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Facebook guarda vídeos que os utilizadores nem sabiam que tinham

Com o Facebook sob escrutínio, vão-se descobrindo cada vez mais detalhes que confirmam as muitas preocupações com o tratamento dos dados dos utilizadores  – neste caso, descobrindo-se que por lá permanecem vídeos que os utilizadores nem sabiam que existiam.

Quem tem usado a funcionalidade de pedir os dados que o Facebook tem sobre si, tem descoberto coisas bastante curiosas – como o histórico de todas as chamadas e mensagens que alguma vez fez – e entre as quais também se incluem vídeos que se pensavam nunca ter ficado guardados.

Quando se grava um vídeo directamente no Facebook, é apresentada um preview antes da publicação do mesmo, para que os utilizadores confirmem se está como pretendiam; caso esteja, podem clicar para publicar, caso contrário podem repetir a gravação.

Até aqui nada de mal. O problema é que todos esses vídeos temporários, que se pensavam terem sido descartados, continuam a ser guardados pelo Facebook.

Ou seja, imagine que estava a gravar um vídeo no Facebook e que, por qualquer motivo, apanhou momentaneamente algo que não deveria ser visto publicamente. Passa à frente para fazer nova gravação, confiante de que o vídeo anterior desapareceu…

Na verdade, o vídeo fica guardado, acessível a um qualquer funcionário mais bisbilhoteiro do Facebook, ou às autoridades que solicitarem toda a informação que o Facebook tenha sobre um utilizador, ou eventualmente a familiares e amigos que venham a ter acesso à vossa conta por um motivo ou por outro.

Novamente, é mais um dos casos em que o Facebook está tecnicamente salvaguardado, pois nas condições do serviço está expresso o consentimento de que irá captar e guardar as nossas imagens (de outra forma o utilizador não estaria a gravar lá um vídeo)…

Mas guardar gravações que o utilizador pensava estarem a ser descartadas é subverter as regras e um abuso da confiança dos utilizadores. Isto demonstra o verdadeiro problema que terá que ser enfrentado, e que não se limita a ter regras bem claras. Importa garantir que estes serviços não abusam das permissões que tecnicamente são dadas, de formas que vão para além do que seria esperado.

Por exemplo, pedir o acesso aos contactos para procurar amigos é algo que muitos utilizadores poderiam aceitar, mas isso não significa que aceitem que todas as suas chamadas e mensagens passem a ficar registadas.

Da mesma forma, dar acesso à câmara a uma app que faz efeitos em vídeos, não deverá dar o direito para que de hora a hora grave um vídeo automático que é enviado para local indeterminado…

Este último comportamento tem preocupado de tal forma a Google, que no próximo Android P haverá restrições adicionais que limitam o acesso por apps em background à câmara, microfone e sensores.

Parece que chegámos verdadeiramente ao admirável mundo novo há muito tempo adivinhado por Aldous Huxley e George Orwell, em que os utilizadores deixaram de poder confiar nas aplicações que instalam, nos equipamentos que usam… e nas empresas a que entregam os seus dados.

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