Liam Neeson admitiu que já quis matar um “sacana negro” e foi acusado de racismo

O ator Liam Neeson está no centro de uma polémica após ter admitido em entrevista ao jornal britânico The Independent já ter saído de casa para deliberadamente tentar matar um homem negro.

Neeson foi acusado de ser racista, mas, após a repercussão, negou o preconceito. O comentário foi feito durante uma entrevista para promover o seu novo filme, Vingança a Sangue Frio, em que um homem quer punir os responsáveis pelo assassinato do seu filho.

Questionado sobre o comportamento do seu personagem, o ator britânico de 66 anos respondeu que “algo primitivo” surge em alguém quando uma pessoa próxima é vítima de violência. “Deus te livre de ter algum membro da família ferido numa situação criminosa. Vou-te contar uma história. É verdadeira.”

Em seguida, relatou que, há 40 anos, após voltar de uma viagem ao estrangeiro, uma pessoa próxima, que morreu há cinco anos, contou ter sido vítima de violência sexual.

“Ela lidou com a violação de uma forma extraordinária. Mas a minha reação imediata foi… Perguntei-lhe ‘conheces quem fez isso?’ Ela respondeu que não. ‘Qual era a cor dele?’ Ela disse que tinha sido uma pessoa negra”, disse Neeson.

O ator disse ter saído em busca de um alvo para extravasar a sua raiva. “Percorri as ruas com um bastão, esperando que alguém me abordasse – tenho vergonha de dizer isso – e fi-lo durante talvez uma semana, esperando que um ‘sacana negro’ saísse de um bar e tentasse provocar-me sobre alguma coisa. Para que pudesse matá-lo.”

Na mesma entrevista, Neeson disse: “Foi horrível, horrível que tenha feito aquilo. Nunca admiti isto e estou a fazê-lo para um jornalista. Deus me perdoe. Foi terrível, mas eu aprendi uma lição com isso”.

“Não sou racista”, disse Neeson

As declarações provocaram muitas críticas ao ator. O jornalista que fez a entrevista, Clémence Michallon, disse à BBC News que “qualquer um que ouvisse o que ele relatou ficaria chocado e atónito de várias formas, e ele mesmo diz ter vergonha do que pensava e fala que que é algo horrível”.

Carla Hall, colunista do jornal Los Angeles Times, escreveu que este tipo de conduta era “desprezível”, acrescentando que agora ela quer que o ator fale se conseguiu lidar com “qualquer tipo de racismo que ainda tenha”.

Ele era um racista ou apenas um homem abalado, capaz de ser violento para se vingar? Ou era ambos? Claro, era racista. Ele estava pelas ruas a tentar encontrar um homem negro aleatório para matar e deu todos os indícios de ser capaz de ser violento”.

“É uma combinação explosiva. A sua revelação é profundamente perturbadora. A questão é: quanto mudou desde então?”, acrescenta Hall.

Neeson negou no programa Good Morning America ter preconceito: “Não sou racista“. Ele explicou que “nunca tinha experimentado aquele sentimento antes”.

Foi um impulso primitivo de atacar alguém. Neeson reafirmou ter percorrido “deliberadamente áreas frequentadas por negros da cidade, à espera ser provocado para que pudesse reagir com violência física”. “Fiz isto talvez quatro ou cinco vezes.”

Neeson alegou à ABC que teria agido da mesma forma fosse quem fosse o agressor. “Se ela tivesse dito que tinha sido um irlandês, um escocês, um britânico ou um lituano, eu teria a mesma reação. Estava a tentar defender a minha amiga de uma forma terrivelmente medieval.”

O ator disse ter se confessado e passado a fazer caminhadas de duas horas por dia para tentar superar a sua raiva.

Na entrevista à ABC, Neeson afirmou ainda que a sua intenção ao fazer tais comentários era iniciar um debate mais amplo sobre racismo.

Questionado sobre o que desejava que as pessoas aprendessem com a sua experiência, ele disse: “A conversar. A abrir-se. Todos fingimos que somos todos politicamente corretos neste país”.

// BBC

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1 COMENTÁRIO

  1. É óptimo que ele não seja racista. E é corajoso que tenha exposto tais sentimentos e factos. Pode ajudar no debate, sim. E ajudar a compreender a psicologia humana. Não é de atacar o homem, é de o elogiar pois está a ajudar a compreender e evitar os comportamentos racistas

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