Os dois novos reatores nucleares da China estão envoltos em mistério (e preocupam os especialistas)

Felix König / Wikimedia

Imagem ilustrativa de uma central nuclear

Na ilha de Changbiao, na costa chinesa, estão a ser construídos dois reatores nucleares, com início previsto para 2023 e 2026, respetivamente.

Os dois reatores são do tipo China Fast Reactor 600 (CFR-600). Ao contrário da grande maioria, que usa água para arrefecer as reações e desacelerar os neutrões libertados, estes reatores rápidos usam sódio líquido.

A maior vantagem é o aumento dramático da eficiência na produção de energia. Estes reatores tendem a extrair menos de 1% da energia do urânio no reator, enquanto os reatores rápidos têm uma eficiência 100 vezes maior, extraindo quase toda a energia possível do combustível de urânio ou tório.

Mas, segundo o Aljazeera, há uma grande desvantagem: as fugas de sódio costumam ser comuns. Além disso, o CFR-600 vai produzir plutónio, que pode ser usado como combustível – mas também em armas nucleares.

Juntos, os reatores vão produzir energia não baseada em combustíveis fósseis que poderia ajudar a China a garantir as suas necessidades energéticas e, ao mesmo tempo, levar o país a atingir a meta para a redução de emissões de dióxido de carbono até 2060.

No entanto, os especialistas estão preocupados porque ninguém – além das autoridades chinesas e das empresas que supervisionam os projetos – sabe se o uso pretendido é puramente para energia civil ou se serve a um duplo propósito, nomeadamente para as necessidades de dissuasão nuclear do país.

A questão ganhou ainda mais ênfase esta semana, depois de uma autoridade norte-americana ter acusado Pequim de resistir às negociações bilaterais com Washington sobre a redução do risco nuclear.

Estes reatores estão envoltos em mistério porque a China, que tinha sido transparente sobre o seu programa de plutónio civil até há pouco tempo, interrompeu as declarações voluntárias anuais à Agência Internacional de Energia Atómica [AIEA] sobre os seus stocks de plutónio civil em 2017 e não acrescentou os reatores ao banco de dados da agência.

Pelo menos, até agora.

Os especialistas do Nonproliferation Policy Education Center, em Washington, estão a tentar chamar a atenção para esta preocupação.

Ao explorar estas “armas” – plutónio, urânio e trítio altamente enriquecido que a China pode facilmente fabricar – “Pequim poderia reunir, até 2030 e de forma conservadora, um arsenal de 1.270 armas nucleares“, lê-se no relatório do organismo.

ZAP //

PARTILHAR

14 COMENTÁRIOS

  1. Ainda haverá quem acredite que a China após ter alcançado um nível de progresso razoável e tendo em conta a sua dimensão geográfica e demográfica, estarão dispostos a ficarem de braços cruzados perante a evolução dos seus mais diretos rivais?

  2. O actual governo chinês aproveita-se de uma vulnerabilidade das democracias, onde existe ainda alguma liberdade nos media o que permite ter divisões de opinião nestas. Muitas delas são fomentadas pela propaganda destes regimes que mais do que autoritários são ditaduras ferozes.
    Este comportamento agressivo é de alto risco, pois confia na indole pacífica das vitimas, meio manietadas pela propaganda agressiva que destila, e pela fraqueza das divisões internas de diferentes perspectivas politicas.
    Mas um engano ou equivoco pode ser fatal para a humanidade, pois não tenhamos ilusões se for mal avaliado corremos todos o risco de uma guerra cujo resultado é impensável.

