“Inexpressiva minoria”. Novo presidente do TC contra “lobby gay” e “promoção da homossexualidade”

Mário Cruz / Lusa

“Os homossexuais não passam de uma inexpressiva minoria, cuja voz é enorme e despropositadamente ampliada pelos media“. Estas são as palavras de João Caupers, o novo presidente do Tribunal Constitucional (TC), num texto que escreveu em 2010.

João Caupers, professor catedrático, que substituiu recentemente Manuel Costa Andrade à frente do Tribunal Constitucional (TC), escreveu a sua opinião pela homossexualidade em 2010, quando foi aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo, numa publicação que se encontra alojada online no site da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

Segundo o Diário de Notícias, em 2010, João Caupers manifestou ser de “mau gosto” os cartazes que a Câmara de Lisboa “espalhou” pela cidade naquela altura “a pretexto da luta contra a discriminação, promovendo a homossexualidade”.

A campanha da Associação Ilga-Portugal constava de um cartaz com a fotografia de uma mulher e uma criança e a pergunta: “Se a tua mãe fosse lésbica, mudava alguma coisa?”.

“Uma coisa é a tolerância para com as minorias e outra, bem diferente, a promoção das respetivas ideias: os homossexuais não são nenhuma vanguarda iluminada, nenhuma elite. Não estão destinados a crescer e a expandir-se até os heterossexuais serem, eles próprios, uma minoria. E nas sociedades democráticas são as minorias que são toleradas pela maioria – não o contrário. (…) A verdade – que o chamado lobby gay gosta de ignorar – é que os homossexuais não passam de uma inexpressiva minoria, cuja voz é enorme e despropositadamente ampliada pelos media“.

Por outro lado, João Caupers assegurou não ser “adepto” de “nenhuma forma de discriminação, contra quem quer que seja”, e ser-lhe “indiferente” que os amigos “sejam homossexuais, heterossexuais, católicos, agnósticos, republicanos ou monárquicos”, considerando que “as minorias devem ser tratadas com dignidade e sem preconceito, tanto pelo Estado, como pelos outros cidadãos”.

“É-me indiferente que os meus amigos sejam homossexuais, heterossexuais, católicos, agnósticos, republicanos ou monárquicos. Os homossexuais merecem-me o mesmo respeito que os vegetarianos ou os adeptos do Dalai Lama. São minorias que, como, como tais, devem ser tratadas com dignidade e sem preconceito, tanto pelo Estado, como pelos outros cidadãos. (…) A minha tolerância para com os homossexuais não me faria aceitar, por exemplo, que a um filho meu adolescente fosse “ensinado” na escola que desejar raparigas ou rapazes era uma mera questão de gosto, assim como preferir jeans Wrangler aos Lewis ou a Sagres à Superbock”, continua o texto.

O professor rejeitou também o uso do termo “homossexuais”. “Rejeito o uso da palavra gay, a que recorrem os bem pensantes para ‘adoçar’ a dureza agreste dos termos vernáculos portugueses que lhe são sinónimos. Mudar o nome da coisa não muda a coisa”.

Caupers remata a sua opinião, dizendo “que, enquanto membro da maioria heterossexual, respeitando os homossexuais, não estou disposto, nem disponível, para ser ‘tolerado’ por eles”.

Maria Campos, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Ai, ai, ai…. Li tudo e estou confuso: Concordo com parte, discordo do resto…. Deve querer dizer que, contrariamente ao Sr. Dr. Juiz, sou um moderado.

    Preocupa-me no entanto este nível de azedume numa figura que se quer imparcial e equidistante de todos os lados.

  2. “se a minha mãe fosse lésbica?”… Eu não existiria, por isso é uma não pergunta. Mas conheço um pai que é homossexual… E isso mudou alguma coisa?? Se mudou!! Abandonou a mulher e o filho. Fugiu para para um sítio onde ninguém o conhecia… A casa foi para o banco, a mulher foi viver para uma casa da segurança social… Tudo uma maravilha!!

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