O défice mais baixo da democracia é ainda mais baixo do que se pensava

Clara Azevedo / Portugal.gov.pt

Primeiro-Ministro António Costa e Ministro das Finanças, Mário Centeno

Primeiro-Ministro António Costa e Ministro das Finanças, Mário Centeno

O défice orçamental fixou-se nos 2% do PIB em 2016, anunciou hoje o INE, que reviu em baixa o valor inicial de 2,1% e confirmou o saldo do ano passado como o menos negativo desde 1974.

O Instituto Nacional de Estatística informou hoje que “vai enviar ao Eurostat uma revisão da primeira notificação de 2017 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos, PDE”, anunciou o instituto em comunicado.

“Nos termos dos Regulamentos da União Europeia, o INE vai enviar ao Eurostat uma revisão da primeira notificação de 2017 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos”, acrescenta a nota do INE.

“Esta revisão determinou uma redução da necessidade de financiamento das Administrações Públicas (AP) em 2016, face ao valor inicial de 2,1%, para 2,0% do PIB”, explica o INE.

Em 24 de março, na primeira notificação ao Eurostat, o INE tinha referido que o défice das Administrações Públicas se tinha fixado em 3.807,3 milhões de euros no conjunto do ano passado, o que correspondia a 2,1% do PIB – valor que, assinala o primeiro-ministro, António Costa, será “o défice é o mais baixo da história da nossa democracia“.

O instituto estatístico explica a revisão em baixa do défice de 2016 com a deteção de “um erro na apropriação da informação relativa à Administração Local”.

“No prosseguimento dos trabalhos associados à notificação do PDE, publicada em 24 de março e enviada ao Eurostat, foi detetado um erro na apropriação da informação relativa à Administração Local com impacto significativo na necessidade de financiamento das Administrações Públicas”, esclarece o comunicado do INE.

O número agora avançado pelo INE está em linha com a última previsão avançada pelo Governo. O ministro das Finanças, Mário Centeno, tinha garantido no Parlamento que o défice não seria superior a 2,1% do Produto Interno Bruto.

Ressalvando que “os resultados de 2016 e 2015 mantêm uma natureza preliminar, por não estar disponível toda a informação necessária à compilação de resultados finais”, o INE nota que, “nomeadamente no caso de 2016, não estão ainda disponíveis a Conta Geral do Estado e as contas definitivas de muitas entidades que integram o setor das AP”.

ZAP // Lusa

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13 COMENTÁRIOS

  1. E se retirarem os Juros da Dívida, então passamos a um superavit colossal !!!!
    Mas a factura está guardada na gaveta, para pagarmos mais tarde.

  2. Martelar por martelar as contas diziam logo que era de 1,8% ou 1,5%.
    Quando alguém credível fizer as contas como deve ser (daquelas contas simples do que entra e do que sai em que usualmente usa uma simples “máquina de calcular”), nem quero saber qual seria o valor real do défice.

    • Acredite que com os partidos de direita nem sem marteladas lá iam… gerir o país não é com eles, está à vista a linda borrada que fizeram nos 4 anos que lá estiveram.
      Não fosse este governo e íamos pelo mesmo caminho.
      Acha mesmo que é possivel martelar números sem que se saiba?
      Só mesmo de uma cabecinha oca poderíamos ouvir tal disparate.

      • O meu caro Rui.
        O problema deste pais, é que os políticos (sejam eles da direita, da esquerda, do centro, etc.) todos martelam as contas.
        E o pior ainda, é que mesmo a Europa (e o mundo!) também martelam as contas.
        É por isso que ninguém vê (ou quer ver!) os números reias.

      • Oco é mesmo o senhor. E deixe-me que lhe diga que anda muito distraído. Muito mesmo. Seguramente já vive em Marte. Se vivesse por cá teria percebido o que aconteceu durante 2016. Pergunte aos seus amigos (provavelmente de partido) que estão no IEFP, Segurança Social e em muitos organismos públicos tutelados diretamente pela administração central o que se passou (ou não passou durante 2016). Pergunte também aos coordenadores do quadro de apoio Portugal2020 e rapidamente perceberá o milagre do défice. E ainda vem para aqui com a frase “Só mesmo de uma cabecinha oca poderíamos ouvir tal disparate”… Enfim, andam por aí muitos distraídos. E palermas…

  3. Défice mais baixo desde 1974. Poder a, a “chupar o tutano” aos contribuintes desta maneira. Não tem a ver com o partido ou pessoas que estão à frente do governo. A Europa mandou, e nós tivemos que “inventar” para chegar aos números pedidos.

  4. Temos que convir, Centeno-Costa é uma parelha imbatível em truques e malabarismos…
    A receita foi fácil. Endivida-se o país nos mercados, e com esse dinheiro baixa-se o défice interno.
    O perdão da dívida, e o corte brutal na despesa pública (ensino, saúde, administração), fazem o resto.
    Na verdade, a Economia, e por arrasto os vencimentos, estão em coma profundo.
    A parelha consegue fazer passar a ideia de que esta paz podre, é normal. Até o Marcelo está rendido.

    • Caro Carlos
      Concordo consigo relativamente ao perdão fiscal e ao corte mais que brutal da despesa pública. Permita-me apenas fazer-lhe um reparo à frase “Endivida-se o país nos mercados, e com esse dinheiro baixa-se o défice interno.” Isto é totalmente descabido! Uma coisa nada tem a ver com a outra. Quanto ao resto, está certíssimo na sua análise.

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