Governo defende SIRESP e culpa PSP e Protecção Civil pela tragédia de Pedrógão Grande

Manuel de Almeida / Lusa

A Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa

A Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa

O Governo critica a PSP e a Protecção Civil. A Protecção Civil e os bombeiros falam em falhas no SIRESP. Mas ninguém assume culpas pela tragédia em Pedrógão Grande, onde morreram 64 pessoas num incêndio devastador.

Numa altura em que continuam a apurar-se responsabilidades pelo trágico incêndio de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, um relatório da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna aponta o dedo à Protecção Civil e à PSP.

Em relatório citado esta quarta-feira pela revista Sábado, o Governo nota que a Protecção Civil não solicitou a “estação móvel em tempo útil”, depois de as antenas principais do Sistema de Comunicações de Emergência, SIRESP, terem queimado no incêndio.

Por outro lado, a PSP não avisou que essa estação móvel estava em revisão. O relatório indica que o pedido para activar a estação móvel foi feito, por volta das 21:15 horas de sábado, pelo chefe de gabinete do secretário-geral da Administração Interna e que, cerca de 15 minutos depois, a Protecção Civil também a solicitou.

“Nesse momento, era já impossível ter a estação móvel em Pedrógão Grande a tempo de ajudar a minorar as ocorrências que resultaram em mortes”, conclui o Governo.

De acordo com a chamada “fita do tempo” dos acontecimentos, definida pela Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna, nessa altura já teriam morrido, pelo menos, 49 pessoas.

Segundo o Correio da Manhã, entre a tarde de sábado e a madrugada de domingo, pelo menos cinco antenas da rede SIRESP falharam, algumas das quais arderam, enquanto outras ficaram saturadas devido ao elevado número de comunicações.

Mas o relatório da Secretaria-Geral do MAI, entidade que gere o SIRESP, não assinala falhas no sistema, notando que “não houve interrupções” no funcionamento da rede e que “nem houve nenhuma estação base que tenha ficado fora de serviço em consequência do incêndio”.

O que se verificou, segundo o MAI, foi a saturação da rede de comunicações, devido ao excesso de pedidos de ajuda, mas o “SIRESP correspondeu e esteve à altura da complexidade do teatro das operações, assegurando as comunicações e a interoperabilidade das forças de emergência e segurança”, aponta o relatório.

O documento nota que, entre as 14 e as 19 horas de 17 de Junho, altura em que se iniciou o fogo, não foram feitas à primeira tentativa 246 chamadas das 7877 processadas naquele período.

Entre as 12 horas desse dia e as 12 horas de 22 de Junho, não foram feitas à primeira tentativa 15% das mais de um milhão e cem mil chamadas processadas.

Protecção Civil e Bombeiros apontam falhas ao SIRESP

No final da semana passada, a Protecção Civil enviou ao primeiro-ministro António Costa um relatório onde assinalava várias falhas no SIRESP – uma ideia que é corroborada pelo comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut.

“Eu já reportei a quem de direito. Passados dois dias, reportei a quem de direito”, afirmou Augusto Arnaut, em declarações à agência Lusa, confirmando que “houve falhas”, mas sem se alongar em mais considerações.

A “fita do tempo” das comunicações registadas pela Protecção Civil revela também falhas “quase por completo” nas primeiras horas do incêndio, “impedindo a ajuda às populações”. Esta espécie de ‘caixa negra’ permite registar a sequência ordenada dos principais acontecimentos e decisões operacionais.

Os registos foram disponibilizados ao primeiro-ministro no dia 23, um dia depois de a Protecção Civil ter enviado a António Costa as primeiras explicações sobre as falhas. “No primeiro documento era já deixado de forma clara que a rede SIRESP tinha falhado durante quatro dias”.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, já ordenou também uma auditoria para apurar se a Secretaria-Geral do MAI cumpriu as respectivas “obrigações legal e contratualmente estabelecidas” quanto ao SIRESP.

Verdes e BE pedem responsabilização política

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) e o Bloco de Esquerda (BE), apoiantes do Governo, defendem uma responsabilização política, se ela existir, sobre o que se passou.

O deputado do PEV José Luís Ferreira afirma que é preciso apurar “o que falhou” para “podermos dizer que aprendemos com os erros e evitá-los no futuro”.

Também a direcção do BE afirma que “este é o tempo de apurar o que falhou e, em função disso, responsabilizar quem deva ser responsabilizado“.

“Importa esclarecer de que forma as falhas no sistema de comunicações e a falta de meios e articulação dificultaram o combate aos incêndios e o auxílio às populações” e assegurar que “são tomadas desde já medidas para que esta situação não se repita”, aponta ainda o BE.

A Lusa questionou todos os partidos com assento parlamentar sobre quais as três questões centrais a esclarecer no debate de quinta-feira, agendado pelo PSD, sobre segurança, protecção e assistência às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande.

BE e PEV foram os únicos a responder. O PCP remeteu para as posições recentes do partido. PS, PSD e CDS não responderam.

ZAP ZAP // Lusa

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27 COMENTÁRIOS

    • Serve sim: para criar dependência terrestre e impedir salvar gente. Lindo e maravilhoso. A culpa é do mexilhão (porque esteve a trabalhar).

