“Não há planeta B”. Jovens de todo o mundo fazem greve pelo clima

José Coelho / Lusa

Manifestantes protestam durante a Greve Climática Global

Centenas de estudantes participaram, esta sexta-feira, na Greve Climática Global, alertando os líderes mundiais de que “não há planeta B”.

Porto, Coimbra, Guarda, Lisboa. Estas foram algumas das cidades em Portugal onde estudantes, de escolas básicas e secundárias, bem como professores, ambientalistas e políticos saíram às ruas para participar, esta sexta-feira, na Greve Climática Global.

Durante a iniciativa ouviram-se várias palavras de ordem e recados dirigidos ao Governo. Os manifestantes levantaram cartazes e entoaram cânticos para apelar à defesa do clima.  “Justiça climática”, “Não há Planeta B” e “Estamos a ficar sem tempo” são alguns dos exemplos.

Em Lisboa, vários partidos optaram mesmo por marcar presença na manifestação, como é o caso do PAN, do Bloco de Esquerda, do PS e do PSD., que se encontram em plena campanha eleitoral para as Legislativas de 6 de outubro.

Portugal aderiu à iniciativa com várias ações pelo clima durante a semana, que começou a 20 de setembro e terminou esta sexta-feira com manifestações em várias cidades, um pouco por todo o mundo.

Ambientalistas cortam Avenida Almirante Reis em Lisboa

Várias centenas de jovens cortaram esta tarde a Avenida Almirante Reis, em Lisboa, junto ao Banco de Portugal, bloqueando a circulação do trânsito, numa manifestação pacífica para exigir políticas consistentes para combater as alterações climáticas.

Tendas de campismo montadas no meio da estrada e cartazes com dizeres contra o “colapso climático” são algumas das formas de protesto, numa ação convocada pelo movimento Extinction Rebellion Portugal.

O comissário Serra, do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, disse à Lusa que “a situação está calma” e que a PSP está em negociações com os manifestantes para desimpedir a rua e permitir a circulação rodoviária, tendo para isso feito retirar algumas das tendas.

O comissário Serra adiantou que o direito à manifestação “não pode colidir” com o direito à circulação e que, como tal, estão a negociar com os manifestantes para irem para os passeios e desimpedirem a via.

No local, a garantir a segurança, estão agentes locais da PSP, do serviço da Intervenção Rápida, da Divisão de Trânsito e do Corpo de Intervenção, que estão já a retirar os manifestantes da estrada.

Alguns dos manifestantes, na sua maioria jovens, entre os quais muitos estrangeiros, disseram à agência Lusa que pretendem passar ali a noite.

Greta Thunberg faz-se ouvir no Canadá

A jovem ativista sueca Greta Thunberg, a grande impulsionadora deste movimento, exortou hoje o primeiro-ministro canadiano e outros líderes mundiais a fazerem mais pelo meio ambiente, antes de iniciar, no Québec, uma jornada da greve climática em que Justin Trudeau também participou.

Questionada durante uma breve entrevista antes da manifestação, a jovem afirmou que, como a maioria dos líderes, o primeiro-ministro canadiano “não fez o suficiente” para combater as alterações climáticas.

Greta, que conheceu hoje pessoalmente Justin Trudeau ao início da manhã, enfatizou que não queria “atingir indivíduos”, mas sim “concentrar-se numa visão geral, porque é mais fácil criticar uma única pessoa”.

“A minha mensagem para políticos de todo o mundo é a mesma: escute e aja de acordo com o que a ciência diz“, pediu.

Poucos dias depois do seu retumbante “how dare you?” (“como ousam” em português) durante a reunião dos líderes mundiais nas Nações Unidas, Greta encabeçou hoje uma marcha contra as alterações climáticas considerada uma das mais importantes da história do Canadá.

O primeiro-ministro canadiano, que está em campanha eleitoral para uma reeleição, em que promete nova legislação para proteção do meio ambiente, anunciou que se juntaria ao protesto.

O Comité das Nações Unidas para os Direitos das Crianças saudou a participação de crianças de todo o mundo nas manifestações de luta contra as alterações climáticas, apoiando que “as suas vozes sejam ouvidas e levadas em conta”.

Aquele organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou-se “inspirado pelos milhões de crianças e adolescentes que se manifestaram pela mudança climática”, reconhecendo que os mais novos “já estão a ser afetados pela contaminação, as secas, os desastres naturais e a degradação do ecossistema”.

O presidente do comité, Luis Pedernera, considerou bem-vinda “a ativa e significativa participação das crianças, como defensores dos direitos humanos, em assuntos que os preocupem, como qualquer outra pessoa”.

Em comunicado, o comité recorda que a convenção sobre os direitos das crianças, que celebra este ano o seu trigésimo aniversário, reconhece aos menores de idade o direito à liberdade de expressão e considera inaceitável qualquer ameaça ou abuso pelo exercício dessa liberdade.

ZAP // Lusa

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