França reage à falta de “decoro” de Trump. A diplomacia não se faz através de “tweets”

Ian Langsdon / EPA

Emannuel Macron com Donald Trump na visita do presidente norte-americano a França

O governo francês apontou nesta quarta-feira a falta de decoro do Presidente norte-americano ao ter publicado via Twitter fortes críticas contra França no mesmo dia em que o país lembrava as vítimas dos atentados terroristas de 2015.

“Ontem [terça-feira] foi 13 de novembro. Assinalávamos o assassínio de 130 compatriotas em Paris e em Saint-Denis há três anos. Vou responder em inglês: ‘common decency‘ (decoro) teria sido desejável“, afirmou o porta-voz do executivo francês, Benjamin Griveaux, na conferência de imprensa após a reunião de Conselho de Ministros.

“A diplomacia não é feita por meio de tweets, mas por via de discussões bilaterais”, declarou o Presidente francês, Emmanuel Macron, durante a reunião ministerial realizada nesta quarta-feira, segundo o relato do mesmo porta-voz.

Na terça-feira, e depois de ter participado no domingo em Paris nas comemorações dos 100 anos do Armistício da I Guerra Mundial ao lado do Presidente francês, Trump voltou a criticar o plano do chefe de Estado francês para a criação de um exército europeu.

“Emmanuel Macron sugeriu a criação do seu próprio exército para proteger a Europa contra os Estados Unidos, a China e a Rússia. Mas foi a Alemanha (que a atacou) nas I e II Guerra Mundial – como foi isso para a França? Estavam a começar a aprender alemão em Paris, até os EUA chegaram. Paguem à NATO ou não paguem!”, escreveu, na terça-feira.

Antes destas novas declarações, Trump já tinha consideradas insultuosas as palavras de Macron, a propósito da urgência de criar um exército europeu. Na terça-feira, Trump também lançou críticas contra alegados obstáculos comerciais impostos pelas autoridades francesas, nomeadamente ao setor vinícola norte-americano, bem como fez referência à baixa taxa de popularidade de Macron.

“O problema”, segundo destacou Trump ainda no Twitter, é que Macron enfrenta uma taxa de popularidade muito baixa, 26%, e uma taxa de desemprego de cerca de 10% e está “apenas a tentar mudar de assunto”.

Ainda na rede social, Trump deixou uma adaptação do seu slogan de campanha como sugestão para Macron.

Os atentados de 13 de novembro de 2015 fizeram 130 mortos e mais de 300 feridos.

Os ataques, reivindicados pelo aclamado Estado Islâmico, foram perpetrados por vários comandos integrados por uma dezena de homens que abriram fogo ou detonaram explosivos em vários locais em Paris, nomeadamente na sala de espetáculos Le Bataclan.

Aliados devem respeito, lembra Macron

Mais tarde, e em entrevista ao canal público francês TF1, Macron recusou-se a responder às críticas do seu homólogo norte-americano optando por realçar os estreitos laços que unem os dois países e que devem respeito.

“Entre os aliados, devemos respeito e o resto não me interessa ouvir. Os Estados Unidos são nosso aliado histórico e continuará a ser”, disse o presidente francês.

“Tudo isso não tem nenhuma importância. Não vou debater questões com o Presidente dos Estados Unidos através de tweets”, adiantou Macron, numa alusão às duras críticas que Trump fez contra o próprio naquela rede social.

Ser aliado não é ser um vassalo. Para não o ser, não devemos ser dependentes deles”, afirmou ainda o Presidente francês, justificando a aposta em marcha de um exército europeu, que também conta com o apoio do Governo alemão.

ZAP ZAP // Lusa

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Também concordo com o exército europeu. Está patente que Portugal precisa de uma limpeza a fundo e não só dos paiois. Precisa de redução de quartéis e passagem do dinheiro das FA para os hospitais e reabilitação de escolas. Duvido que os espanhóis nos invadam.

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