Governo no “limite” das nomeações familiares. Marcelo chuta para Cavaco

José Coelho / Lusa

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República recordou esta terça-feira que foi o seu antecessor, Aníbal Cavaco Silva, que nomeou quatro membros do Governo com relações familiares. Depois disso, frisa Marcelo Rebelo de Sousa, “nenhum outro membro” foi por si nomeado com relações de proximidade para exercer funções.

Instando a comentar a maré de nomeações familiares no Governo, que têm sido alo de duras críticas em Portugal e até em Espanha, Marcelo Rebelo de Sousa foi direto, afirmando que “a família de Presidente não é Presidente”.

“Tenho sobre essa matéria uma posição muito pessoal, ao longo da minha vida política e também agora no exercício da presidência, que é o entender que família de Presidente não é Presidente”, começou por dizer o chefe de Estado que falava em Guimarães, à margem da entrega do prémio mundial de inovação em engenharia de pontes “BERD–FEUP Wibe”, atribuído a um grupo de autores da Universidade de Queensland, na Austrália.

“E portanto nisso peco por excesso, no sentido de entender que deve haver uma visão, sobretudo num órgão unipessoal como é o Presidente, mas tem marcado a minha vida, que é de não confundir as duas realidades”, sustentou.

Quanto ao atual Governo, Marcelo disse que apenas se limitou a aceitar a designação de Cavaco Silva, “que foi a de nomear quatro membros do Governo com relações familiares, todos com assento no Conselho de Ministros”. Tal como recordou Marcelo, foi Cavaco Silva que aceitou o atual Executivo. O atual Presidente da República tomou posse em 2016, um ano depois de o Governo de António Costa ter começado a governar.

O Presidente disse ter aceite esta solução “partindo do princípio de que o Presidente Cavaco Silva, ao nomear aqueles governantes, tinha ponderado a qualidade das carreiras e o mérito para o exercício das funções”. “Depois disso, não nomeei nenhum outro membro com relações familiares para o exercício de funções no executivo e com assento no Conselho de Ministros”, salientou ainda o chefe de Estado.

Atualmente, o Executivo socialista conta já quatro governantes com assento no Conselho de Ministros, entre os quais, Ana Paula Vitorino, ministra do Mar e esposa de Eduardo Cabrita, que tem a pasta da Administração Interna; e o ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, pai da ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva.

Do “escândalo” à “sanção” política

Apesar de a polémica das relações próximas no Governo ter já vindo a público há semanas, a oposição parece não querer deixar adormecer o assunto. A presidente do PSD observou esta quarta-feira que o organigrama do Governo “mais parece uma árvore genealógica”. Em igual sentido, também o PSD continua a apontar baterias ao Governo, defendendo que deve haver uma “sanção política” para a “avalanche de casos”.

“Quando nós olhamos para o organigrama do Governo e mais parece uma árvore genealógica, eu creio que todos ficam estupefactos”, salientou Assunção Cristas, apontando que “o Partido Socialista mostra aquilo que tem sido sempre quando governa: usa o Estado como se fosse a sua casa”.

A líder centrista, que falava à margem de uma iniciativa sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, que decorreu no Parlamento, em Lisboa, disse ainda acreditar que, “neste momento, não há quem não se escandalize”.

Por sua vez, o presidente do PSD, Rui Rio, defendeu nesta terça-feora que deve haver uma “sanção política” e não por decreto do que chamou de “avalanche de casos” de nomeações para cargos públicos de pessoas com ligações familiares ao Governo.

“Se a população portuguesa tiver conhecimento de todos os casos, acaba o Governo, neste caso o PS, a pagar em aceitação e popularidade, por uma coisa que é terceiro-mundista”, afirmou, questionado sobre novos casos de nomeações de familiares de membros do executivo para cargos públicos, no final de uma audiência com a UGT, em Lisboa.

Rio salientou que se se tratasse de “um ou outro caso”, seria aceitável o argumento de que uma pessoa não pode ser prejudicada por ser casada com ‘A ou B’, mas não com “esta avalanche de casos”.  O líder do PSD foi ainda questionado sobre se o Presidente da República deveria intervir neste caso. Recusando adiantar o que Marcelo deve fazer em concreto, admitiu que, “num dado limite, possa ter uam intervenção”.

“Esta situação não é muito evitável por decreto, é mais por sanção política”, frisou Rui Rio.

