Espanha pondera “fechar Madrid”. Reino Unido recusa encerrar-se em casa

Wu Hong / EPA

Pedro Sánchez vai decretar estado de alerta em Espanha este sábado. O presidente da Câmara de Madrid diz que “o fecho de Madrid está mais perto do que pensamos”.

O Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que vai decretar estado de alerta este sábado, durante pelo menos 15 dias. Este sábado, o Conselho de Ministros está reunido para definir novas medidas e, segundo o Observador, o fecho de fronteiras está em cima da mesa.

Ao início da tarde, o Governo espanhol decretou quarentena obrigatória para travar o surto. Desta forma, os espanhóis só podem sair à rua em situações de urgência ou força maior, para se deslocarem para o trabalho, irem à farmácia ou supermercado ou dar assistência a idosos.

Segundo o documento que vai ser aprovado este sábado, em Conselho de Ministros extraordinário, a partir da próxima segunda-feira todos os espanhóis terão de ficar nos respetivos domicílios, exceto em casos concretos.

Espanha é o segundo país europeu mais infetado pela pandemia, e regista 132 mortos e mais de 5.500 infetados. Uma das zonas mais afetadas é a capital, Madrid, onde já há mais de 2.600 casos e 86 pessoas morreram.

Em entrevista ao El País, José Luis Martínez-Almeida, presidente da Câmara Municipal, disse que “o fecho de Madrid está mais perto do que pensamos”, no que diz respeito às “restrições de mobilidade”, como foi adotado em Itália. “Vai depender se a evolução do pico de contágios para os próximos três ou quatro dias se mantém dentro das previsões ou se, pelo contrário, assistimos a um cenário acima da média.”

Nesta sexta-feira, o presidente da Generalitat, Quim Torra, também lançou um apelo a Pedro Sánchez para que feche as fronteiras, uma medida que só pode ser decidida a nível nacional. “A evolução do contágio exige-nos que sejamos mais drásticos.”

Reino Unido desconfia da abordagem europeia

Ao contrário dos países vizinhos, o Reino Unido adotou uma abordagem comedida para fazer frente ao surto do novo coronavírus no seu território. As escolas continuam abertas e é aconselhado autotratamento para pessoas com sintomas de gripe. No entanto, esta atitude não significa que, em Downing Street, não haja preocupação.

“Haverá mais famílias que perderão os seus entes queridos antes do seu tempo”, disse Boris Johnson na quinta-feira, num discurso dirigido à nação. Este discurso, aliado à recusa de fechar escolas e espaços públicos, motivou uma onda de contestação, quer na oposição, quer na comunidade científica.

Segundo as estimativas do Governo, o Reino Unido está a cerca de quatro semanas de distância dos casos europeus mais graves, em termos de propagação. Desta forma, explica o Público, os seus conselheiros científicos acreditam que é muito cedo para impor medidas mais restritivas.

As principais medidas de contenção decretadas são o isolamento, durante uma semana, de todas as pessoas que apresentarem “sintomas semelhantes” a uma gripe normal; a proibição de viagens escolares para fora do país; a recomendação a idosos que evitem cruzeiros e o cancelamento de eventos desportivos e das eleições locais inglesas e galesas.

O Governo britânico considera que o isolamento da maioria da população, antes de se atingir o pico do contágio, é contraproducente, e pode originar fadiga desnecessária nas pessoas.

Hubei sem novos casos suspeitos

A China anunciou este sábado 11 novos casos e mais 13 mortes causadas pela Covid-19. Os números da Comissão Nacional de Saúde, que excluem as regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong, apontam para mais três casos e três mortos em relação ao dia anterior. Dos 11 novos casos, sete foram importados.

O número total de mortos na China continental é agora de 3.189, enquanto o número de infetados subiu para 80.824. Todas as mortes foram registadas na província de Hubei, onde começou a propagação do novo coronavírus e que está em quarentena desde 23 de janeiro. No entanto, as autoridades sublinharam que esta província, incluindo a capital, Wuhan, não apresentou novos casos suspeitos nas últimas 24 horas.

Quatro dos novos casos são importados e foram detetados na cidade de Xangai, dois na província ocidental de Gansu e o outro na capital, em Pequim. A Comissão Nacional de Saúde da China informou ainda que, no mesmo período de 24 horas, 1.430 pessoas receberam alta hospitalar.

Segundo dados oficiais, 65.541 pacientes receberam alta desde o início da epidemia e mais de 678.935 pessoas que tiveram contacto próximo com os infetados foram monitorizadas clinicamente, das quais 10.879 ainda estão sob observação.

A prioridade das autoridades chinesas, que na quinta-feira garantiram que o pico das transmissões terminara, está agora em proteger o território contra a importação de casos de outros países.

Número de casos baixa na Coreia do Sul

A Coreia do Sul anunciou este sábado que identificou, nas últimas 24 horas, mais 107 pessoas infetadas pelo novo coronavírus, uma redução no número de casos diários pelo terceiro dia consecutivo.

Com as 107 novas infeções registadas na sexta-feira, três a menos que no dia anterior e o menor número em três semanas, o país asiático identificou até ao momento 8.086 casos. Desses, 7.300 são casos ativos, com 714 pacientes a receberem alta hospitalar. A Coreia do Sul registou ainda mais cinco mortes, elevando o total para 75 mortes.

Das 107 novas transmissões, a maioria, 68, foram identificadas no foco principal do país, localizado na cidade de Daegu e na província de Gyeongsang do Norte, que acumulam 88% de todos os casos nacionais, informaram as autoridades. No entanto, ambas as áreas, com um total de cinco milhões de habitantes, têm registado uma redução significativa no número de novas infeções há vários dias.

O número de pessoas infetadas desde dezembro pelo novo coronavírus no mundo aumentou para 143.400 e o número de mortes subiu para 5.402, segundo um balanço feito pela AFP às 09:00 deste sábado. No total, foram registadas em 135 países e territórios 2.677 contaminações e 55 novas mortes desde o último balanço, às 17:00 de sexta-feira.

A China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau), onde a pandemia eclodiu no final de dezembro, contabilizou um total de 80.824 casos, incluindo 3.189 mortes e 65.541 recuperações. Onze novos casos e 13 novas mortes foram anunciados entre sexta-feira e sábado. Em outras partes do mundo, foram registadas 2.213 mortes (42 novas) para 62.583 casos (2.665 novas).

Os países mais afetados depois da China são Itália, com 1.266 mortes para 17.660 casos, Irão com 514 mortes (11.364 casos), Espanha com 121 mortes (4.231 casos) e França com 79 mortes (3.661 casos).

O novo coronavírus responsável pela Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, já provocou mais de 5.300 mortos em todo o mundo, levando a OMS a declarar a doença como pandemia. O número de infetados ultrapassou as 140 mil pessoas, com casos registados em mais de 120 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 112 casos confirmados.

ZAP // Lusa

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