Cuba acusada de “escravatura” de médicos no estrangeiro, incluindo em Portugal

Antonio Cruz / ABr

Uma denúncia no Tribunal Penal Internacional contra dirigentes cubanos alega que existe uma “escravatura” de médicos no estrangeiro, incluindo em Portugal. Mais de metade não se voluntariou a participar nas missões.

Vários dirigentes cubanos foram acusados de enviarem trabalhadores, nomeadamente médicos, para o estrangeiro, apenas para encher os cofres do Estado cubano. Os médicos fazem parte de “missões de internacionalização”, mas a denúncia apresentada no Tribunal Penal Internacional alega que se trata de uma fachada.

Segundo os dados da ONG Cuba Archive, estas missões poderão ter permitido um encaixe financeiro de 10 mil milhões de dólares ao estado cubano, em 2014, e 8 mil milhões em 2016.

As alegações são negadas por Javier Levy, da embaixada cubana em Lisboa, que diz ser “uma falta de respeito” pelo legado de cooperação entre os países, que diz ser reconhecido em todo o mundo.

Segundo o jornal espanhol ABC, os principais acusados são vários ministros cubanos, como José Ángel Portal Miranda, Rodrigo Malmierca Díaz, Bruno Rodríguez Parrilla e Margarita González Fernández. O destaque vai para Miguel Díaz-Canel, presidente desde abril do ano passado.

O diário espanhol informa ainda que os trabalhadores apenas recebem “entre 10 e 25%” dos vencimentos que eram anteriormente acordados, sendo que o restante do salário fica para o Estado cubano. O DN explica ainda que os médicos eram ainda proibidos de conduzir e era feito um controlo de pernoitas ou uma vigilância eletrónica.

A denúncia é relativa ao período entre 2002 até aos dias de hoje e engloba milhares de cubanos. Os trabalhadores seriam alegadamente perseguidos e ameaçados caso não cumprissem as exigências de Cuba ou abandonassem a missão.

“Demorou quase um ano de trabalho de documentação, onde começamos com uma perspetiva global de crimes contra a humanidade e entendemos, a determinado momento, que Cuba tinha uma vulnerabilidade nas suas ações ao exportar a sua escravidão para países terceiros que tinham acordos e tratados”, disse Javier Larrondo, presidente dos Defensores dos Presos Cubanos.

Larrondo confirma que há violações dos direitos humanos e que com esta denúncia o governo cubano ficava “finalmente vulnerável à verdade legal”.

As supostas “missões de internacionalização” duram aproximadamente três anos e dezenas de milhares de trabalhadores participaram nelas. Países como Portugal, Itália, Suíça, Malta e Brasil são mencionados na denúncia feita em Haia, na Holanda.

Confissões “tiradas a ferros”

Larrondo refere ainda que foi complicado arranjar depoimentos, uma vez que agentes de segurança cubanos faziam esforços para evitar que ele conseguisse confissões dos profissionais no estrangeiro. Através uma campanha publicitária segmentada no Facebook, conseguiu chegar a 15 mil pessoas.

Muitos não responderam por medo de uma possível repressão, mas ainda assim, conseguiu 70 testemunhos, dos quais 46 foram verificados e publicados. A ABC teve acesso aos depoimentos e descobriu que mais de metade dos médicos (56,2%) não se voluntariou a participar nas missões.

Além disso, 39,1% foram “pressionados” a participarem e metade deles viram-se obrigados a aceitar com “medo de serem marcados de maneira negativa no seu trabalho ou no seu ambiente pessoal”.

Com um salário entre 30 a 50 dólares por mês em Cuba, quase todos os médicos (97,8%) disseram que as promessas de um melhor rendimento foram a principal razão para terem aceitado participar na missão.

ZAP //

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11 COMENTÁRIOS

  1. Ainda não fizeram nada a prpósito dos EUA andarem a espiar os cidadãos e governos da Europa e do mundo inteiro, facto exposto por Snowden. Até queriam prender e condenar Snowden por espionagem… E agora querem chatear Cuba por enviar médicos para o mundo inteiro para ganhar uns cobres, aqui del Rei que o Tribunal Penal Internacional não sei o quê… Sempre a mesma trampa: Dois pesos e duas medidas.

