Antigo espião russo em estado grave após contacto com substância desconhecida

Um antigo espião russo foi hospitalizado em Salisbury, no sudoeste de Inglaterra, depois de ter sido intoxicado ao entrar em contacto com uma substância desconhecida.

Sergei Skripal, antigo espião russo, foi internado no condado britânico de Wiltshire, em estado grave, por “exposição suspeita a substância desconhecida”.

O incidente ocorreu no domingo, num centro comercial em Salisbury. O russo, de 66 anos, e uma mulher, com cerca de 30, foram encontrados inconscientes um banco no centro comercial. Ambos se encontram em estado grave.

Entretanto, foi revelada aquela que será a identidade da mulher que acompanhava Skripal: Iulia Skripal, filha do ex-espião, que vive na Rússia e estava em Inglaterra a visitar o pai. No entanto, esta informação ainda não foi confirmada pelas autoridades.

A polícia de Wiltshire já informou que não há ainda qualquer pista que aponte para crime. Além disso, acrescentou ainda e comunicado que tanto o ex-espião russo como a mulher estão em “estado crítico” e em “terapia intensiva”. No entanto, não se conhece ainda que tipo de substância foi usada.

De acordo com a BBC, Sergei Skripal é um coronel retirado que trabalhou nos serviços de informação do Exército russo. O antigo agente russo foi condenado pelo seu país a uma pena de 13 anos de prisão, em 2006, por transmitir a identidade de agentes secretos russos aos serviços secretos britânicos.

Os serviços secretos russos alegavam que ele teria começado a trabalhar para o MI6 em 1990 e que teria recebido 100 mil dólares a troco de informações.

Quatro anos depois, em 2010, Skripal foi um dos quatro condenados a quem foi garantida a transferência para as ilhas britânicas, na maior troca de espiões desde a Guerra Fria. Skripal foi um dos quatro prisioneiros que Moscovo libertou em troca da libertação de dez espiões então detidos nos Estados Unidos.

As semelhanças entre este caso e o de Alexander Litvinenko são evidentes. O ex-membro do KGB conseguiu asilo no Reino Unido em 2000, tendo sido hospitalizado em 2006 depois de ter ingerido chá com polónio-210. Acabou por falecer três semanas depois de ter sido internado, em novembro.

O elemento radioativo em causa é raro e, normalmente, só os Estados têm acesso. Uma investigação pública concluiu, em 2016, que a morte de Litvinenko foi um assassínio cometido “provavelmente” com a aprovação do Presidente russo, Vladimir Putin.

Kremlin disposto a cooperar

Esta terça-feira, o Kremlin declarou a sua disponibilidade para cooperar com o Reino Unido, caso seja solicitada ajuda na investigação do caso do ex-espião russo, que se encontra em estado grave. Segundo o Público, o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov referiu-se à “situação trágica” e garantiu que “Moscovo está sempre pronto a cooperar”.

Na imprensa britânica, lê-se que o coronel do Exército foi envenenado. Já o Financial Times e o The Guardian são mais cautelosos, e escrevem que ocorreu uma “exposição a uma substância misteriosa”.

Embora as autoridades já tenham avançado com a informação de que, para já, não existe qualquer evidência de crime, há jornais que puxam a suspeita de envenenamento para manchete e o Daily Telegraph, em particular, que escreve que o ex-agente terá ido à polícia dizer que temia pela sua vida.

Na conferência de imprensa desta terça-feira, Dmitri Peskov reagiu com sarcasmo à tese do envenenamento, dizendo que “não precisaram de muito tempo”. Esclareceu, ainda, que a presidência russa “não tem qualquer informação sobre os motivos deste incidente” e que o Kremlin “não se sabe o o ex-espião andava a fazer”.

Mark Rowley, responsável da unidade britânica de contra terrorismo, disse à BBC que não se pode esquecer que os exilados russos “não são imortais” e que “pode haver uma tendência para teorias da conspiração”.

“Dito isto, temos que estar despertos para o facto de ameaças de Estados”, concluiu.

ZAP //

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