“Governo que encobre crimes”. Acusação de Tancos entra na campanha eleitoral

Estela Silva / Lusa

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas

Os líderes partidários já se pronunciaram sobre a acusação do ex-ministro da Defesa no caso de Tancos, entre acusações de que o Governo socialista “encobre crimes” e a lembrança de que “ninguém está acima da lei”.

O ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, foi acusado pelo Ministério Público, esta quinta-feira de quatro crimes no caso de Tancos: prevaricação, abuso de poder, denegação de justiça e favorecimento de funcionário.

Como seria de esperar — e embora os líderes partidários tivessem dito ontem que não queriam fazer deste caso um tema de campanha —, todos os partidos se pronunciaram sobre a acusação, que conta com 23 acusados.

A líder do CDS, Assunção Cristas, foi a mais agressiva, pedindo aos eleitores que, nas eleições do próximo dia 6, façam escolhas e pensem que tipo de Governo querem.

“Espero que as pessoas reflitam muito bem no dia 6 sobre que tipo de Governo querem ter. Se querem ter um Governo que encobre crimes, que iliba criminosos, que impede a justiça de funcionar, porque aparentemente conhece e dá cobertura a um acordo que impede que os responsáveis pelo furto sejam efetivamente apanhados e punidos”, disse a meio de uma ação de campanha eleitoral em Lamego, no distrito de Viseu.

O primeiro-ministro, referiu, “tem de dar explicações públicas sobre este caso” e “não apenas dizer que é um caso de justiça”, afirmou a líder centrista, para quem este é um processo que “está longe de estar encerrado”, tanto judicial como politicamente.

“É muito importante que as pessoas percebam aquilo que está em jogo e a quem é que o Governo está entregue”, concluiu.

António Costa, por sua vez, no final da arruada dos socialistas em Moscavide, no município de Loures, foi confrontado com o teor de uma notícia sobre Tancos, segundo a qual Belém tinha registado que o primeiro-ministro não defendera o Presidente da República em relação a tentativas para o envolver no caso.

“Como sabem, há notícias que não se podem ter em conta nem levar em consideração. Se fosse comentar cada notícia que aparece a dizer os maiores disparates sobre mim, sobre o Presidente da República, ou sobre quem quer que seja, não faria rigorosamente mais nada”, reagiu o secretário-geral socialista.

Costa afirmou ainda que Marcelo Rebelo de Sousa está “acima de qualquer suspeita sobre o que quer que seja”.

Já o presidente do PSD, Rui Rio, numa visita a uma produção de arroz em Santo Estêvão, concelho de Benavente (Santarém), diz que este é um caso muito grave, mas remeteu declarações para mais tarde.

“O caso de Tancos é um caso que já todos percebemos que não é grave, é gravíssimo. Eu não tenho neste momento conhecimento exato da acusação, vou ver com mais atenção e mais logo falo sobre esse assunto”, prometeu.

O líder do PSD fez ainda questão de realçar que, se tem falado muito sobre quebra do segredo de justiça e de “julgamentos na praça pública”, tal não se aplica a partir de agora.

“Agora entramos numa fase diferente, não há segredo de justiça, agora há acusação em concreto. É um assunto de muito relevo político, é normal, até quase obrigatório que se discuta esta matéria”, disse.

À margem de uma visita ao centro de saúde da Amora, Seixal, Jerónimo de Sousa considerou que “ninguém está acima da lei”. “Tendo em conta a acusação, que haja de facto esse julgamento e a decisão. A decisão é dos tribunais, fazendo com que a justiça funcione. Ninguém está acima da lei“, sublinhou o líder comunista.

Para o líder do PCP, “feita a acusação, agora há um processo de julgamento que vai determinar, que vai decidir. “Não conheço o parecer da Procuradoria Geral da República, mas, em termos de lógica, se há alguém que era arguido e passou a acusado, naturalmente tem de haver esse julgamento e a consequente sentença. Antes disso, e então neste quadro eleitoral, acho que não nos devíamos precipitar”.

Catarina Martins usou exatamente a mesma frase de Jerónimo para comentar a acusação, mas considerou que não ajuda ninguém que um processo longo como o de Tancos “seja utilizado” na campanha eleitoral, sem todos os dados.

“Como digo, este é um problema que não vem de agora, é um problema que tem um tempo longo, talvez até longo demais. Não me parece que ajude ninguém que, em período de campanha eleitoral, um processo que é longo seja utilizado nessa mesma campanha, quando não conhecemos os dados todos”, disse.

Tal como já tinha afirmado na quarta-feira, a líder bloquista insistiu que, “para o Bloco de Esquerda este não é um tema de campanha eleitoral”. “Em Portugal ninguém está acima da lei e a justiça deve fazer o seu trabalho, apurar todas as responsabilidades e todas as consequências”, defendeu.

André Silva, por fim, apenas referiu que caso se comprove que o ex-ministro da Defesa teve responsabilidades dentro do processo deve “ser condenado”. “O que acho importante é que a justiça desenvolva o seu trabalho”.

ZAP // Lusa

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