churchill em Londres, junto ao Parlamento, onde foi escrito a grafite “era um racista”.

Embora seja considerado um herói pela liderança do país durante a II Guerra Mundial na guerra contra a Alemanha Nazi, Churchill era um firme defensor do Império Britânico e expressou pontos de vista racistas.

“Ninguém é perfeito, seja Churchill, seja Gandhi, seja Malcolm X”, admitiu Sadiq Khan à BBC, ao defender que a estátua de Churchill continue de pé.

A destruição da estatua de Colston revigorou os ativistas da Universidade de Oxford que pedem a remoção de uma estátua de Cecil Rhodes, um imperialista vitoriano na África do Sul que fez fortuna nas minas e financiou bolsas de estudo na universidade.

Uma petição do grupo Rhodes Must Fall para remover a estátua falhou em 2016, mas esta terça-feira está planeado um novo protesto, tendo sido colocada uma faixa onde se lê: “Rhodes, tu és o próximo”.

Em Edimburgo, na Escócia, há pedidos para remover uma estátua de Henry Dundas, um destacado político do século XVIII que atrasou a abolição britânica da escravatura durante 15 anos.

O presidente da Câmara de Edimburgo, Adam McVey, disse que “não ficaria com qualquer sensação de perda se a estátua de Dundas fosse removida e substituída por outra coisa ou deixada como plinto”.

O debate sobre as estátuas é uma consequência do assassínio do afro-americano George Floyd, em 25 de maio, nos Estados Unidos, que gerou uma onda de protestos pacíficos e manifestações contra o racismo em muitos países, para exigir o fim da brutalidade policial e da discriminação das pessoas negras.

O chefe do governo, Boris Johnson, reconheceu esta terça-feira o “inegável sentimento de injustiça” que muitos negros e pessoas de minorias étnicas devem sentir e prometeu combater o racismo no Reino Unido, mas condenou os protestos violentos.

“Nós temos uma democracia neste país. Se quiserem mudar a paisagem urbana, podem candidatar-se às eleições ou votar em alguém que o faça”, vincou.

// Lusa

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