Há uma correlação entre religião e felicidade (e não é a que esperávamos)

A maioria dos 10 países mais felizes do mundo é pouco religiosa, estando a Finlândia em primeiro lugar, a liderar uma série de países do norte da Europa.

A lista que correlaciona a religião e a felicidade, na qual Portugal aparece na 77.ª posição, foi estabelecida no Relatório Mundial da Felicidade de 2018, da ONU, recorrendo a dados de 156 países, obtidos entre 2005 a 2017.

Para obtenção dos resultados foram relacionados fatores como o PIB per capita, apoios sociais, esperança média de vida, liberdade para fazer escolhas, generosidade e a perceção da corrupção por parte da população.

No referido ‘ranking’, onde a Finlândia domina com uma pontuação de 7,632, numa escala de 0 a 10, constam nações como a Noruega, a Dinamarca e a Islândia, nas quais a religião foi perdendo importância ao longo do tempo.

O Brasil, que tem uma maioria esmagadora de cristãos, ocupa a 28.ª posição na lista da felicidade. Em contrapartida, a vizinha Venezuela está em 102.o lugar, a pior colocação da lista relativamente aos países da América Latina.

 

Dando força à hipótese estabelecida no Relatório Munidal da Felicidade, Burundi, cuja proporção de cristãos é semelhante à do Brasil, está em último lugar da tabela, sendo considerado o país menos feliz do mundo.

Provando que a mesma não é regra, Portugal, o 9.º país mais religioso da Europa segundo uma pesquisa do Pew Research Center, encontra-se a meio da tabela quanto ao índice de felicidade, com 5,410 pontos.

Mas correlações entre a religião, no entanto, não ficam pela felicidade. Especialistas têm estabelecido diferentes ligações, talvez não tão óbvias, entre a religiosidade e outros fatores da vida, como é o caso do sucesso escolar.

Uma investigação da Universidade de Leeds Beckett (Reino Unido) e da Universidade do Missouri (Estados Unidos), divulgada em março de 2017 pelo The Independent, quanto mais religioso o país, menor a probabilidade de os jovens terem sucesso em disciplinas ligadas à matemática e às ciências, em comparação com países mais agnósticos ou ateístas.

USP Imagens

Alunos de países mais religiosos têm maior probabilidade de insucesso em disciplinas associadas às ciências e matemática

Neste estudo, onde concluiu-se que as mulheres são mais religiosas que os homens, foi encontrada uma forte correlação negativa entre o tempo dispensado na educação religiosa em escolas secundárias e o desempenho dos alunos.

Este resultado foi obtido ao ordenar 82 países numa “escala de religiosidade”, cruzando esses resultados com a ‘performance’ escolar dos últimos 10 anos.

A República Checa, o Japão, a Estónia, a Suécia e a Noruega destacam-se, nesta pesquisa, como os países que melhor separam as questões de Estado e de religião, ao contrário do que se passa na Jordânia, no Iémen, no Egito, na Indonésia e no Qatar.

Embora o estudo não tenha questionado diretamente os estudantes sobre a sua religiosidade, os responsáveis pelo mesmo concluem que a incompatibilidade entre a evolução e as crenças tradicionais é uma das causas que explicam os piores resultados na área das ciências exatas.

Taísa Pagno, ZAP //

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13 COMENTÁRIOS

  1. Sabe por que a pesquisa não associou a felicidade à religião? Porque os critérios utilizados para a avaliação nada tiveram a ver com religião ou religiosidade. Quando for feita uma pesquisa mais voltada ao ser humano e a forma como ele se relaciona com um Outro maior, com os outros seres humanos e fazendo essa ligação do seu eu com o mover da vida, talvez tais dados apareçam. Abraço a todos!

  2. Estudos há muitos! É só encomendar!
    Até (os) há que relacionam a quantidade de chocolate consumida num país com o número de prémios Nobel atribuídos, com a conclusão que mais chocolate comido-> mais prémios Nobel recebidos.
    É preciso não saber o que significa “religião”!

  3. As pessoas do norte da Europa sobretudo Escandinavia são nada felizes. Pergunto-me como sempre apresentam “estudos” fingindo que são felizes. Há escuridão as 4 da tarde e altas taxas de suicidio e depresão. Tem casas pequenas , carros pequenos e quando se pede para pintar um muro custa EUR 2000,- Não se deixam enganar por estes “estudos”.

  4. Nunca vi nada tão pouco científico e conclusão tão adulterada e ideológica: se os critérios que contam são coisas como o o PIB, como se pode depois tirar elações sobre a relação entre a felicidade e a religião?
    Num questionário multifatorial as conclusões sobre um fator são aquilo que se quiser!!
    Por isso, se quiserem ver a relação devem ver pessoa a pessoa: é religioso? grau de religiosidade? É feliz? grau de felicidade? … e depois podemos conversar.
    Já agora… SIM, quem é mais religioso no geral é mais feliz. Todos os estudos sérios apontam isso (e já o arauto da morte de Deus, Friedrich Nietzsche , mostrava que a morte de Deus é o fim da felicidade.

  5. Ruim. Alemanha e EUA estão bem colocados e são países cristãos em 80% da população. Israel está lá entre os primeiros e é um Estado fundamentalista religioso a ponto de lutar até o fim do último átomo para cumprir a promessa e a professia da Jerusalém eterna e sagrada

  6. Que estudo completamente estúpido, então não é certo e sabido que em qualquer país desenvolvido, em que a população não passa necessidades, a religião é um pouco esquecida??? É precisamente nos países pobres, que a população se refugia na religião, seja ela qual for, o ser humano é assim, em necessidades, enchem igrejas, com uma vidinha confortável, esquecem a religião.

  7. Não sei qual a importância de cada critério no estudo, só tenho a dizer que esta classificação é uma piada. Colocar Portugal ao nível do Paquistão e abaixo da Líbia?

  8. Declaração de interesses: não professo qualquer religião. Sou agnóstico.
    A associação entre o PIB, a felicidade e a religiosidade é de uma ignorância e estupidez total. Onde está a base científica para se tirar esta “conclusão? Por exemplo, na Venezuela, país eminentemente católico, o localização do PIB na lista tem só a ver com a qualidade da governação que, por acaso, apesar de se fingir católica, a sua base política é eminentemente ateia. Fazer uma associação destas é o mesmo que dizer que a felicidade (logo, a reliogisidade, no conceito expresso na “notícia”) é inversamente proporcional ao consumo de bananas. Disparate, não é verdade?

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