    • Quem adjudicou o SIRESP foi o governo de Santana Lopes, já em gestão, depois de ter perdido as eleições. O contrato foi posteriormente renegociado pelo governo PS para resolver deficiências do contrato original, mas a adjudicação foi feita pelo PSD (a um consórcio ao qual estava ligada muita da “sua gente” através da SLN).

  1. E continuam todos a falar em “teatro das operações” mas que teatro?
    Até parece que a catástrofe não foi real, e todos estiveram a encenar e a representar competências que não têm.

    • Caro José Pedro,
      A expressão “teatro das operações” não tem qualquer relação com “encenação”. É uma expressão usada na gíria militar (onde a Protecção Civil vai buscar muita da sua terminologia), que significa “área física em que se concentram as forças militares, as fortificações e as trincheiras, e em que se travam as principais batalhas”.

  2. Estava-se mesmo a ver !
    Só queria acertar na lotaria com a mesma certeza…
    O Governo ao defender o SIRESP, está a defender António Costa. Foi ele que negociou e assinou aquela porcaria.
    A verdade é que foi o SIRESP a primeira causa da descoordenação das restantes entidades.

  3. o siresp precisa de defesa do governo o que é de estranhar. uma S.A. a ser defendida pelo Publico. encontrar culpados deveria ser secundário pois o principal deveria ser aprender com os erros e reformular para que não volte a acontecer. Investiguem sim esta relação estranha entre siresp e governo assim como a própria PC.

  4. Pois compreende-se que o senhor Costa culpe agora terceiros pelas falhas havidas quando afinal o SIRESP parece não estar operacional em parte e o que apareceu no terreno foi tarde e a más horas, já quanto à negociata do mesmo e da opção por antenas terrestres em zonas de floresta em vez de satélite parece ter sido feita precisamente pelo senhor Costa na altura ministro da administração interna no governo do seu camarada Sócrates, portanto como pai da desgraça há que desculpar o filho, já agora dê a cara e mostre a mesma habilidade que demonstra quando as coisas lhe correm a favor!. Em todo o caso PSP e Protecção Civil entre outros também estão penso eu sob alçada do governo, portanto pergunte lá aos seus ministros o que andam a fazer!, 64 mortes inocentes e dezenas de feridos e seus familiares de luto penso que merecem algum respeito e se já nada podemos infelizmente fazer pelos mortos que se aproveite agora para fazer o que nunca nenhum político fez para solucionar o problema da floresta de vez embora saibamos que não será cura radical.

    • FDX olha um mouro iluminado!!!

      Satelite?! Qd sera que este pessoal nao se informa antes de comentar as noticias!!!!!

      Deixem-se de falar do que nao entendem

  5. Como sempre começa a esquecer-se a verdadeira culpa das coisas para inventar outros culpados.

    Os incendios de Pedrogão tiveram como culpados os eucaliptais ou quem permitiu que existissem nas condições que existiram. Esses são os verdadeiros culpados.

    A culpa da tragédia não está nem nas telecomunicações nem em quem lá estava a passar, A culpa está em quem não preveniu os incendios como deve de ser.

    Não esqueçam a raiz do problema nem andem agora a tentar arranjar bodes expiatórios para ocultar os verdadeiros responsáveis por tão grande e lamentável tragédia.

  6. Resumindo ou “fazendo um Briefing”para os mais sofisticados:
    O Sistema de comunicações SIRESP, que nos custou e custará os “olhos da cara”, funcionou sem falhas;
    A PSP, cuja missão era gerir a reparação do equipamento de comunicações móvel, também não falhou;
    O equipamento de comunicações móvel do SIRESP apenas teve um pequeno atraso, nada de significativo;
    A Protecção Civil respondeu com eficácia, apesar das várias horas de atraso, estiveram a estudar o evoluir das ocorrências no teatro de operações;
    Os Bombeiros fizeram o que as chefias lhes mandaram, cumprindo a sua missão com a eficácia das chefias;
    A GNR cortou a auto-estrada que poderia ser perigosa por causa do fogo de modo bastante útil e eficaz;
    Os civis é que foram os culpados, atiraram-se para o meio do incêndio e a pereceram…
    Acredite quem quiser, é assim que nos querem contar a história, pelo menos é o que eu entendo, mas o meu entendimento já não é o que era… e nunca foi bom.

  7. Deixem-se destes comentários e estejam atentos ás noticias diárias.
    Se precisarem de algum incendiário já com alguma experiência contratem porque neste momento alguns já foram libertados e estão em casa á espera de serviço .tenham pena deles e não de quem perdeu os seus haveres e os seus ente queridos .
    O nosso país é talvez no mundo o que mais incendiários forma e neste andamento com tanta gente formada nesta área não haverá trabalho para eles.

  8. Desculpem o mau jeito, mas vivemos mesmo num País de merda com um governo de merda onde ninguém se responsabiliza por nada… como é possível que um programa de televisão mostre que por irresponsabilidade os cabos óticos foram estendidos ao longo da floresta em vez de utilizados os tubos subterrâneos que por exemplo existem na EN 236? e para cúmulo mostraram que o erro se repetia visto estarem a colocar novos postes de madeira para o efeito… E depois a culpa é da PSP e da protecção civil? Os Ministros não se responsabilizam? A culpa é só dos Secretários de Estado?

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