    • Será que posso considerar tretas como síndrome da China? Ou apenas hipocrisia militante e resyuldo de permanentes lavagens cerebrais? Claro que um guerra muito, muito quente terá um resultado impensável, já vimos uma amostra do que podem fazer as “vulneráveis democracias” em Hiroshima e Nagasaki, não foram acidentes foram crimes contra a humanidade e sabemos quem foram os autores desses crimes. Sabe qual foi o argumento? Acabar com a guerra no Pacífico e salvar umas centenas de milhar de vidas de americanos. Ou seja: as duas bombas não foram mais que coisas úteis. As pessoas – se a qualificação é adequada – já esqueceram o projecto da Bomba de Neutrões”, destinava-se, tão só e somente, a destruir as populações, povos, com o mínimo de estragos materiais. Infelizmente, na corrida do terror, há uma “vulnerável democracia” que dita as regras do jogo, comandando-o, com toda a batota necessária, sempre na frente. Temo, isso sim, é medo do utilitarismo arrivista das “vulneráveis democracias”, em desespero, não hesitarão em usar os argumentos Hiroshima e Nagasaki, tenho muito mais confiança nos cinco milénios da cultura (e civilização) chinesa. Finalmente, perceba: decadência não é o mesmo que vulnerabilidade, esta pode evitar-se, com democracia, a decadência não é e conduz, invariavelmente, à destruição. Esperemos que seja só própria, uma fé muito, muito, ténue.
      Para clarificar: não sou “pró” ou “contra” os USA ou a China são duas paixões, uma antiga, começou na adolescência e outra mais recente, o que acontece é que a vida não é um parque de estacionamento, dai que da paixão USA pouco mais restem que memórias. A paixão pela China, muito mais recente, apanhou-me já na idade da razão, não na adolescência e nada tem a ver com o regime político, é uma fase, necessária e não existe povo mais pragmático que o chinês e que alguns simplistas consideram “fatalismo”. Se o fossem, não sobreviviam a mais de 5 000 anos de civilização. O grande problema para a classe política continua a ser o mesmo depois da “revolução cultural”. a suficiência alimentar, a erradicação da milenar tragédia da fome. E essa luta, essa prioridade, é o “milagre chinês” e de pouco se fala. Hoje não existe fome na China, mas persistem centenas de milhar que sofrem de subnutrição. É esta luta que explica a espectacular evolução tecnológica chinesa nos últimos 30/40 anos: mais de metade da população chinesa sabe o que vai comer ao jantar, antes de ir para a cama, 50 anos atrás, em 1974, só as elites tinham essa segurança. As prioridades são claras: o combate alimentar e a educação e é o sucesso obtido na evolução das duas prioridades que explica o desenvolvimento social, económico e tecnológico. Não ser dor, não sem erradicação de grupos minoritários que colocam os seus interesses de grupo à frente do bem-estar do povo. A democracia não se adquire em supermercados e muito menos é grátis, doí, muitas vezes exige cirurgia, ainda que não passe de cortes localizados, não deixa de doer..

    • Caro Anton, como vê, o seu comentário despertou logo resposta de alguém “meio manietado”, que nem sabe distinguir a cultura e civilização Chinesas do Partido Comunista / bando de ditadores que dirige o País nos últimos 70 anos, e que usa argumentos / erros com 75 anos para justificar a sua preferência por um perigoso regime ditatorial. As democracias têm de facto de estar muito atentas.

      • Ósório, Osório, não percebeu que não respondi ao Anton? Usei-o como usaria um skate atirado ao lixo e conhecer um bronco como o Osório não foi grande reconhecimento das minhas habilidades. Compreenda, não existe possibilidade de discussão entre ideias, conhecimentos o papaguear de slogans do “fast food” americano. Contudo, os caros Anton e Osório ganhariam algum respeito se me explicassem, mesmo através de slogans, Hiroshima e Nagasaki. Já reservei um sofá, confortável, para esperar a resposta.

        • Hiroshima e Nagasaki foram um crime contra a Humanidade. Qual é a dúvida? E o que tem isso a ver com a discussão? Como quer discutir ideias se a única coisa que faz é desconversar e ofender os outros comentadores? Caro AS, sabe o que é um slogan? É estar sempre a falar de Hiroshima e Nagasaki cada vez que a máscara lhe que cai. Ou seja, constantemente.

