FMI prevê défice de 7,1% e dívida pública de 135% em Portugal este ano

Rodrigo Gatinho / portugal.gov.pt

Vítor Gaspar, ex-ministro do Estado e das Finanças, é diretor do departamento dos Assuntos Orçamentais do FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê para Portugal uma dívida pública de 135% do Produto Interno Bruto (PIB) e um défice de 7,1% em 2020 devido à pandemia de covid-19.

Segundo o documento Fiscal Monitor, divulgado esta quarta-feira, a dívida pública passará dos 117,7% do PIB de 2019 para 135% em 2020 devido à pandemia de covid-19, e deverá descer para 128,5% em 2021.

Já o saldo orçamental passará de um excedente de 0,2% para um défice de 7,1% em 2020, descendo para 1,9% em 2021, acrescenta o documento produzido pelo Departamento de Assuntos Orçamentais, liderado pelo ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar.

Para o total da zona euro, destaca o jornal Público, o FMI espera uma subida do défice público dos 0,7% do PIB registados em 2019 para 7,5% este ano.

Esta terça-feira, o FMI já tinha previsto uma recessão de 8% da economia portuguesa e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020, juntamente com uma deflação de 0,2% e um saldo da conta corrente positivo em 0,3% do PIB.

Para 2021 o cenário inverte-se, com a instituição liderada pela búlgara Kristalina Georgieva a apontar para uma recuperação de 5,0% do PIB, uma taxa de desemprego de 8,7%, uma inflação de 1,4% e um saldo da conta corrente a voltar para o negativo, nos 0,4% do PIB.

Numa entrevista concedida à TVI, na segunda-feira, Mário Centeno estimou um impacto nas contas públicas entre seis e sete mil milhões de euros.

No conjunto do ano, o ministro das Finanças considerou que não vamos chegar a uma queda de dois dígitos do PIB, mas, no segundo trimestre, a queda será quatro ou cinco vezes qualquer queda já vista num trimestre em Portugal.

FMI alerta para PME e dependência do turismo e serviços

“A dependência do turismo, a dependência do setor dos serviços, e pequenas e médias empresas (PME) que têm ‘almofadas’ financeiras limitadas e, por isso, podem ser mais fortemente afetadas no curto prazo”, foram os principais fatores elencados por Poul Thomsen como potencialmente problemáticos para Portugal, numa teleconferência de imprensa, em resposta a uma pergunta da Lusa.

O economista, que foi negociador do FMI no período da ‘Troika’ (Programa de Assistência Económica e Financeira do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu de 2011) em Portugal, disse que “ainda há algumas inflexibilidades no mercado de trabalho, comparando com outros países, que também podem entrar em jogo” na crise causada pela pandemia de covid-19.

“As implicações em Portugal serão, em larga medida, moldadas por alguns dos mesmos fatores que mencionei para Espanha e Itália”, referiu o economista dinamarquês, lembrando que a dependência do turismo também é um fator a ter em conta naqueles países.

Relativamente a Espanha, e tal como para Portugal, o diretor do FMI classificou de “especial vulnerabilidade” a dependência do turismo, tal como “um grande número de pequenas e médias empresas (…) que muitas vezes não têm os recursos para aguentar choques significativos”.

Na fase de recuperação, Poul Thomsen disse ser “difícil, nesta altura, dizer quem será mais impactado”, se os países do norte ou do sul da Europa. “Sabemos que algumas das economias do norte são muito dependentes de exportações, e as perspetivas vão depender muito da trajetória pós-recuperação”, referiu.

Questionado sobre se a emissão conjunta de dívida pelos países da zona euro, os chamados ‘coronabonds’ ou ‘eurobonds’, seriam a solução adequada para a crise, o responsável do FMI frisou que a instituição “não tomou uma posição sobre isso”.

“A questão tem de ser se todos os países, incluindo os com uma dívida relativamente elevada, conseguem tomar as ações necessárias sem agitar os mercados e aumentar os ‘spreads’ [margem de lucro dos investidores face às dívidas públicas dos países]”, referiu.

