“Não basta dizer datas” para reabrir escolas. Fenprof pede reforço de medidas

Rodrigo Antunes / Lusa

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, alertou na quinta-feira que “não basta dizer as datas” para a reabertura das escolas, pedindo o reforço de medidas de segurança sanitária e a articulação com a testagem.

“Também é preciso ser responsável nas condições do regresso, não basta dizer as datas”, disse à agência Lusa Mário Nogueira, considerando que o pior que poderia acontecer era um retrocesso do desconfinamento no ensino durante a pandemia.

O primeiro-ministro anunciou na quinta-feira o plano de desconfinamento, com o calendário do regresso gradual às atividades presenciais, a partir de segunda-feira para as crianças das creches e alunos do ensino pré-escolar e o 1.º ciclo.

Ao longo da conferência de imprensa, António Costa reforçou que o calendário apresentado pode, a qualquer momento, ser alvo de mudanças caso a situação pandémica se volte a agravar, e a Fenprof alertou que o risco de isso acontecer é grande se não forem reforçadas medidas na reabertura das escolas.

“Não sei se é uma inevitabilidade, mas é um risco. E é um risco grande”, sublinhou, considerando que a falta de condições nas escolas para a qual alertou várias vezes no primeiro letivo ainda preocupa aquela estrutura sindical.

“Não há nada sobre a redução do número de alunos por turma para garantir distanciamento, não há nada sobre reforço de pessoal auxiliar para garantir a limpeza dos espaços”, exemplificou.

Por outro lado, o dirigente sindical lamentou também que a vacinação dos professores e não docentes e o programa de rastreios, duas medidas reivindicadas e elogiadas pela Fenprof, não estejam em articulação com a reabertura.

“No mínimo e no imediato, a testagem”, sublinhou, referindo-se ao “Programa de Rastreios laboratoriais para a SARS-CoV-2 nas creches e estabelecimentos de educação e ensino”, que prevê, no reinício das atividades escolares presenciais a realização de um teste rápido de antigénio a docentes e não docentes de todos os níveis de ensino.

Rodrigo Antunes / Lusa

Depois dos mais novos, o calendário de reabertura das escolas do plano de desconfinamento prevê que os restantes alunos regressem após as férias da Páscoa. A 05 de abril voltam ao ensino presencial os cerca de 530 mil alunos do 2.º e 3.º ciclos, que voltam a ter também abertos os ATL’s. Os alunos do ensino secundário e do ensino superior só voltam a ter aulas presenciais em 19 de abril, anunciou António Costa.

Relativamente ao calendário, Mário Nogueira disse apenas que corresponde àquilo que já era expectável e reforçou que essa não era a principal preocupação da Fenprof.

Os estabelecimentos de ensino estão encerrados desde o final de janeiro devido ao agravamento da situação epidemiológica em Portugal. Cerca de 1,2 milhões de alunos, do primeiro ciclo ao secundário, retomaram as aulas em 08 de fevereiro, mas à distância.

Diretores e pais divididos sobre máscaras no 1.º ciclo

Os directores das escolas e os encarregados de educação divergem sobre a necessidade de utilização de máscara pelos alunos do 1.º ciclo, com a Associação Nacional de Diretores de Escolas (ANDE) a afirmar que a medida pode reforçar a segurança e a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) sem ver vantagens, noticiou o Público.

O presidente da ANDE, Manuel Pereira, disse que as regras seguidas no 1.º período “dão confiança” ao regresso ao ensino presencial e que escolas vão reforçar a segurança “através da utilização de máscaras”. “Estamos a trabalhar para ter a colaboração dos encarregados de educação nesse sentido”, apontou.

A utilização de máscaras não é obrigatória para crianças com menos de dez anos mas, na semana passada, o Ministério da Educação deu indicações às escolas para comprarem um kit com três máscaras comunitárias para entregar aos alunos do 1.º ciclo.

Segundo o presidente da Confap, Jorge Ascenção, há uma grande divisão entre os pais sobre este tema. “Não temos, neste momento, dados científicos objetivos que nos digam que o uso de máscaras nestas idades é mais vantajoso”, referiu, indicando que os pais “terão que aceitar” caso a Direcção-Geral de Saúde decida por essa opção.

  ZAP / Lusa //

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