Estado vai indemnizar família de ucraniano morto no aeroporto de Lisboa

António Cotrim / Lusa

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita

O Estado português vai assumir a responsabilidade pelo pagamento de uma indemnização à viúva e aos dois filhos menores de Ihor Homeniuk, o ucraniano morto por inspetores do SEF no aeroporto de Lisboa.

Depois de a viúva de Ihor Homeniuk ter acusado o Estado português de não a indemnizar pela morte do seu marido, o Governo garante que vai assumir o pagamento de uma indemnização à viúva e dois filhos do cidadão ucraniano morto no aeroporto de Lisboa. A informação foi adiantada pela ministra da Presidência Mariana Vieira da Silva, em conferência de imprensa.

Em declarações aos jornalistas, o também presente ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, realçou que Portugal é “uma referência global defesa intransigente dos direitos humanos” e que, por isso, a morte de Ihor Homeniuk “é absolutamente inaceitável” e “está em total contradição com os padrões dos direitos humanos que Portugal adota”.

“Tudo aquilo que tem sido apurado tem sido determinado relativamente a esta terrível situação deve-se à atuação do Ministério da Administração Interna”, disse o ministro na conferência após o Conselho de Ministros, citado pelo Notícias ao Minuto.

“Sinto-me hoje muito mais acompanhado na preocupação da sociedade portuguesa relativamente a um tema que, no momento em que sucedeu e foi tornado público por minha iniciativa, teve uma atenção por parte da comunidade muito inferior” à gravidade do sucedido, acrescentou o governante.

Desta forma, “o Governo assume a responsabilidade pelo pagamento de uma indemnização à viúva e aos dois filhos menores de Ihor Homeniuk”, lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

Oksana Homeniuk, viúva do cidadão ucraniano, disse esta quarta-feira que, nove meses depois da morte de Ihor, ainda não tinha recebido qualquer apoio do Estado português. Em entrevista à SIC, Oksana disse que ainda hoje tem dificuldades em perceber o que aconteceu no aeroporto de Lisboa.

“Nunca pensei que num país europeu uma coisa deste género pudesse acontecer. Na Europa, onde os direitos humanos estão acima de tudo. Nunca pensei que no aeroporto… E tantas pessoas viram-no! Tantas pessoas sabiam do que estava a acontecer e ninguém ajudou. Para mim, isso, ainda hoje não consigo entender”, começou por dizer Oksana.

“Sabe que cada vez que oiço a palavra Portugal… Fiquei com tanto ódio a esse país. Nem consigo ouvir essa palavra. Não quero nada. Não quero dinheiro nenhum. Que me tragam [Ihor] de volta, nem que seja inválido”, acrescentou.

A família do imigrante morto no aeroporto de Lisboa teve ainda de pagar 2.200 euros pela transladação do corpo.

ZAP //

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