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Um infetado confina dois milhões de australianos. Mayor de Nova Iorque admite disparidades raciais na vacinação

Cerca de dois milhões de australianos iniciaram o seu primeiro dia de confinamento restrito esta segunda-feira após a descoberta de um caso na comunidade em Perth, capital do estado da Austrália Ocidental. Nenhum novo caso foi encontrado desde então.

De acordo com a agência Reuters, as autoridades ordenaram o bloqueio de Perth durante cinco dias depois do segurança de um hotel, usado para colocar pessoas que voltavam do exterior em quarentena, descobrir que tinha contraído o vírus.

O governo estadual disse que 66 pessoas foram consideradas contactos próximos do guarda não identificado e que nenhuma das já testadas estava infetada. “No total, 13 contactos próximos deram resultados negativos e desses 11 contactos de alto risco foram movidos para a quarentena do hotel como uma precaução extra”, disse o primeiro-ministro do estado da Austrália Ocidental, Mark McGowan.

Os testes nos restantes contactos próximos deverão ser concluídos esta segunda-feira.

A Austrália conseguiu conter amplamente a sua nova epidemia, limitando os casos a quase 29 mil e as mortes a 909, com o tipo de ação decisiva vista em Perth e controles rígidos nas fronteiras. A campanha de vacinação deve começar este mês.

Nova Iorque com disparidades raciais na vacinação

Residentes negros e latinos de Nova Iorque estão a ser vacinados contra a covid-19 em números muito inferiores aos brancos e asiáticos, reconheceu o responsável municipal Bill de Blasio, prometendo alargar o acesso à vacina às diversas comunidades.

Os dados divulgados pelo departamento de Saúde demonstram que 48% dos residentes na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, que receberam pelo menos uma dose da vacina são brancos, número que excede largamente o terço da população da cidade que é branca e de origem não latina.

Os números da vacina estão incompletos porque 40% das pessoas que foram vacinadas na cidade não forneceram informação demográfica. No entanto, os números refletem os dados da vacinação de outras cidades e estados, com a comunidade negra em todos os locais a ser inoculada a taxas muito inferiores ao seu peso entre a população.

Apenas 11% das doses de vacinas entre os residentes de Nova Iorque foram atribuídas à população negra e 15% a latinos, apesar de os nova-iorquinos negros e latinos constituírem, respetivamente, 24% e 29% da população da cidade. A percentagem de doses de vacinas disponibilizada aos asiáticos, 15%, é semelhante à sua proporção entre a população da cidade (14%).

“Assistimos claramente a uma profunda disparidade que necessita de ser corrigida de forma agressiva e criativa”, disse Bill de Blasio. “Existe um profundo problema de descrença e relutância, em particular nas comunidades de cor”.

De Blasio disse que as medidas se destinam a aumentar as taxas de vacinação nas comunidades não brancas e incluem a simplificação do processo de aplicação e a tradução dos materiais em línguas adicionais.

A pandemia originou elevadas taxas de mortalidade entre a população negra e latina na cidade de Nova Iorque e em todo o país e os receios de que os dados da vacinação demonstrassem uma semelhante disparidade pressionou de Blasio a divulgar os números.

“As estatísticas demográficas sobre a distribuição da vacina e que a cidade hoje finalmente divulgou após um longo atraso confirmam o que receávamos e esperávamos — que as pessoas e as comunidades de cor, atingidas desproporcionalmente pela pandemia, também foram desproporcionalmente prejudicadas num acesso equitativo à vacinação”, considerou o advogado público Jumaane Williams.

O governador de Nova Iorque, Andrew Como, disse que um estudo sobre quem foi vacinado nesse estado será divulgado nos próximos dias, mas espera que esses números também demonstram disparidades raciais. Andrew Como assinalou ainda que o estado de Nova Iorque está a planear uma campanha para a promoção da vacina especificamente dirigida à população negra nova-iorquina.

Reino Unido aproxima-se dos nove milhões de vacinados

De acordo com a BBC, um recorde de 598.389 pessoas receberam a sua primeira vacina num dia em todo o Reino Unido, este sábado. Um total de 8.977.329 pessoas já recebeu uma dose, sendo que 491.053 delas receberam a segunda.

O secretário de Saúde Matt Hancock disse estar “encantado”, acrescentando que cada vacina “traz-nos um passo mais perto do normal”.

Num vídeo publicado no Twitter, Hancock disse que estava “muito grato a todos que estão envolvidos em fazer isto acontecer” e disse que isso significa que três quartos das pessoas com idade entre 75 e 79 anos e quatro quintos das pessoas com mais de 80 já foram vacinadas.

Jeremy Farrar, diretor do Wellcome Trust e membro do Grupo de Aconselhamento Científico para Emergências (Sage) do governo, descreveu o volume de vacinações como uma “conquista impressionante”.

Anteriormente, o secretário de saúde previu “um verão britânico feliz e livre”, mas alertou para “alguns meses difíceis”, uma vez que ainda há restrições nacionais em todo o Reino Unido enquanto as vacinas são administradas.

Estes comentários surgiram depois de Susan Hopkins, chefe de estratégia da covid-19 da Saúde Pública de Inglaterra, alertar que o fim do atual confinamento deve acontecer “muito lentamente, com muito cuidado”.

“É melhor ser cauteloso, vamos vacinar a população”, disse.

O confinamento de Inglaterra continuará até 8 de março, quando se espera que as escolas possam começar a reabrir, enquanto as restrições nacionais também estão em vigor no País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte.

  Maria Campos, ZAP // Lusa

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