Acidente com Alfa Pendular que matou 2 pessoas em Soure. Veículo passou sinal vermelho

Paulo Cunha / EPA

Descarrilamento de Alfa Pendular em Soure.

O descarrilamento de um Alfa Pendular, na zona de Soure, após embater numa máquina de trabalho que se encontrava na linha, matando duas pessoas, pode ter-se devido a erro humano, de acordo com as primeiras conclusões.

O Veículo de Conservação de Catenária (VCC) que foi abalroado na sexta-feira pelo comboio Alfa Pendular, em Soure, distrito de Coimbra, passou um sinal vermelho e entrou na Linha do Norte, refere o organismo responsável pela investigação. Ainda não se sabe porque é que isso aconteceu.

O acidente ocorreu nesta sexta-feira, 31 de Julho, à tarde, quando o Alfa Pendular que seguia na Linha do Norte embateu contra uma máquina da Infraestruturas de Portugal que se encontrava a fazer trabalhos de reparação de catenárias no meio dos carris.



As duas vítimas mortais são os operadores dessa máquina, como confirmou à Rádio Renascença o presidente da Câmara Municipal de Soure, Mário Jorge Nunes.

Segundo uma Nota Informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), a que a agência Lusa teve acesso, o VCC “do gestor da infraestrutura tinha marcha estabelecida para a sua deslocação entre o Entroncamento e Mangualde” e “não iria realizar quaisquer trabalhos no decurso da sua viagem”.

Pelas 15:12 horas, o VCC parou na via de resguardo da estação de Soure a aguardar pela passagem do Alfa Pendular mas, alguns momentos depois, “por razões, que neste momento estão indeterminadas e que serão aprofundadas no decurso da investigação, o VCC reinicia a sua marcha, ultrapassando o sinal que se mantinha com aspecto vermelho”, salienta o GPIAAF.

“Os VCC, tal como a generalidade dos veículos de manutenção de via no nosso país, não estão equipados com o sistema CONVEL, motivo pelo qual não foi desencadeada a frenagem automática resultando na consequente imobilização do VCC 105 antes de atingir um ponto de perigo”, sublinha a Nota Informativa.

A investigação conta que o atravessamento da estação de Soure pelo Alfa Pendular “foi feito à velocidade prevista de cerca de 190″ quilómetros hora, momento em que os maquinistas visualizaram o sinal vermelho na Linha I do Norte (o sinal passou de verde para vermelho porque o VCC entrou na linha I) e o VCC a convergir para a via em que circulavam”.

Após a ultrapassagem do sinal vermelho pelo VCC às 15:25 horas, o sinal da linha I passou automaticamente a vermelho.

Desde a entrada do VCC na Linha do Norte até ao embate passaram 20 segundos.

“O freio foi acionado, sem que tal pudesse impedir a colisão, a qual ocorreu às 15:26 horas. Na sequência da colisão, descarrilaram os primeiros dois veículos do CPA 4005 [Alfa Pendular] e o VCC foi arrastado à sua frente durante cerca de 500 metros, até à imobilização do conjunto”, refere a nota.

O acidente matou os dois trabalhadores do VVC.

Seguiam 212 passageiros no comboio, 44 dos quais ficaram feridos, oito deles com gravidade. O ferido que mais cuidados inspira é o maquinista que ficou encarcerado no comboio devido ao acidente.

Entretanto, segundo a última actualização do Comando Distrital de Operações (CDOS) de Coimbra, dos 44 feridos, 4 tiveram alta no local, 28 foram transportados para o hospital universitário de Coimbra, incluindo 3 crianças, e 12 foram assistidos no Hospital da Figueira da Foz.

O comboio “estava a desfazer-se”

“Os bancos, as malas, tudo o que era ferros rebentou por todos os lados“, conta à TSF o passageiro José Pereira, de 73 anos, que seguia no Alfa Pendular aquando do acidente.

“Durante uns minutos largos houve pessoas em pânico“, diz ainda este passageiro, salientando que à medida que o comboio ia travando “estava a desfazer-se”.

Segundo José Pereira, foi “a calma das pessoas, a ajudarem-se umas às outras, a levantar-se e a pegar nas malas”, que evitou consequências ainda piores.

Ele conta que ainda foi necessário partir janelas “para entrar ar porque estava tudo bloqueado, não se podia abrir as portas nem nada”, antes de as autoridades chegarem.

Acidente “criminosamente grave” e “inexplicável”

O especialista em Transportes e Vias de Comunicação Luís Cabral da Silva considera que este acidente é “criminosamente grave” e “inexplicável”.

