FMI admite “notável progresso” de Portugal, mas pede poupança nos salários

Marcello Casal Jr. / ABr

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde

O Fundo Monetário Internacional (FMI) tece, de novo, elogios ao Governo português pelos bons resultados económicos, mas também deixa avisos para o futuro, recomendando poupança nos salários da Função Pública e destacando que é preciso aproveitar a onda de bonança para resolver problemas estruturais.

Portugal teve um notável progresso ao longo do último ano, reduzindo a incerteza dos riscos de curto prazo”, destaca o FMI no relatório de avaliação regular, divulgado esta sexta-feira e citado pela agência Lusa.

A entidade destaca que a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, o “forte esforço para conter a despesa” e “a melhoria na estabilidade e confiança no sistema bancário” ajudaram a “aumentar a confiança dos investidores” e a baixar o risco da dívida portuguesa.

“A recuperação em curso ganhou impulso, com uma melhoria das exportações e do investimento, acompanhado do crescimento do consumo privado, bem como um aumento do emprego”, acrescenta o FMI, salientando que o turismo teve grande impacto.

O FMI mantém, deste modo, as previsões de crescimento da ordem dos 2,5% em 2017 e de 2% em 2018. Assim, Portugal deverá cumprir “confortavelmente” a meta para o défice deste ano que se situa nos 1,5%, vaticina a entidade.

Mas, apesar dos elogios, o FMI também deixa avisos ao Governo português, realçando que “a elevada dívida pública no contexto de um modesto crescimento a prazo deixa Portugal vulnerável a choques”.

Neste cenário, o Fundo deixa várias recomendações ao Governo, designadamente a redução dos custos salariais da Função Pública, mudanças no sistema de pensões, flexibilização do mercado laboral, maior eficiência do sistema judicial e redução do crédito malparado.

FMI pede 950 milhões de euros de poupanças em 2018

Numa altura em que o Governo está a preparar a proposta de Orçamento de Estado para 2018, o FMI afirma que “as condições favoráveis do ciclo económico providenciam uma oportunidade auspiciosa para uma consolidação estrutural“.

Nesse sentido, o Fundo recomenda, para 2018, “um ajustamento estrutural primário de 0,5% do PIB [cerca de 950 milhões de euros], em linha com os compromissos de Portugal no âmbito do Pacto de Estabilidade e Crescimento”, propondo a “contenção da factura com os salários da Função Pública“, melhorar a “eficiência da despesa social” e revisitar as recentes reformas nas pensões.

Essa consolidação, entende a missão do FMI a Portugal, deve ser “baseada numa reforma da despesa duradoura, que melhore a eficiência da despesa pública” no próximo ano.

Em reacção à avaliação do FMI, o Governo considera que “representa uma evolução positiva da análise” ao desempenho da economia portuguesa e reconhece o “sucesso da mudança estrutural” implementada.

O Governo destaca que aquela instituição internacional “reconhece a composição diversificada deste crescimento, assente no investimento privado e nas exportações, resultado da melhoria das condições de crédito e do aumento da competitividade dos bens e serviços portugueses”.

ZAP // Lusa

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15 COMENTÁRIOS

  1. O azar do FMI é que o governo não é do PSD, e a música da “redução dos custos salariais da Função Pública, mudanças no sistema de pensões, flexibilização do mercado laboral” durou 4 anos e levou a classe média a um miserável aperto do cinto, enquanto a “nomenclatura do avental” viveu à larga com o Banif, BES, e com a corrupção dos agentes políticos.
    Não gosto do actual governo porque tem muitos Ministros e Secretários de Estado do Sócrates, mas ao menos têm vergonha em continuar a esmifrar a classe média.

      • Carlos, não me parece que os pobres paguem o adicional ao IMI, para patrimónios imobiliários superiores a 600.000 euros. Será que pode informar-me onde o actual governo está a esmifrar os mais pobres?
        Como escrevi não tenho confiança no actual governo, mas numa coisa é diferente do anterior governo PSD/CDS: não está, declaradamente, ao serviço de interesses estrangeiros, nem dos alemães nem do FMI.

  2. Devem fumar daquilo que faz alucinações, só pode, onde temos feito imensos progressos é na dívida, mais uns mesinhos e baterá novo recorde, quando acordarem será demasiado tarde.

  3. Este senhores do FMI não são de levar a sério.
    Um dia está tudo mal e depois já está tudo bem.
    Um dia aconselham a fazer as coisas de uma maneira e depois dizem que aquela não era a melhor “formula” e que se deveria fazer de outra forma que anteriormente não era boa.
    Sinceramente não da para os entender…
    As pessoas ainda não perceberam que eles são um Banco como qualquer outro (em que os acionistas são os países, com os mais ricos a serem acionistas maioritários!) e tem que defender os interesses deles (não o do pais que “ajudam”). Portanto, o dia em que o que esta a acontecer não os ajuda, já dizem que esta tudo mal.
    O grave é que o Governo Português põe-se sempre a “jeito” de levar porrada… com o povo Português mais uma vez a sofrer…

  4. Bem… Afinal, segundo esta “senhora”, até nem precisávamos de “apertar” (austeridade) o cinto. O turismo já nos ia salvar… Esta “senhora” é um portento!

    “melhorar a “eficiência da despesa social”” igual a… despedimentos! Esta “senhora” é mesmo um portento!

  5. Tem razão!…
    Há que poupar nos salários destes parasitas incompetentes e mafiosos do FMI!!!
    O ideal era mesmo acabar com o FMI e por esta sra na cadeia pelas vigarices/prejuízo que deu enquanto ministra das finanças de França!

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