Jornal japonês pede desculpa por dizer que trabalhadores de Fukushima fugiram

Kiks Balayon / Flickr

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O diário Asahi, o segundo mais lido do Japão, pediu hoje desculpa na primeira página por um artigo em que afirmava que funcionários da central de Fukushima desobedeceram às ordens e fugiram durante a crise de 2011.

A retificação do artigo, publicado a 20 de maio último, infligiu um duro golpe na credibilidade do jornal, com uma tiragem diária de 10 milhões de exemplares, o qual foi alvo de duras críticas por parte da opinião pública, incluindo do primeiro-ministro, Shinzo Abe.

“Lamentamos profundamente ter publicado este conteúdo errado. Pedimos sinceramente desculpas ao público, sobretudo aos nossos leitores e a todos aqueles que trabalharam em Fukushima Daiichi”, diz o jornal na primeira página.

A história das imprecisões publicadas pelo diário, de tendência liberal e antinuclear, também é tema de capa dos restantes principais diários do Japão: Yomiuri, Nikkei e Mainichi.

O editorial do Asahi foi precedido de uma conferência de imprensa, realizada na véspera, durante a qual o presidente do diário, Tadakazu Kimura, pediu desculpa entre solenes reverências e anunciou a rescisão com o editor executivo Nobuyuki Sugiura e severos castigos para os jornalistas envolvidos, os quais não descarta demitir no futuro, refere a agência Efe.

No artigo de maio, o Asahi noticiou que 90% dos trabalhadores da central de Fukushima, atingida pelo sismo seguido de tsunami de 11 de março de 2011, desobedeceram às ordens do então diretor da central, Masao Yoshida, e fugiram para outras instalações.

O diário disse estar a reproduzir a transcrição do interrogatório a que a comissão de investigação do acidente nuclear submeteu Masao Yoshida e que não tinha sido ainda tornada pública.

O Governo publicou, esta quinta-feira, esses documentos, nos quais Yoshida diz que os trabalhadores abandonaram as instalações, mas que a decisão nunca foi contra as suas ordens e que, além disso, lhe pareceu “a mais correta”.

Tanto Tadakazu Kimura como o editorial no Asahi atribuem o erro a “incorretas interpretações“.

O escândalo ganhou uma maior dimensão uma vez que estalou pouco tempo depois de o Asahi ter admitido importantes erros em reportagens publicadas nos anos 80 e 90 sobre o recrutamento forçado de mulheres coreanas para serem usadas como escravas sexuais do exército japonês durante a II Guerra Mundial.

/Lusa

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