“Não se percebe como é que um comboio Alfa Pendular vá bater numa dresina (máquina) que está a fazer a manutenção da linha onde o comboio vai passar”, destaca em declarações à Lusa, notando que “é um exemplo da irresponsabilidade completa” da Infraestruturas de Portugal, empresa criada em 2015, da fusão entre a Rede Ferroviária Nacional – Refer e a Estradas de Portugal.

No entender de Luís Cabral da Silva existem “várias questões técnicas que falharam e que motivaram este acidente”. “Em rigor, o comboio não deveria lá chegar por causa do controle de velocidade”, mas “pelos vistos chegou e bateu”, nota.

“Não se programa a viagem de um comboio pendular por uma linha que tem lá trabalhos de manutenção. Isto não entra na cabeça de ninguém“, critica ainda o especialista.

Luís Cabral da Silva questiona também o facto de o sinal da linha não estar fechado e de não ter existido “qualquer comunicação” sobre a presença da máquina no local. “Quem é que a mandou para lá? Acho que isto não se deve fazer durante o dia”, salienta.

“Tudo isto aponta para uma grande incompetência criminosa da Infraestruturas de Portugal”, conclui.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) já está a investigar o acidente.

A Infraestruturas de Portugal anuncia em comunicado que também que “já iniciou uma investigação interna ao acidente” e que está “a colaborar com o GPIAAF no apuramento das causas e responsabilidades”, prometendo agir “em conformidade com as suas conclusões”.

“Segurança ferroviária não está em causa”

O Alfa Pendular seguia no sentido Sul-Norte, tendo saído de Santa Apolónia, em Lisboa, às 14 horas, e tinha como destino final Braga. O acidente ocorreu, pelas 15:30 horas, perto da vila de Soure, mais concretamente junto à localidade de Matas, na região Centro.

A circulação na Linha do Norte está interrompida entre as estações de Alfarelos e Pombal e “devido à complexidade dos trabalhos ainda não é possível prever quando será restabelecida”, informa a Infraestruturas de Portugal em comunicado.

Nesta altura, decorrem os trabalhos para “remoção das composições acidentadas” e “para reabilitação da via e da catenária”, informa ainda a empresa, apresentando “as condolências às famílias dos trabalhadores” que morreram.

Também o Presidente da República e o primeiro-ministro já enviaram as suas condolências às famílias das vítimas.

O Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, fez o mesmo, lamentando o acidente e desejando as melhoras aos passageiros feridos.

“A segurança ferroviária em Portugal não está em causa“, assegura ainda Pedro Nuno Santos em declarações aos jornalistas no local do acidente, garantindo que já foi iniciado o “trabalho de investigação” para apurar “as causas deste acidente” e para perceber “o que aconteceu de errado” e tirar “todas as ilações do que aconteceu”.

“O Alfa Pendular, a infraestrutura rodoviária, a sinalização são hoje sistemas modernos que garantem uma grande segurança. A ferrovia é um dos meios de transporte mais seguros, mas, infelizmente, acontecem acidentes“, frisa ainda o ministro.

Pedro Nuno Santos também elogia a “resposta rápida e adequada” dos meios de socorro.

ZAP // Lusa

 

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5 COMENTÁRIOS

  1. O grande problemas com o caminho de ferro em Portugal, é a parafernália de entidades relacionadas com o setor, e que de maneira direta ou indireta, intervêm na área de produção e negócio. É a CP, a Refer, a Infraestruturas de Portugal, enfim, difícil será haver uma articulação segura e fiável entre todos.

  2. Tudo o que for contraditório ao pulilo do Socas é de má lingua e incompetência.
    Parece-em é que o Galamba (um boy que nem “encartado” é) está com fome de fotocópias…

  3. “A segurança ferroviária em Portugal não está em causa“ afirma o senhor ministro PNS, mas eu até julgo que sim porque isto foi um acidente bem evitável, até mais parece uma garotice e de facto aquilo não é trabalho para garotos brincarem aos comboios, exige segurança e responsabilidade e isto foi uma ou mais falhas gravíssimas que não podem voltar a acontecer, foram vidas ceifadas, serão outras afetadas para o resto da vida e são largos milhares de euros de prejuízo numa empresa já de si deficitária que nos custa a todos bem caro, para mais ainda vai originar receio a quem decidir viajar de comboio e a quem lá trabalha.

  4. Só vem confirmar que o país está preso por arames e a incompetência do PS é quem mais ordena.Só falta alguém dizer que a culpa é do ”Passos.Cambada de burros incompetentes.

  5. “A segurança ferroviária em Portugal não está em causa“, depois das afirmações do espcialista acima, o sr ministro com m bem pequenino, só pode estar a gozar com a malta.

    nada de novo nestes srs que há muitos anos nos desgovernam.

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