Maior vaga de expulsões de diplomatas russos aquece relações entre Rússia e Ocidente

Bundesregierung / Kugler

A chanceler Angela Merkel com Emmanuel Macron, Presidente da França, e Wladimir Putin, Presidente da Rússia

No total, Moscovo perdeu 137 funcionários no estrangeiro, devido à maior vaga de expulsões de diplomatas russos. Estados Unidos, 17 países da União Europeia e cinco outras nações aliaram-se ao Reino Unido.

Os Estados Unidos anunciaram a expulsão de 60 “espiões” russos e uma ordem de encerramento do consulado da Rússia em Seattle, em resposta ao envenenamento com gás tóxico do ex-espião Sergei Skripal no Reino Unido.

A medida insere-se numa ação coordenada dos países ocidentais e foi divulgada no mesmo dia em que a Alemanha, Polónia e Lituânia anunciaram a expulsão de quatro diplomatas russos cada um, a Dinamarca dois e a Ucrânia 13. Segundo a BBC, França também expulsa quatro diplomatas.

A decisão que já tinha sido seguida por outros 21 países (16 deles da União Europeia), num total de mais de 130 diplomatas expulsos, naquela que se diz ser a maior onda de expulsões de representantes russos da história.

Em resposta, Moscovo disse que vai reagir “proporcionalmente”. A Rússia nega qualquer envolvimento no ataque a Sergei Skripal em solo britânico a 4 de março. Tanto o ex-espião russo como a filha continuam em estado crítico no hospital.

A porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, condenou a União Europeia pela sua “perversa interpretação de solidariedade” para com o Reino Unido e o Kremlin classificou ainda como “chocante” e “imperdoável” que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson, tenha apontado diretamente Vladimir Putin como responsável pelo ataque contra o ex-espião russo em território britânico.

Os líderes europeus concordaram a semana passada que era altamente provável que a Rússia estivesse por trás do agente nervoso que envenenou Skripal e a filha.

Em Washington, um responsável da administração norte-americana precisou que 48 dos diplomatas são “agentes de informações conhecidos” a trabalhar na embaixada em Washington e os outros 12 na representação da Rússia na ONU, em Nova Iorque.

O responsável disse que a medida visa transmitir a Moscovo que a administração norte-americana recusa o número “inaceitavelmente alto” de agentes dos serviços secretos russos nos Estados Unidos.

O encerramento do consulado em Seattle deve-se a preocupações de segurança devido à proximidade de uma base naval norte-americana. Os diplomatas expulsos têm sete dias para abandonar o território.

Ao final do dia, a Casa Branca quebrou o silêncio sobre este assunto, dizendo que os Estados Unidos gostariam de ter uma relação de cooperação com a Rússia, mas ações como o ataque “descarado” de Moscovo contra um ex-espião russo no Reino Unido impediram isso, de acordo com o Diário de Notícias.

Na Alemanha, o Ministério dos Negócios Estrangeiros justificou a expulsão dos quatro diplomatas russos com o facto de “a Rússia não ter contribuído para esclarecer o envenenamento de Salisbury”, que vitimou o ex-espião e a filha.

O caso Skripal provocou uma crise diplomática entre a Rússia e os países ocidentais e levou o Reino Unido a expulsar 23 diplomatas russos do território britânico e a congelar as relações bilaterais, ao que Moscovo respondeu expulsando 23 diplomatas britânicos e suspendendo a atividade do British Council na Rússia.

Portugal não expulsa diplomatas russos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou que o Governo português não vai expulsar os diplomatas russos a residir no país.

O ministério de Augusto Santos Silva remete a decisão para a “concertação no quadro da União Europeia” que considera o “instrumento mais eficaz para responder à gravidade da situação presente”, segundo o Observador.

Lembrando que Portugal “condenou imediatamente” o atentado ocorrido em solo britânico, o Governo português limitou-se a dizer que tomava “boa nota das decisões” anunciadas por vários Estados-membros da União Europeia.

Neste momento, segundo o levantamento feito pelo próprio Governo português, Moscovo tem 26 diplomatas acreditados no país.

Londres saúda “maior expulsão coletiva de agentes russos de sempre”

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johson, saudou a “resposta extraordinária” dos aliados do Reino Unido ao caso Skripal com “a maior expulsão coletiva de agentes russos de sempre”.

“A resposta internacional extraordinária dos nossos aliados é a maior expulsão coletiva de agentes dos serviços de informações russos de sempre e vai contribuir para defender a nossa segurança comum”, escreveu Boris Johnson no Twitter.

“A Rússia não pode violar as regras internacionais impunemente“, acrescentou o chefe da diplomacia britânica.

Mais de 100 agentes dos serviços secretos russos colocados em embaixadas em países ocidentais vão ser expulsos nos próximos dias em resposta ao envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal.

China pede calma face a vaga de expulsão de diplomatas russos

A China apelou esta terça-feira à “tranquilidade” e ao “abandono da mentalidade de Guerra Fria” após a expulsão de diplomatas russos por países em todo o mundo.

“Os países implicados deviam obedecer à lei internacional e às normas básicas das relações diplomáticas, visando evitar uma maior escalada das confrontações”, disse a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying.

A porta-voz reagia assim à decisão dos Estados Unidos e cerca de vinte outros países de expulsar, no conjunto, quase uma centena de diplomatas russos dos seus territórios, em apoio ao Reino Unido.

Hua afirmou que a China “se opõe firmemente ao uso de armas químicas“, mas defende que o caso “deve ser adequadamente tratado entre o Reino Unido e a Rússia, e os factos aclarados”.

“Todas as partes deveriam abandonar a mentalidade de Guerra Fria, renunciar à confrontação e trabalhar em conjunto para a paz, estabilidade e tranquilidade”, disse.

ZAP // Lusa

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