    Onde é que está o Tribunal Penal Internacional contra o asqueroso crime contra a privacidade e os segredos de estado de todos os outros países do mundo. Epá já mete nojo este tratamento especial de uns em relação a outros… Exemplo: Irão e Israel.

    1. Israel acusa o Irão de ter um programa secreto nuclear.
    2. Israel tem um programa nuclear que tem tentado manter secreto.
    3. O Irão tem cumprido com todas as inspecções e tratados.
    4. Israel não cumpre nem uma coisa nem outra.

    Quem é o fora da lei aqui? O Irão? Quem é o Terrorista? O mundo realmente precisa de mais do que uma super-potência porque os monopólios de poder nunca foram bons e sempre levaram a abusos. Ainda bem que a Rússia e a China estão cada vez mais a conseguir um equilíbrio de poderes com os EUA.

    • Russia e China, gente cheia de boas intenções, esses expoentes máximos da liberdade e da democracia! Porrreiro pá, vou apoiá-los também, e já agora também o Irão.

    • Quando se é comuna, é-se comuna. Nem sequer interessa a informação como um todo. Devia ir para o estrangeiro trabalhar para dar dinheiro ao estado nas condições que são descritas e a ganhar os 25 € por mês que lhes pagavam.

  2. Hipocritas ,sim é verdade sempre podiam começar pela casa deles sim os americanos ,não os indios,são aquele que invadiram e agora dizem que são americanos e santos que ainda é pior ,então para começar 80% da mão de obra em muitos estados americanos é toda ele de trabalho escravo é feito por emigrantes ilegais e sem nenhuma segurança as pessoas não tem direoto algum não tem nenhum apoio social não se podem queixar das condiçoes de trabalho ,chegam a trabalhar 14,16 18 horas com salarios de miseria e vem agora para aqui vender postas de pescada manhosa ,começem por casa pois que de exemplo não são nada aliás ainda são piores

  3. Podem até chamar-lhe “escravidão”, mas não me parece justo que o governo Cubano financie a formação deste profissionais, assim como Portugal (nós, com os nossos impostos) financia durante anos a formação de enfermeiros, e outros profissionais, para depois irem trabalhar noutros países, que sem contribuir com coisa nenhuma, naturalmente, agradecem.

  4. Cuba não tem nenhuma significante atividade econômica, agrícola, científica, comercial, mineral, etc. Afora fazer grandes negociatas, como a DOAÇÃO de dezenas bilhões de dólares do BNDES, país algum precisa de Cuba, para nada.
    Após as grandes negociatas, o maior negócio de Cuba é a produção de açúcar, que perde em tamanho, para aquela do nosso Estado de Alagoas. Todo o PIB de Cuba não chega a um quarto do PIB da cidade de Santiago, no Chile.
    Dei-me um aliado de Cuba e eu lhe darei um país pobre e uma cleptocracia. Exemplos: Coreia do Norte, Venezuela, etc.

  5. Não duvido que nesse tipo de acordo entre Estados, a entidade “prestadora de serviços”, Cuba, retenha dinheiro. No fim da Ii Guerra italianos vieram para as minas de carvão belgas, a Itália tinha direito a comprar x carvão para a sua indústria. O ABC é um jornal franquista, o que explica o artigo. Enfim, quantos médicos cubanos são ou foram escravizados em Portugal?

  6. Esses profissionais estiveram aqui no Brasil mas ganhavam apenas 3 % o restante dos 5 mil dólares eram pagos diretamente para os assassinos irmãos Castro, no governo do PT, Dilma Rousseff que está sempre em vosso país, Temer que também está preso por corrupção como Lula, outro presidente preso por corrupção. Só Dilma e Dirceu, ambos terroristas assassinos estão soltos porque aqui o Supremo Tribunal Federal é de juízes indicados por esses terroristas e corruptos, para lhes garantir conforto e soltura.

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