Sara Silva Alves SA, ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. Claro que sim, o aproveitamento politico não tarda a aparecer!
    Especialmente sobre algo que não tem qualquer questão… Não percebo definitivamente qual a celeuma com o facto de haver relações familiares entre ministros, assessores ou secretários de estado… São todos nomeados por escolha directa sem qualquer tipo de concurso, e normalmente são cargos que requerem, de quem os escolhe, uma grande dose de confiança. Ora é normal que se escolham pessoas em quem se confia, independentemente de serem família ou não!
    Isto é tudo uma mão cheia de nada e com este “nada” a oposição pretende ganhar pontos nas europeias… Simples!

    • Para dizer tanta asneira mais valia estar calada. O Estado somos todos nós, eu a Srª e todos os outros. A conversa da treta é que os lugares públicos são ocupados por concurso público transparente e entram os mais capazes e habilitados. Claro que pode ocorrer que o mais habilitado seja um familiar mas isso é apurado num concurso público transparente. Confiança política é o quê ?
      Abra a pestana …

  2. O mais importante é saber se são competentes ou não na função que desempenham. O resto é blá, blá, blá…para nos irem mantendo ocupados.

  3. Estes são os que já casaram… 🙂 faltam os que por enquanto só dormem uns com os outros, de tempos a tempos… :))

  4. Está na hora do aperto. É preciso criar celeumas para instalar a desconfiança no governo. A hora de de ganhar votos a qualquer preço e a qualquer honra. Os partidos são agências de emprego e torna-se necessário preparar o terreno para, depois, «fartar vilanagem». E é feio, muito feito, este tipo de ataques, quando as mãos são impuras. É mesmo muito feio.

    Querem concorrer às europeias e às legislativas? Façam-no de um modo correto e limpo. Digam ao que vêm com todas as letras! Não mascarem as situações.

  5. Então o MRS não disse que não comentava governações de antigos presidentes?
    Agora foi mais forte a necessidade do que a palavra tal é o escaldanço em que se meteu por apadrinhar este governo.

  6. Mais uma vez este feijão frade vem em apoio da geringonça e seus comparsas. Para melhor fundamentar a questão vai ainda buscar coisas que aconteceram nos tempos do seu antecessor. É preciso ter lata…!

  7. Sr. Presidente da Républica, Sr. Marcelo Ribeiro de Sousa não se desculpe como a Geringonça que atira tudo ao governo anterior , pois hoje estamos muito pior e próximos de cair no abismo, se nada for feito. Eu sou socialista sim mas socialista de Esquerda /Centro e não extremista…, mas não pacutuo com governos que se aliam á extrema esquerda…Não gosto de extremismos nem esquerda ou direita.
    Tem de haver Esquerda/Centro e Direita/Centro extremismo não vejam os países extremistas é tudo DITADURAS…
    E assim Sr. Presidente a ASSEMBLEIA DA RÉPÚBLICA QUE É A “CASA DO POVO”.
    Hoje é sim É ASSEMBLEIA FAMILIAR” que até deixa de ser do POVO!!!!
    É TRISTE MAS É A REALIDADE….
    Sr. Presidente não se fala de 2,3,4 familiares mas sim muitas dúzias tanto na Assembleia da Répública, Governo, Empresas Públicas e na Função Pública de altos cargos…
    Só falta as Sogras e Sogros…
    Admira-me o beicinhos do PS ser candidato á Europeias, é um desastre colocar alguém que não soube nada fazer em cargos que já teve e ultimo era Ministro das Infraestruturas de Portugal, QUE FEZ?
    NADA, A NÃO SER UM COMBOIO QUE PERDEU UM MOTOR!!!!
    VERGONHOSO E QUE VAI FAZER NA UNIÃO EUROPEIA!!!!!!!!!??????????
    Sr. Presidente deve sim dizer aos portuguêses quem foi o responsável por TANCOS, PEDROGÃO GRANDE, MONCHIQUE, BORBA, E MUITO MAIS, POIS os portuguêses nada sabem…
    A lembrar a responsabilidade de Pedrogão Grande na Estrada Nacional 236.3 onde morreram mais de 56 pessoas carbonizadas desde crianças, jovens adultos, idosos etc… Foi de António Costa Ministro da Administração Interna e Ministro da Justiça do Governo de Sócrates e depois por traição ao meu Camarada António José Seguro, mesmo perdendo as eleições se juntou á Extrema Esquerda, para ser 1.º Ministro era o que sempre quis…por interesse próprio.
    Pois é bom lembrar que os eucaliptos deveriam estar a 10 metros da faixa de rodagem em cada lado, se estivessem não havia sequer um ferido ou morto nesse local, só um idiota é que não vê que a lei é para todos e assim por culpa de António Costa e seus seguidores assim morrem mais de 56 pessoas… E ninguém é responsávél!!!!
    TENHO DITO

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