Efacec entra em 2022 praticamente estagnada, apesar de (mais um) empréstimo

(dr) efacec.pt

A empresa garante que situação vai mudar a partir do final do mês e o prazo para a reprivatização de 71,73% do capital da empresa derrapou.

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O processo de reprivatização da Efacec, que devia ter sido fechado até 2022, ainda não se concluiu e, apesar do desbloqueio de um novo financiamento de 45 milhões de euros, a empresa continua praticamente parada, por falta de matérias-primas.

Essa escassez agrava a situação financeira da empresa, e é uma das causas do atraso das negociações com o único interessado à sua compra, o grupo DST, num momento crucial em que a Efacec tem conseguido assinar novos contratos e está a disputar outros de grande dimensão.

Segundo o Público, a administração da empresa garante, no entanto, que a que a produção vai acelerar no final de janeiro, início de fevereiro.

A situação de quase paralisação arrasta-se há vários meses, mas a expectativa dos trabalhadores era de que a situação mudasse com o novo reforço da tesouraria.

Em causa, está o novo empréstimo de 45 milhões de euros, que aconteceu depois de um outro de 75 milhões euros, na primeira metade de 2021, e esgotou rapidamente.

As declarações do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, nos primeiros dias de dezembro criaram essa expectativa.

Citado pelo ECO, o ministro garantiu que o contrato de financiamento celebrado entre a Efacec e um conjunto de bancos, Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Novo Banco e o Montepio, com uma garantia (80%) do Banco de Fomento, visava dar “um apoio adicional (…) até à conclusão do processo de reprivatização, para que não faltassem recursos financeiros para a empresa manter a sua atividade operacional”.

A situação de quase paralisação é incompreensível”, admitiu Miguel Moreira, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte, em entrevista ao Público.

O dirigente sindical considera ainda a atual situação “muito preocupante” e refere  que os mais de dois mil trabalhadores se sentem “angustiados”.

“A imagem da empresa vai-se deteriorando cada vez mais, no mercado nacional e internacional”, refere Miguel Moreira, que diz lamentar que os pedidos de reunião feitas ao Governo continuem sem resposta.

Em greves parciais, os trabalhadores e o sindicato têm contestado as opções da atual administração e reivindicado um maior controlo do financiamento concedido.

A administração da Efacec, liderada por Ângelo Ramalho, confirma que o financiamento de 45 milhões chegou em meados de dezembro, e que se destina “a investir no ciclo de caixa da Efacec e a aumentar o volume de atividade”. “E, como tal, começou já a ser aplicado na execução de projetos”, adianta.

De acordo com a administração, “a produção da Efacec nunca esteve parada”, tendo-se “mantido a um ritmo variável, dependendo das encomendas que estão em curso e da receção das matérias-primas”.

“Os processos de compra de matérias-primas têm, tipicamente, prazos de entrega de várias semanas”, e são, na sua maioria, de origem “internacional”, a que acrescem “as disrupções nas cadeias de abastecimento, agravadas nas últimas semanas devido ao reforço das medidas de combate à pandemia”, acrescentam ainda.

Por este motivo, “é natural e previsível que o impacto da utilização destes fundos seja registado no final deste mês, princípio de fevereiro, à medida que os materiais vão chegando”, garante.

Ao contrário das declarações do ministro da Economia, que apontavam para a vontade do Governo em concluir a privatização de 71,73% do capital da Efacec até ao final do ano, o processo acabou por transitar para 2022.

A dois dias do encerramento do ano, foi o ministro das Finanças a admitir que o processo de negociação com o grupo nortenho DST ainda estava em curso, e que não existia uma data para a sua conclusão.

Na corrida à reprivatização da Efacec, nacionalizada a 2 de agosto de 2020, devido ao impasse criado com a saída de Isabel dos Santos, na sequência dos processos judiciais desencadeados pela justiça angolana, relacionados com as revelações do “Luanda Leaks”, ficou apenas o grupo nacional DST, depois de um processo que começou com cerca de uma dezena de manifestações de interesse.

O arrastar das negociações deve-se, principalmente, à situação financeira da empresa, com uma dívida elevada, que necessita de outras garantias públicas.

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Segundo o ECO, Governo está a trabalhar num plano B, alternativo à reprivatização da Efacec, ou seja, a manutenção da empresa no universo da Parpública.

Essa opção, não confirmada oficialmente, permitiria reestruturar a empresa e avançar e para a sua privatização mais tarde.

Apesar do impasse em que se encontra, a empresa tem conseguido celebrar novos contratos, como os garantidos recentemente em Espanha, em montante superior a 30 milhões de euros, para fornecer e instalar transformadores de alta e média tensão.

Ou ainda o anúncio recente de que a Efacec lidera o projecto SCALE, para o desenvolvimento de “uma solução altamente inovadora de proteção, controlo e monitorização de redes de média tensão”, num investimento de dois milhões de euros, co-financiado pela União Europeia.

A empresa com sede em Matosinhos lidera ainda dois importantes projetos de investimentos, num total de 1,3 mil milhões de euros, pré-qualificados no âmbito das agendas mobilizadoras de inovação empresarial, financiadas pelo Programa de Recuperação e Resiliência.

  ZAP //

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