Lobo Xavier sentiu estigma social por ter covid-19 (e não gostou da “companhia” de Trump nas notícias)

(cv) YouTube

O conselheiro do Estado António Lobo Xavier contou, em entrevista no Jornal das 8 da TVI, como está a lidar com a covid-19 e que já sentiu o estigma que existe em relação às pessoas infetadas com o vírus. 

Em entrevista no Jornal das 8, da TVI, o conselheiro do Estado António Lobo Xavier disse que sentiu que as notícias se esqueceram de que ele era um “doente”, uma “vítima” do novo coronavírus, e deixou claro não ter sido o foco de qualquer surto — todos os conselheiros testaram negativo.

“Eu às vezes ouço as notícias e acho que se esquece que nesta história há uma vítima, um doente, a precisar de cuidados, com risco de sequelas, que não foi foco de nenhum surto, nem com os seus familiares, nem com os seus amigos, nem com os membros do Conselho de Estado, nem com os profissionais com que contactou. E, enfim, penso que às vezes as pessoas têm a ideia de que os poderosos e os conhecidos nunca estão infetados, mas isso acontece a todos. Mas eu estou bem”, lamentou Lobo Xavier.

“Até agora ninguém, das pessoas com que contactei, está infetado, eu nem sei sequer se eu estava infetado durante o Conselho de Estado”, disse. “Até sabermos os resultados dos testes, felizmente, negativos, e eu lamento o incómodo que causei aos conselheiros, tanto podia ter sido eu a infetar alguém, como um desses conselheiros a infetar-me a mim. Infelizmente causei esse mal-estar e esse incómodo. Não consigo identificar o ponto onde as minhas defesas e os meus cuidados falharam”.

O comentador mostrou-se incomodado com o facto de ter tido a “companhia do Presidente dos Estados Unidos”, Donald Trump, nas notícias.

Há dois tipos de pessoas, as que cumprem as regras e são escrupulosas, como foi o meu caso. E há as que são negacionistas e que são temerárias, eu dessas não tenho realmente grande pena”, disse.

Lobo Xavier explicou o que sentiu, garantindo que não é um negacionista. “Tive algumas manifestações, foi isso que me levou a fazer o teste no sábado, tive uma febre muito ligeira e algum mal-estar físico. Fiz o teste no sábado, porque senti que o devia fazer por causa desses sintomas, mas agora não tenho sintomas nenhuns”.

“Eu cumpro todas as regras, sou até acusado de ser cauteloso de mais, tenho ligacões a instituições de solidariedade social. Mas obviamente ponho gasolina nas áreas de serviço, desloco-me para trabalhar em Lisboa, vou à TVI fazer o programa, embora veja que na TVI se cumprem as regras escrupulosamente”, afirmou.

Apesar de estar doente, o conselheiro de Estado considerou que o caso que protagonizou foi tratado na praça pública como uma ameaça premeditada a grandes dignitários.

“Senti isso [o estigma social]. Eu fiz uma coleção de notícias sobre mim próprio e sobre o Conselho de Estado e só me lembrava do Regicídio. A última grande notícia sobre ameaças, de decapitação a grandes dignitários, com uma dimensão destas era o Regicídio. É um estigma”, disse.

Apesar da situação, o comentador televisivo reconhece que foi gratificante ver como tudo funcionou no seu caso.

“Funcionaram os procedimentos, eu tenho ligações diárias com a delegada de saúde da minha área de residência e com o médico de família que foi identificado para me acompanhar. Foi me pedida uma identificação exaustiva de todas as pessoas com quem estive durante a semana, e foi isso que fiz. Apesar do incómodo que causei aos outros, foi uma experiência para mim gratificante ver tudo a funcionar”, concluiu.

Na segunda-feira, fonte oficial da Presidência da República informou que os testes realizados pelo chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e primeiro-ministro, António Costa, tinham dado negativo.

Também os testes de outros cinco conselheiros de Estado, os antigos presidentes da República Jorge Sampaio e Aníbal Cavaco Silva, Francisco Pito Balsemão, Leonor Beleza e Francisco Louçã, deram negativo.

Os testes foram realizados após a Presidência da República ter sido informada no domingo que o conselheiro de Estado António Lobo Xavier está infetado com o vírus que provoca a covid-19.

ZAP ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Quando será que vão perceber que a maioria se vai infectar, que tem de ser assim, só assim se vai conseguir lidar e anular o vírus.

    Isto começou porque era preciso atrasar o contagio para dar tempo ao SNS de criar condições para lidar com os infectados, de repente, parece que umas mentes iluminadas acham que conseguimos eliminar o vírus por reduzir o contagio, mas isso nunca será possível, apenas a vacina ou a imunidade de grupo pode resolver o problema.

    Ele cumpriu todas as regras e mesmo assim …

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