“É uma opção das pessoas”. Graça Freitas explica toma da vacina da Janssen em menores de 50 anos

Manuel De Almeida / Lusa

Graça Freitas explicou esta terça-feira como vai funcionar na prática a norma publicada pela Direção-Geral da Saúde sobre a vacina da Janssen, que permite as pessoas com menos de 50 anos de poderem dar o consentimento informado para a administração desta vacina.

A diretora-geral da Saúde explicou que, no local, as pessoas receberão um folheto informativo com toda a informação necessária para tomarem uma decisão informada e, se quiserem ser vacinas, serão vacinadas. Caso queiram aguardar por “novos dados e nova informação” que permita outra vacina, serão convocados para a vacinação.

”É uma opção das pessoas, devidamente informada. Como sabem, o risco é mínimo, portanto, se uma pessoa assumir a título individual que não se importa de ter um risco infinitamente pequeno, pode fazê-lo”, explicou.



Em relação à vacina da AstraZeneca, recomendada para pessoas acima dos 60 anos, Graça Freitas afirmou que a Agência Europeia do Medicamento licenciou a vacina, que está autorizada para qualquer idade, acima dos 18 anos.

”Se está autorizada para acima dos 18 anos ser administrada a primeira dose, em coerência com essa autorização, também está a segunda”, salientou.

A diretora-geral de Saúde falou ainda sobre a atual situação do plano de vacinação, sublinhando que mais de 260 mil portugueses já receberam a primeira dose e mais de 900 mil, a caminho do milhão, já receberam a segunda dose. Graça Freitas acredita ainda que o plano vai estar pronto para “aumentar o ritmo” da administração de vacinas.

”Portugal tem estado a dar as vacinas todas que vai recebendo. Só a partir desta semana e da próxima é que vamos ter vacinas suficientes para aumentar o ritmo de vacinação”, esclareceu.

A diretora-geral da Saúde destacou ainda o número de pessoas já vacinadas em Portugal, sublinhando que “o nosso país tem feito pela vacinação tudo o que é possível fazer”.

”Estamos preparados para vacinar 100 mil pessoas por dia, apesar de ser uma operação complexa, com dias altos e menos altos. Está ser feito tudo do ponto de vista da logística para que isso aconteça”, garantiu.

Ainda assim, Graça Freitas pede aos portugueses que não baixem a guarda até haver uma maior percentagem de pessoas vacinadas contra a covid-19.

“Nós temos que ter muita calma. A vacinação é de facto um instrumento extraordinário, mas temos que aguardar”, defendeu.

“Todo o esforço que fizermos, todos os bons números que alcançamos têm que ser mantidos e, portanto, vamos ter um bocadinho mais de calma”, disse, salientando que não é pelo facto de as pessoas estarem vacinadas ou com imunidade natural, porque contraíram a doença, que se deve baixar a guarda.

Sobre a situação epidemiológica em Portugal, adiantou que “tudo indica” que está a haver contenção por parte da população, tendo em vista os números.

“Tudo indica que estamos de facto a ser cuidadosos, como cidadãos (…) a questão de haver medidas cirúrgicas para determinadas zonas também é muito útil, porque impede a dispersão da doença, mas o estar a correr bem deve incentivar-nos ainda mais de continuarmos a fazer tudo para que continue a correr bem”, sustentou.

Portanto, realçou, “ainda não está na altura de levantar o pé e de começar uma vida totalmente normal”.

Mesmo sem restrições, algumas vacinas estão em risco de não serem usadas

A Comissão Técnica de Vacinação Contra a Covid-19 garantiu esta quarta-feira que a quantidade de vacinas adquiridas por Portugal levará a que algumas possam não ser utilizadas, pois são mais do que as pessoas elegíveis.

Em declarações numa audição na comissão parlamentar de Saúde, a pedido do PSD, sobre as razões que serviram de base às alterações dos critérios de vacinação, o coordenador da Comissão Técnica de Vacinação Contra a Covid-19, Valter Fonseca, disse que mesmo sem as restrições de idade relativas às vacinas da AstraZeneca e da Janssen, já haveria algumas vacinas que podiam não ser usadas tendo em conta as doses compradas por Portugal.

Sobre a justificação das restrições, disse que foram sempre definidas com base em avaliações feitas, país a país, sobre a incidência da doença, a existência de vacinas alternativas e a ponderação benefício/ risco.

“Tivemos em consideração que o número de eventos [efeitos secundários] era muito baixo, apesar de alguma gravidade, mas que as vacinas eram absolutamente seguras acima dos 60 [AstraZeneca] e 50 anos [Janssen]”, afirmou Valter Fonseca, quando questionado sobre o porquê das restrições à vacinação de pessoas abaixo destas idades relativamente às duas vacinas.

A propósito das diferentes opções dos países europeus quanto às restrições de idade relativamente às vacinas da AstraZeneca (Vaxzevria) e da Janssen (farmacêutica do grupo Johnson & Johnson), Luís Graça, médico imunologista e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, esclareceu que “as autoridades de saúde dos diferentes países olham para os dados de forma diferente”.

“As autoridades do medicamento avaliam os medicamentos isoladamente. No caso da vacina, observam o risco-benefício de forma global na população”, afirmou, explicando que os países “devem olhar para os dados e comparar com o seu estado epidémico – um país com grande transmissão de infeção não está nas mesmas condições de um outro com menor estado epidémico -, avaliar a disponibilidade de outras vacinas alternativas, o estado da vacinação e até o risco em diferentes grupos populacionais”.

“O que muitos concluíram é que, existindo outras vacinas e havendo um risco pequeno, mas identificado, restrito a uma determinada faixa etária, é prudente que [a vacina] seja administrada em populações onde esse risco não se observa, havendo outras vacinas para dar cobertura à população onde o risco está presente. Assim, conseguimos minimizar o risco, não pondo em causa o benefício da vacinação, pois todos vão ser vacinados, independentemente da sua idade”, acrescentou o especialista.

Sobre a estratégia a adotar relativamente à segunda dose da vacina da AstraZeneca em pessoas abaixo dos 60 anos, Valter Fonseca, por seu lado, disse que está a ser considerada a possibilidade de uma vacina de outra marca, mas sublinhou que “ainda há estudos a serem feitos”, dos quais haverá resultados ainda este mês.

“O que está a ser considerado é uma vacina de outra marca na segunda dose. Há estudos ainda a serem feitos”, afirmou o responsável, acrescentando que alguns dados mostram que num intervalo superior a 12 semanas ainda se mantém a proteção conferida pela primeira dose.

Os estudos de que se aguardam resultados são exatamente relacionados com esquemas vacinais mistos (vacinas diferentes na primeira e segunda dose), “mas há informação de plausibilidade biológica e experiência com outras vacinas que indicam que é uma alternativa acertada”, disse.

“Os dados mostram que é defensável (…), mas sem nunca deixar de envolver o cidadão no processo de decisão”, afirmou Valter Fonseca, referindo-se à possibilidade que a Direção-Geral de Saúde introduziu de a pessoa escolher se prefere aguardar por novos dados ou tomar no intervalo determinado a segunda dose da mesma vacina (AstraZeneca).

Sobre a vacinação de quem já esteve infetado, justificou a opção de vacinar pessoas recuperadas da infeção há pelo menos seis meses afirmando: “Os estudos mostram robustez na imunidade adquirida pela infeção natural”.

Ana Isabel Moura, ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Para a opçao ser realmente das pessoas, devia haver mais informaçao e menos propaganda, e menos intimaçao pelo medo.

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