Nesse sentido, Poul Thomsen considerou que o pacote de 500 mil milhões de euros aprovado pelo Eurogrupo, o grupo de ministros das Finanças da zona euro, “é a resposta certa” ao problema.

“O pacote totaliza 500 mil milhões de euros, é um apoio muito forte, e os líderes [europeus] sublinharam que se a situação ficar mais difícil que o esperado (…) estão prontos para fazer mais”, referiu.

O economista disse que, tal como “no passado, os líderes europeus irão provar que farão tudo o que for necessário”.

Poul Thomsen vai retirar-se do FMI em julho deste ano.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

  1. Olha que ele é!…
    O Gaspazinho da carga brutal de impostos, o que ajudou a vender o país ao desbarato, o que não acertou uma, o que não viu nada no Banif, etc, etc e, por isso foi bem recompensando com o tacho no FMI!
    Agora manda “bitaites”, como a restante corja parasita do FMI..

RESPONDER

"Nenhuma era apenas um número". NYT dedica toda a primeira página a mil vítimas da pandemia

Mil nomes de pessoas numa primeira página. O jornal norte-americano The New York Times dedicou a primeira página da edição deste domingo a mil vítimas mortais da pandemia de covid-19, para assinalar a iminente passagem …

A economia é a vítima colateral da estratégia singular da Suécia

A Suécia deixou nas mãos dos cidadãos a responsabilidade pela sua saúde e a abordagem relaxada do país em relação à pandemia de covid-19 trouxe resultados negativos. O Governo sueco não impôs um confinamento à população …

Polícia de Hong Kong detém 180 manifestantes. E elogia lei da segurança nacional

A polícia de Hong Kong elogiou a lei da segurança nacional chinesa, horas depois de ter detido pelo menos 180 manifestantes que protestaram, este domingo, contra a legislação anunciada por Pequim. O comissário da polícia, Tang Ping-keung, …

Pinto da Costa recandidata-se a "pensar nas dificuldades do presente"

Pinto da Costa admitiu, este domingo, no lançamento do site oficial da recandidatura à presidência do FC Porto, que vai a eleições "a pensar nas dificuldades tremendas do presente". No site oficial da sua candidatura, Pinto …

Abraços e apertos de mão. Bolsonaro junta-se a manifestação sem distanciamento social

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, participou, este domingo, em mais uma manifestação sem respeitar as regras de distanciamento social. A manifestação decorrer na Praça dos Três Poderes, em Brasília. De acordo com o jornal Público, …

"Relativamente rápido". Centeno acredita que países europeus vão recuperar da crise até ao fim de 2022

O ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, acredita que a União Europeia vai conseguir ultrapassar a crise económica provocada pela pandemia de covid-19 de forma "relativamente rápida". Em entrevista ao jornal alemão …

Florentino congelado, Jota (e mais dois) na porta de saída. Mercado já mexe na Luz

Apesar da pandemia, que paralisou quase todas as competições europeias e que deverá atrasar a janela de transferência no futebol, o mercado já mexe na Luz. A imprensa desportiva dá conta nesta segunda-feira que Florentino …

Cova da Piedade abandona direção da Liga e convida Proença a demitir-se

O Cova da Piedade juntou-se ao Benfica na decisão de abandonar a direção da Liga de clubes e convidou Pedro Proença a demitir-se da presidência do organismo. Em comunicado, o Cova da Piedade justifica a decisão …

Milhares foram a banhos este domingo. Só nas praias da Caparica estiveram mais de 180 mil pessoas

As elevadas temperaturas que se fizeram sentir neste domingo levaram milhares de portugueses à praias. Só na Costa da Caparica, no concelho de Almada, mais de 180 mil pessoas foram a banhos. Entre as 9 e …

"Há outras prioridades". Ana Gomes está a refletir sem "pressa" sobre eventual candidatura a Belém

No espaço de comentário da SIC Notícias, a ex-eurodeputada Ana Gomes disse que ainda está a "refletir" sobre uma eventual candidatura à Presidência da República. Ana Gomes ainda não tomou uma decisão sobre uma possível candidatura …