  3. Nesse Caso Destes Reatores a china não tem obrigação de informar nada diferente do covid-19
    Eles Não Estão presos a nenhum tratado internacional, se eles quiserem poderão fazer quantos bombas nucleares a vontade, a no caso de repassa informações sobre esse reatores são voluntários e não obrigatórios.

  4. “Juntos, os reatores vão produzir energia renovável”

    Renovável?! O combustível usado é menos “renovável” que os combustíveis fósseis.

    Por favor, corrijam esta notícia!

  5. todos os paises deveria de deixar ter esse tipo de uso, porque só os americanos e russos podem ter? de onde veio os maiores desastres? não foi da China

    • Só os EUA e Rússia tem centrais nucleares?!
      Enfim… a França é o país do mundo com a maior produção de energia eléctrica em centrais nucleares.
      É mais do que previsível que a China vá produzir cada vez mais centrais nucleares.

RESPONDER

Novo Banco e Apollo entregam propostas pelo EuroBic

O Novo Banco e o fundo Apollo apresentaram propostas para as posições de Isabel dos Santos e de Fernando Teles no EuroBic, enquanto o fundo J.C. Flowers e o Abanca estão a negociar com os …

Israel vai administrar terceira dose da vacina em maiores de 60 anos

Israel vai avançar com a inoculação de uma terceira dose da vacina contra a covid-19 em pessoas com mais de 60 anos, anunciou, esta quinta-feira, o primeiro-ministro israelita, numa declaração transmitida na televisão. Confrontado nas últimas …

Autoridades chinesas e Talibãs estreitam laços enquanto EUA deixam o Afeganistão

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, se reuniu na quarta-feira com líderes dos Talibãs na cidade de Tianjin, no norte da China, um sinal do estreitamento dos laços entre Pequim e o grupo …

Feirantes senegaleses queixam-se de "acesso bloqueado" à feira de Barcelos

Feirantes do Senegal queixaram-se esta quinta-feira de serem proibidos de operar na feira semanal de Barcelos e falaram em discriminação racial, mas a câmara contrapôs que é uma questão de cumprimento do regulamento que impede …

Tribunal de Justiça da UE retira imunidade parlamentar a Puigdemont

O Tribunal de Justiça da União Europeia retirou, esta sexta-feira, a imunidade parlamentar ao ex-presidente do Governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, e aos também eurodeputados catalães Toni Comín e Clara Ponsatí. Na sentença proferida esta …

Ana Gomes doa 31 mil euros que sobraram das Presidenciais para apoiar jornalismo independente

A ex-candidata à Presidência da República informou, esta sexta-feira, que decidiu entregar os donativos que sobraram da campanha à Associação "Continuar para Começar", para promover o jornalismo de investigação independente. Numa carta dirigida aos presidentes da …

Mais 14 mortes e 2595 casos de covid-19. País saiu da zona vermelha

Portugal registou, esta sexta-feira, mais 14 mortes e 2595 casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS). De acordo com o último boletim da DGS, dos 2595 novos …

Madeira não segue passos do continente. Adoção de medidas menos restritivas posta de lado

Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, sublinhou que vai manter as medidas atualmente em vigor, "que são analisadas e monitorizadas semanalmente". O presidente do Governo da Madeira disse, esta quinta-feira, que a região …

Uma esplanada em Lisboa.

Economia cresce 15,5% no segundo trimestre. É o maior aumento desde 1978

No segundo trimestre de 2021 o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 15,5% quando comparado com o mesmo período do ano passado, segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicada esta sexta-feira. Em termos …

Nova lei do PAEL. PSD considera PS e PCP "descarados", mas os autarcas em causa defendem-se

A nova lei do PAEL permite a munícipios que integrem o programa não cobrar a taxa máxima de IMI, que a adesão exigia. O PSD acusou o PS e PSP, que aprovaram a proposta, de …