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Pressões políticas fazem Dinamarca desistir do abate de milhões de martas

O Governo dinamarquês desistiu de uma tentativa de aprovar uma legislação de emergência que lhe permitia abater todas as martas do país.

Após uma grande pressão popular e política, a Dinamarca decidiu suspender a ordem de abate de todas as martas criadas naquele país, que serão entre 15 milhões e 17 milhões.

O anúncio do abate foi feito pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, após ter sido verificada uma mutação do novo coronavírus que infetou 12 pessoas. A governante argumentou que esta evidência ameaça a eficácia de uma futura vacina contra a covid-19, que é provocada pelo novo coronavírus (SARS-Cov-2).

Até esta segunda-feira, 2,4 milhões de animais já tinham sido abatidos. Segundo o The Guardian, a oposição ao abate concentra-se no facto de a agência de saúde pública da Dinamarca, Statens Serum Institut (SSI), não ter encontrados evidências da mutação durante mais de um mês, enquanto vários especialistas dinamarqueses e internacionais questionam se a mutação é, de facto, perigosa.

Frederik Waage, professor de Direito da University of Southern Denmark, afirmou ao jornal Berlingske que a ordem de abate é “ilegal”. Por sua vez, Jakob Ellemann-Jensen, líder do maior partido de oposição da Dinamarca, Venstre, alegou que as evidências científicas não eram suficientes para comprovar a necessidade de exterminar as martas.

Alguns críticos argumentaram também que o abate dos animais prejudicaria o emprego de muitas pessoas, já que este país nórdico é o maior criador de martas do mundo e a pele destes mamíferos é usada na confeção de casacos.

Em agosto, os Países Baixos decretaram o fim da prática de criar martas para a indústria de peles naquele país, após o registo de vários focos de infeção pelo novo coronavírus em explorações dedicadas à criação destes pequenos mamíferos.

Em junho, e após suspeita de transmissão do novo coronavírus a pessoas, também as autoridades holandesas ordenaram o abate de vários milhares de martas. Em maio, as autoridades holandesas já tinham decidido proibir o transporte de peles de martas em todo o país, depois da divulgação do caso de dois trabalhadores de uma exploração localizada na zona do sul dos Países Baixos que teriam contraído o novo coronavírus através daqueles pequenos animais.

Na altura, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, e perante as suspeitas, que estas possíveis contaminações poderiam ser os “primeiros casos conhecidos de transmissão” do novo coronavírus de animais para seres humanos.

  ZAP //

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